sábado, 13 de agosto de 2011

A Verdade sobre a Igreja I

O filho de uma irmã da congregação onde eu servia faleceu. Ela pediu ao pastor para o corpo do seu filho ser velado no templo. O pastor atendeu ao seu pedido. Esse fato gerou uma celeuma entre as irmãs “do mistério” (como são conhecidas as irmãs que faziam parte do círculo de oração da congregação). Elas vieram a mim questionando se não era errado velar um morto na igreja, a casa de Deus.

Eu falei para elas que o Senhor não habita mais em templos feitos por mãos humanas e que o templo não é mais a casa de Deus. Nós somos o santuário do altíssimo. Onde nos estivermos reunidos em seu nome, fazendo a sua obra, Ele está conosco. Ainda que seja em lugares mais vis como um terreiro de umbanda ou um antro de prostituição. Só a igreja saindo dos templos das denominações o evangelho será levado até aos confins da terra.

Pensar na igreja como o templo é um algo em comum com a maioria dos que frequentam as instituições religiosas hoje.

A palavra igreja, “ekklesia” no grego, era uma assembléia de cidadãos convocados para uma reunião administrativa. Era a reunião dos “eklectoi”, reunidos para discutir assuntos políticos do estado. “Ekklesia” deriva do verbo “ekkaleo” que significa chamar a parte1.

“Ekklesia” era uma congregação de pessoas ou assembléia legal, numa cidade grega, formada por todos que tivessem direito de cidadania (chamado a parte) para tratar de assuntos públicos2.

Para uso do cristianismo poderíamos dizer que “ekklesia” é a congregação de crentes, organizados para manutenção das atividades normais da vida cristã, ( doutrina, ordenança, administração) tendo comunhão entre si e com Cristo. 3

A “ekklesia” do novo testamento era um grupo organizado que estava ativamente engajado no comprimento da grande comissão. Dessa organização apenas Cristo era o cabeça. Os crentes mantinham comunhão uns com os outros e com Cristo.

A primeira vez que o novo testamento usou a palavra igreja (ekklesia) foi em Mt 16.18 e se fosse traduzir ao pé da letra do original teríamos: Revelo eu também pedra(no sentido de pequeno deslocamento de material rochoso), sobre esta rocha de verdade revelada edificarei a Minha assembleia e o portão do mundo dos mortos não poderão subjugar (obter domínio).

A rocha revelada era a afirmação de Pedro de que Jesus era o Cristo, o filho do Deus vivo. Não era algo material, mais uma assembleia (imaterial) firmada na Rocha que é Jesus (Espiritual)

Na septuaginta, versão grega do antigo testamento, traduz a palavra kahal por ekklesia. kahal é referente a assembleia ou convocação dos judeus. A maior parte do termo ekklesia no novo testamento tem sentido de uma congregação de fiéis.

Portanto não se deve fazer relação dos templos das denominações com casa de Deus, ou tabernáculo, pois isso ficou com a lei de Moisés. Quando Jesus morreu o véu do templo rasgou de cima abaixo. A partir daí Deus não habita mais em templos feitos por mãos humanas. (At 17.24). Onde estiver dois ou três reunidos em nome Dele, ali Deus está. (Mt 18.20). Ali também está a igreja do Senhor.

A Igreja do Senhor pode ser reunir em um templo, mas quando os cristãos deixarem a reunião, não é mais igreja e sim apenas o templo, uma estrutura material. A Igreja primitiva se reunia nas casas, (At 28.30 Rm 16 5) e também no templo dos judeus (At. 2.46 e At. 5.42).

A igreja não deve deixar de se reunir: em casa, com cultos domésticos onde as famílias estarão se edificando e os vizinhos tendo a chance de ouvir a palavra; em reuniões públicas, bem organizadas, onde as pessoas podem ouvir a mensagem do evangelho; em templos para ouvir relatos do que Deus está fazendo na comunidade, para ensinos dos princípios básicos da fé cristã e para reuniões festivas.

A centralização de todas as atividades da igreja em templos tem mais motivação financeira do que espiritual. Quanto mais vezes a igreja se reune no templo, mais ofertas são tiradas para as denominações.

Esta reunião ativista e diária nos grandes templos é patológica para o cristianismo, pois tira a dimensão de comunidade da igreja e a torna apenas um exército da fé. Enfraquece os laços de comunhão familiares e de edificação mútua dos irmãos. As reuniões que tinha como objetivo cultuar a Deus, aos poucos vai dando lugar ao culto onde o objetivo maior é fazer apresentação para as pessoas que vão ao templo. A igreja se fragmenta entre o grupo que trabalha para instituição e o grupo de cliente. A igreja assim vai perdendo sua identidade.

Marcos Avelino

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1. Raimundo OLIVEIRA, As grandes doutrinas da bíblia, p. 253

2. Ibid., p. 254

3. Ibid., p. 270

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Bispo da Universal se rebela contra programação da Record

Publicado por Redação em sexta-feira - 5 de agosto de 2011 // 6 Comentários

O bispo Romualdo Panceiro (foto), 51, um dos lideres mais importantes da Igreja Universal do Reino de Deus, se rebelou contra Edir Macedo, 66, por causa da programação da TV Record, que têm a IURD como uma de suas principais fontes de recursos.

Segundo o jornal A Folha de São Paulo, a gota d’água está sendo a quarta edição do reality show “A Fazenda”, cujos participantes o bispo chama de “ignorantes indecentes”. Uma das convidadas é a ex-garota de programa Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, e a prostituição tem sido um dos temas das conversas, sem que a prática seja condenada, mas enaltecida.
Além de estar recomendando aos fiéis para que não assistam ao programa, Panceiro, para não entrar em confronto direito contra o fundador da Universal, tem atacado Honorilton Gonçalves, que é seu antigo rival, mas também o homem forte de Macedo na TV Record. Foi Gonçalves que, como vice-presidente da emissora, recentemente propôs acordos milionários ao Clube dos 13 para a obtenção dos direitos de transmissões futebol dos Brasileirões dos próximos anos.
Edir Macedo escreveu em sua biografia – lançada em outubro de 2007 — que Panceiro é seu “herdeiro espiritual”, e desde então o relacionamento entre os dois vem sofrendo erosão. Mas, Panceiro mantém seu poder na Universal. É ele que, muito mais que o Edir, tem contato com os bispos e pastores e é o responsável pelo controle da arrecadação da igreja.
É Panceiro, também, que libera recursos para Record, a pedido de Macedo, de acordo com as prioridades de Honorilton Gonçalves para tentar abalar a liderança da TV Globo na audiência. Só em 2010, a igreja injetou na emissora pelo menos R$ 480 milhões tendo como álibi a compra do horário das madrugadas.
Macedo, em seus programas de rádio, já vinha criticando, de forma genérica, a programação das TVs. Mas agora, para tentar acalmar Panceiro, ele decidiu que os fiéis devem fazer um jejum de “informação secular” durante um período que coincide em parte com o da “A Fazenda”.
De acordo com informação da Folha.com, Panceiro está tentando convencer Macedo a não realizar no próximo ano o “A Fazenda”, cuja produção exige pesado investimento. O argumento de Panceiro seria o de que ele se sente constrangido em exigir dos pastores uma boa conduta moral, afastando, inclusive, os que cometem adultério, enquanto a Record faz apologia de imoralidades com o financiamento da igreja.
Independentemente do que Macedo decidir, e ele levará em conta os índices de audiência do reality show, o fato é que Panceiro está em linha de confronto com o seu chefe. Não tanto por questões de moralidade, mas pelo saco sem fundo em que a Record se tornou para a Universal.

Fonte: Folha, Paulopes

COMENTÁRIO

Na postagem do dia 23 de julho escrevi: Você quer contribuir para o reino de Deus ou reino do Diabo?. Os lobos devoradores afirmam que não se deve procurar saber o que estão fazendo com os dízimos. O dever do mebro é dar, o deles e administrar. “Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos “(Ap 18.4)

Quando da compra da Rede Record, a IURD alardeava que seria o canal do povo de Deus e forçava os membros a contribuir para ajudar na compra da emissora. Aqui em Fortaleza foi uma verdadeira febre - vamos ter um canal da família de Deus. Minha cunhada, membro dessa “igreja”, vendeu cama e geladeira para doar como oferta para ajudar a IURD a comprar a Record.

Após a compra da Rede Record pela IURD, a programação não mudou. E apenas mais uma emissora comercial a serviço do anticristianismo. E para vender seu produto têm que render aos apelos sensuais da mentalidade caída da sociedade hodierna.

Será a vontade de Deus os apelos sensuais da RECORD. Que a edificação tem para a juventude cristã os mutantes e rebeldes? Será que um líder de Deus defenderia a matanças de inocentes apoiando o aborto como planejamento familiar?

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. (Mt 7.15-23)

Será que estes frutos da IURD e de Deus? Você contribuinte desta “igreja” pode está fortalecendo o reino do anticristo!!! Cuidado. A Eternidade e muito mais que benção materiais! Se o profeta realizar um sinal e levar você a adorar a Mamom , você pode está sendo testado se amas a Deus de todo coração e toda a alma , ou amas mais o que o príncipe deste mundo está te oferecendo no pináculo do templo. (Dt 13.1-5). Pense nisso.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Acautelaivos... Conheça primeiro o “profeta”.

Matéria tirada do site: http://noticias.gospelmais.com.br/dr-morris-cerullo-controverso-braco-direito-pastor-silas-malafaia-23006.html

Dr. Morris Cerullo: Conheça o controverso braço direito do Pastor Silas Malafaia em campanhas polêmicas

Assim como se intitulou e gosta de ser chamado, Dr. Morris Cerullo é um conferencista internacional e sócio majoritário dos escritórios do MCWE – Morris Cerullo World Evangelism – o centro do controle missionário, mas não exerce a função de pastor nem é membro de nenhuma igreja local ou congregação.

A associação Vitória em Cristo (do Pastor Silas Malafaia) afirma que Cerullo “é considerado uma das maiores autoridades mundiais em oração e batalha espiritual”, juntos eles estão lançando uma campanha de prosperidade onde os fiéis estarão doando R$ R$ 911,00 em prol de receberem uma “multiplicação financeira” prometida.

Cerullo perdeu os pais quando criança aos 2 anos de idade e foi criado em um orfanato Judeu Ortodoxo, onde teve uma experiência, na qual segundo ele foi levado para fora para fora do orfanato por dois seres celestiais e viu a Deus face a face, então aceitou verdadeiramente a Jesus como senhor e salvador de sua vida e a partir desta que ele deu início ao seu ministério. Ele afirma que após essa experiência as pessoas devem olhar para seu rosto sempre, pois ali verão a face do próprio Deus.

Formado em 1953 na Escola Divindade em de Nova York , começou a ministrar ao lado e auxiliado de então na época sua noiva e hoje esposa Theresa, com a qual tem três filhos. Hoje possui várias entidades voltadas ao evangelísmo como a School of Ministry (Escola de Ministério, em tradução livre) que é similar a Eslavec, escola de líderes do Pastor Silas Malafaia.

Denúncias

Apesar de seu “bem sucedido” e conhecido ministério, o Dr. Cerullo é causador de grandes polêmicas devido sua forma de abordagem a cerca da prosperidade financeira de fiéis e de meios para obtê-la.

Hoje desligado de qualquer proximidade com o doutor, John Paul Warren, um respeitado pastor da terceira geração de assembleianos que já trabalhou para Cerullo em parceria no seu ministério, entrou com uma ação na justiça contra a organização, depois de confrontar Morris Cerullo quanto a maneira segundo ele, “antiética e as técnicas que ele usa para recolher ofertas do povo”, a ação foi movida em maio de 2000 na corte superior do condado de San Diego e aceita, sendo esta a segunda ação judicial movida contra ele.

Warren diz que Cerullo se apresenta como “Dr. Cerullo”onde quer que seja, mesmo que não tenha nenhuma formação acadêmica e nem mesmo se quer merecimento para ser chamado como tal. Conta também que logo que o evangelista Jim Bakker caiu em pecado e foi condenado e enviado a uma prisão federal por fraude, ele levantou milhões de dólares para comprar suas propriedades.

Segundo ex-parceiro, que participou de muitas viagens com Cerullo, ele afirma conseguir prever o futuro e curar os enfermos. Em algumas de suas pregações o pastor afirma que ele usa expressões como “entreguem-me suas carteiras de dinheiro” e “olhem para o profeta de Deus”.

Dean Broyles, um dos procuradores de Wanrren, diz que o alvo principal de Cerullo é levantar milhões de dólares em nome de Deus para poder manter seu estilo de vida esbanjador tanto nos Estados Unidos como no além-mar.

As acusações feitas por John Paul Warren, são um tanto quanto graves:

  • “Cerullo faz muitas promessas aos seus contribuintes, promessas que ele sabe não poder cumprir. Levanta dinheiro para projetos populares, consegue contribuições, mas nunca leva adiante os projetos e fica com o dinheiro (…) mercadeja o evangelho para fins de enriquecimento pessoal”
  • Assim que assumiu a direção dos escritórios da organização de Jim Bakker, Cerullo usava status de filantropia da MCWE para ganhos pessoais. Os procuradores de Warren afirmam, segundo uma fonte, 70% da receita de Cerullo vem de atividades comerciais da organização, o que bate de frente com a atividade filantrópica que lhe dá isenção de impostos e que sempre houveram problemas dentro da organização, sendo processado por muitos de seus ex-funcionários, devido a violações dos direitos na América.
  • Também segundo os procuradores, Cerullo está impedido de pregar na televisão da Inglaterra a menos que prove que realizou todos os milagres de cura ditos e mostrados.

O prucurador Hunter Lundy, questiona as atitudes e o estilo de vida levado por Cerullo, se seria correto para um pregador do evangelho e afirma, “Cerullo vive numa mansão confortável de doze milhões de dólares na área mais cara do Rancho Santa Fé, bairro de classe alta próximo a San Diego na California. A organização MCWE possui e controla várias propriedades, carros de luxo e um jatinho particular de 50 milhões de dólares decorado com detalhes em ouro, além de outros de menor porte. Ele declarou que seus bens valem hoje mais de cem milhões de dólares”, disse.

A intenção de John Paulo Warren ao entrar com uma ação contra Dr. Morris Cerullo é alertar aos cristãos da América sobre o verdadeiro caráter de Cerullo, pois segundo ele, durante dois anos, lhe pediu que se submetesse à liderança de uma igreja para poder ser corrigido, mas Cerullo sempre rejeitou. Warren se diz testemunha ocular em primeira mão por ter viajado muito ao lado de Cerullo e então decidiu levar seu ex-chefe à Corte.

Informações dizem que a corte de apelação do Estado da Califórnia declarou em 3 de janeiro de 2002 que a organização de Morris Cerullo, com base em San Diego está imune de litígios sob a Primeira Emenda, que orienta as cortes a não se envolverem em disputas internas de grupos religiosos.

Judaísmo

Morris Cerullo se considera um judeu cristão e tem presença forte entre adeptos desta religião já que também prega a teologia da prosperidade para eles sob a alegação que o dinheiro que doaram será para o trabalho missionário judeu.

Por outro lado na Europa o doutor pedia dinheiro para que panfletos fossem enviados a famílias judias afim que elas se tornassem cristãs. A atitude fez com que até o reverendo evangélico Chris Write condenasse a ação: “espiritualmente pervertida e pastoralmente desastroso”, disse.

Embora não haver nenhum processo por isso registrado contra o pregador, a grande maioria dos rabinos condena as suas pregações e o acusam de ser “anti-missionário” e ter praticas enganosas.

Problemas na Europa

Embora ser americano e hoje esteja entrando com seu ministério e produtos no Brasil, a anos o doutor já está na Europa onde inicialmente foi bem sucedido, mas hoje está envolto a polêmicas, controvérsias e até mortes.

No ano de 1991 seu programa no Reino Unido, o “Vitória com Morris Cerullo”, ganhou um aviso especial sendo exibido todas as vezes antes de ir ao ar, em destaque as emissoras que transmitiam seu programa tinham que alertar que os relatos de cura e prosperidade das pessoas que testemunhavam ali não tinham qualquer prova de veracidade, o mesmo valia para as palavras do líder evangélico. Hoje em dia nem sequer o programa é exibido na Inglaterra já que foi proibido pelos mesmos motivos de 1991.

Mortes

Cerullo é famoso por seus eventos em que após muita pregação e recolhimento de ofertas, afirma curar as pessoas. Apesar dos cartazes de pessoas levantando de cadeiras de rodas e outras demonstrações conhecidas de cura, existem vários casos de pessoas que morreram após acreditar no doutor sem igreja. Um dos casos mais famosos aconteceu nos Estados Unidos quando uma idosa chamada Audrey Reynolds parou de tomar seus remédios para epilepsia após receber a cura de Morris e acabou morrendo dias depois em sua banheira. Uma criança de quatro anos com câncer também morreu após crer no pregador.

Na Índia, em 1991, foi realizado um grande evento liderado por Morris onde reuniu cerca de 30 mil pessoas pobres e doentes, após duas horas de pregação o líder declarou cura aos adeptos e nada aconteceu, a confusão foi tamanha que membros do público subiram ao palco para desafia-lo a provar seu dom. No final, sob os gritos de “fraude” e “curandeiro”, Morris Cerullo foi expulso da Índia pela polícia e declarado “persona non grata” pelo governo.

Hoje e Brasil

O ministério do Dr. Morris Cerullo mudou, o tema agora é menos cura e mais prosperidade financeira através da Teologia da Prosperidade, a alta arrecadação de dinheiro continua. O doutor está chegando ao Brasil através do Pastor Silas Malafaia com campanhas que se dizem afim de ajudar o ministério do pastor brasileiro e abençoar financeiramente os adeptos. Os livros do pregador americano são vendidos no Brasil através das empresas de Malafaia que também o leva para seus eventos de treinamento de pastores, afim de ensina-los o que Cerullo prega.

Nas recentes campanhas que Cerullo fez com Malafaia, em todas os adeptos recebiam gratuitamente os ensinamentos do Dr. Morris Cerullo em suas casas.

Fonte: Gospel+

sábado, 6 de agosto de 2011

MORDOMIA CRISTÃ

Se procurarmos uma definição de Deus nas páginas do novo testamento encontraremos: Deus é amor (I Jo 4.8,16); Deus é luz (I Jo 1.5); Deus é Espírito (Jo 4.24). O homem como sua imagem e semelhança deve ser luz (Mt 5.14-16), pois recebemos do seu Espírito para expressar o seu infinito amor.

A efetivação certa da mordomia ajuda a proclamar este amor de Deus através da ação do seu Espírito, com liberdade, sem obrigatoriedade institucional ou motivação emocional, sem perspectiva de receber qualquer coisa em troca, pois nada possuímos tudo é de Deus, somos apenas mordomos. : "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam"(Sl 24.1). Deus colocou o homem como seu administrador (Gn 1: 28-31). Despenseiros dos mistérios de Deus (I Co 4: 1-12).

E com pesar que vejo o evangelho moderno, legalista em que a mordomia se resume a dar “os 10% de Deus”, então pode-se gozar dos 90% que presume ser seu. E um evangelho sem amor, sem alma e sem verdade. Onde o interesse mercantilista tirou o senso de justiça social, de amor fraternal. Extraiu o senso de comunidade da igreja do Senhor e o transformou apenas num exército de fé que luta por conquistas materiais.

Há uma mentalidade caída hoje, que acredita que “devolver o que é de Deus” para a instituição já é o bastante, e é pecado não fazê-lo. Pode-se adulterar ou fornicar, mentir, roubar, oprimir o funcionário, mais deixar de dizimar jamais. Isto é semelhante o que Jesus combatia:“Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês dão a Deus a décima parte até mesmo da hortelã, da erva-doce e do cominho, mas não obedecem aos mandamentos mais importantes da Lei, que são: o de serem justos com os outros, o de serem bondosos e o de serem honestos.”

Do Senhor são teus filhos, mulher, fazendas, carros, todos teus recursos e tua vida. E Ele te entregou tudo para você administrar, fazer o melhor uso dos recursos materiais e refletir Seu amor nos recursos humanos. No Início da igreja primitiva tudo recurso material era comum ”Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.” (At.34,35). E o apóstolo Paulo escreveu: "Porque, se vivemos, para o Senhor vi­vemos; se morremos, para o Senhor morremos.” (Rm 14.8).

No Antigo testamento há inúmeras passagens que expressam a vontade de Deus em que seus filhos façam justiça social e no Novo testamento Tiago escreveu: “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo.” (Tg 1.27)

Tudo pertence a Deus. Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela contém, A sociedade atual faz com que a igreja sempre relacione mordomia e herança com bens materiais. Isso devido a busca individual na sociedade secular por estes valores. O homem pertence a Deus, logo seu tempo, a sua influência, a sua oportunidade e seus bens materiais são objetos de sua mordomia.

Jesus conta a história do administrador (mordomo) infiel, que coloca em primeiro lugar a si mesmo e procura segurança no sistema. Como se comporta um mordomo fiel? O espaço não me permite fazer uma exposição sobre mordomia, este assunto exigiria um livro exclusivamente. O mordomo fiel faz justiça social, ele administra os recursos do Senhor. Não espera por governo e nem pelo o tempo em que os Cristãos detenham o poder político. Ele sabe que cada cristão deve fazer a sua parte.

Ouve-se muito frases como: “Os bens materiais devem está nas mãos dos santos a serviço do Senhor”. “Os bens devem está nas mãos dos crentes a serviço da obra do Senhor”. “Os bens devem ser transferido das mãos das pessoas ímpias para serem colocados nas mãos dos cristãos”. “Os crentes devem ocupar todo os espaços na sociedade e da política para impor a sociedade um governo cristão.”

Estes tipos de pensamentos recebem influência de uma teologia Norte Americana conhecida como “teologia do domínio”. Tem como bandeira que a igreja deve conquistar o poder político e impor a sociedade um governo baseado na bíblia sagrada. Enfatiza que os crentes devem dominar o mundo antes do retorno de Cristo. Esta teologia foi formada de um sincretismo de alguns movimentos vejamos:

a.) Reconstrucionismo cristão é um movimento de visão pós milenista que afirma que a igreja deve conquistar o mundo antes do retorno de Cristo, portanto deve controlar as instituições do mundo e convertê-las ao cristianismo.

b.) Teologia do “reino agora” é fruto de um movimento herético denominado “Letter Rain” da década de 40. Defende que a igreja deve se unir sobre a liderança de apóstolos e profetas e se infiltrar nas instituições como representantes de Jesus.

c.) Restauracionismo. Movimento que espalhou-se pelas as Assembleias de Deus do Canadá e EUA. A liderança das Assembléias de Deus rejeitou o movimento por algumas afirmações como: “Deus está restaurando progressivamente as verdades para a igreja desde a reforma protestante”.1

Como fica nossa posição de mordomo diante da afirmação de Jesus “Ninguém pode servir dois senhores; porque ou há de aborrecer a um, e amar o outro; ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas (Mt 6:24)? Como administrar as riquezas na posição de mordomos, se não podemos servir ao Senhor e as riquezas?. Por que personagens bíblico tiveram de optar entre Jesus e as riquezas para poder servir a Deus (Lc 12: 33-34).?

Deus realmente ordena aos cristãos tomar o domínio e o poder político das mãos dos ímpios? Após a multiplicação dos pães as multidões queriam fazer de Jesus um rei. Ele podia tomar o poder político e impor um governo cristão.

Jesus antes de sua crucificação afirmou “O meu reino não é deste mundo. Se fosse, os meus súditos combateriam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas agora o meu reino não é daqui “( Jo 18:36).

Deus nos deu o direito de posses de bens materiais. A prosperidade é fruto de obediência (Dt 6: 1-3; Dt 28 2,11). Na casa do justo há muitos tesouros (Pv 15:6). O servir as riquezas e o amontoar egoísta de riquezas é não considerar a vida no ponto de vista da eternidade. É não buscar as coisas de cima. É centralizar as possessões e não a Deus.

O sonho da maioria dos crentes atuais é ser empresário, para dar testemunho de prosperidade dando dízimos de grande valor. Embora que para isso tenha que explorar seus funcionários, pagando-lhes o mínimo dos mínimos para sobrevivência.

Ser mordomo fiel é cumprir a vontade do Senhor, e a vontade do Senhor e termos justiça social. Podemos ver isso no decorrer da bíblia sagrada (Is 1:17; Zc 7: 9-10). Justiça social é conseqüência da prosperidade( Sl 112: 5,9), o clientelismo é fruto da visão colonialista e capitalista da igreja de hoje. Estamos longe de fazermos justiça social. O Pr. Carlos Queróz comenta:

Repassaram-nos a ideologia do mundo religioso ocidental, onde riqueza é sinal de bênção e ser pobre é desgraça. Neste contexto ideológico “bem de vida” é ter altos salários, casas, carros, etc. (...). Essa ideologia catalizadora da mentalidade elitista de classe média, que está mais propensa a se beneficiar dos sistemas econômicos mundanos, mesmo que servindo, consciente ou inconscientemente, as classes ricas e mantendo sob subserviência as comunidades pobres. Somente uma conversão desta mentalidade, poderá criar condições para a Igreja inverter o seu atual comprometimento com as elites2

Distribuir cestas básicas, contribuir com sociedades filantrópicas ou com causas assistenciais está longe da exigência de Deus para sermos um mordomo fiel e de expressarmos o amor divino. Deus quer que desempenhamos nosso papel de mordomos fazendo justiça social. Devemos lutar por estruturas econômicas que impeçam o surgimento extremo de riqueza e pobreza. Devemos ser mordomos compartilhando os recursos econômicos entre nossos irmãos. Prosperidade sem esse zelo bíblico e um sinal claro de desobediência.

Notas

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1. Paulo ROMEIRO, Evangélicos em crise, p. 159-160

2. Carlos QUIROZ, Cristo e a trasformação social no Brasil,

p. 42

Marcos Avelino

sábado, 30 de julho de 2011

Dízimos…. e mais dízimos

Depois que Caio Fábio declarou: “Não aceite o texto de Malaquias no qual a igreja estelionatária pegou para si“;.(...) “O dizimo sempre foi estabelecido para Israel para o sustendo da ordem levítica para manutenção do templo, para distribuição aos pobres”;(...) “Hoje por estarmos no tempo da Graça e não mais na Lei, nenhuma pessoa deve levar o dízimo a nenhum templo nem lugar”. E desafiou qualquer pastor evangélico para discutir sobre o tema. Causou um verdadeiro pandemônio entre os defensores desta prática. Como não há argumentos bíblicos para derrubar a afirmação de Caio, apelam para diversas formas de ataque como: não devemos escutar quem está caído; Caio Fábio demonstra que não consegue se conformar em estar longe dos holofotes que sempre focaram-lhe nas décadas de 80 e 90; para sair do ostracismo e voltar a ocupar o patamar de antes, a melhor estratégia é acusar, atacar, apontar o dedo e diminuir os outros; no passado Caio Fábio defendeu o dízimo até onde era conveniente para ele;

Caído ou não. Querendo sair do ostracismo ou não. Este homem, que não tem nada a perder, afirmou uma verdade incontestável.

Esta semana enquanto lia no sítio http://baugospel.com.br/caio-fabio-fala-sobre-o-dizimo-e-desafia-pastores-no-brasil/ mais uma tentativa de explicação sobre a prática de dizimar, encontrei nos comentos sobre esta matéria, comentada por Giovanni, um dos estudos mais completos sobre o assunto. Vale a pena ler! Coloco abaixo o texto na íntrega.

É interessante saber responder bem à seguinte pergunta: Quando começa o Novo Testamento? É em Mateus 1 ou na Cruz? Quando alguém diz que Cristo corroborou o que o VT diz sobre o dízimo esquece também de dizer que naquela ocasião o dízimo estava em vigor e por isso Cristo disse o que disse, e especificou o que o VT sempre disse: dízimo nunca foi dinheiro, mas sempre foi alimentos (por isso Jesus falou de ervinhas e temperinhos e não de moedas e centavos).

A Lei e os Profetas duraram (profetizaram) até João Batista. Este João foi o profeta que apresentou o Messias prometido a Israel. O Antigo Testamento preparou o caminho (serviu de aio) até Cristo. “Porque o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. (Romanos 10:4). Jesus Cristo mostrou aos judeus a necessidade de um novo pacto, mais aperfeiçoado. Durante o seu ministério, Jesus falou muito aos judeus, indicando que a Lei não os aperfeiçoou espiritualmente e que a tradição ofuscou muito a essência dos ensinamentos da Lei.

Por ter Jesus nascido sob a lei (Gálatas 4.4) vemos, nos Evangelhos, muitas vezes Jesus ordenando que se cumprisse o que determinou Moisés e mais algumas retratações da lei, na antiga aliança.

Dessa forma, podemos observar muitas passagens que devem ser entendidas como período de transição entre o AT e NT, que muitos confundem com NT. Por exemplo:

Em Lc 1.15 o anjo Gabriel consagra João Batista ao nazireado, conforme Nm 6.3.

Em Lucas 2.21 Jesus é circuncidado obedecendo o disposto em Levítico 12.3;

Em Lucas 2.22 Maria se purifica conforme estabelecido em Levítico 12.4;

Em Lucas 2.23 os pais de Jesus oferecem o sacrifício prescrito em Levítico 12.6-8;

Em Mateus 8.4 Jesus manda um leproso fazer o sacrifício prescrito em Levítico 14;

Em Lucas 19.8 Zaqueu se submete duplamente à pena estabelecida em Êxodo 22.9;

Em Mateus 17.24 Jesus paga o imposto estipulado em Êxodo 30.11-16

Em Mateus 26.17 Jesus e os discípulos cumprem o requerido em Êxodo 12.1-27.

Vemos então que enquanto Jesus vivia, a Lei Mosaica estava em vigor. Como entender Mt 8.4, onde Jesus ordena a apresentação de um sacrifício de animal ao que havia sido curado de lepra? É necessário que façamos isto hoje? Evidentemente que não. Da mesma forma, quando, em Mt 23.23, Jesus ordena aos fariseus que dessem o dízimo do cominho, da hortelã e do endro, devemos entender que eles estavam debaixo da mesma aliança mosaica que obrigou o leproso a cumprir o ritual de Levítico 14.

O Novo Testamento (Nova Aliança, Novo Pacto, Novo Compromisso) começa com a morte de Jesus Cristo na Cruz do Calvário; quando o véu se rasgou. Antes do sangue de Jesus Cristo ser derramado na cruz, o pacto vigente era o Antigo Testamento. Jesus em seu ministério antes da cruz, mostrou ao povo a necessidade de um melhor pacto com Deus. Demonstrou ao jovem rico que guardar a lei não o aperfeiçoou espiritualmente; demonstrou aos fariseus e escribas que dizimar não os aperfeiçoou espiritualmente; demonstrou às autoridades religiosas a sua cegueira espiritual.

Cumprir uma tarefa significa concluir uma tarefa. A Lei foi cumprida por Cristo. A Lei apontava para Cristo, serviu de aio (condutor) até o Messias. Chegado o Messias, a lei já não tem mais função. Mas o Novo Testamento só pôde ter início com a morte de Jesus Cristo na cruz.

Marcos 14:24 “E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado.”

Faço um questionamento para aqueles irmãos que dizimam porque entendem ser um mandamento válido para o cristão: Qual dos cinco dízimos que aparecem na Bíblia é entregue hoje nas igrejas? 1 – O dízimo de Abraão – Gênesis 14:17-20 2 – O dízimo do rei – 1Samuel 8:11-17 3 – O dízimo dos levitas – Números 18:21-24 4 – O dízimo das festas – Deuteronômio 14:22-27 5 – O dízimo dos pobres – Deuteronômio 14:28-29 Estes são dízimos bíblicos. Se o que tu praticas não for nenhum destes, não é um dízimo bíblico.

O DÍZIMO É BÍBLICO, MAS NÃO É MANDAMENTO PARA O CRISTÃO. Deus faz alianças. Fez uma com Noé. Fez outra com Abraão. Fez outra com o povo de Israel no Sinai. Fez conosco (gentios), por Jesus Cristo. A aliança com Abraão não tinha como mandamento o dízimo, mas sim a circuncisão. O dízimo dado a Melquisedeque foi voluntário. Além de voluntário, foi dado uma única vez. Além de voluntário e dado uma só vez, foi a partir de despojos de guerra. Além de tudo isso, os outros 90% Abraão devolveu ao rei de Sodoma. O QUE TEM ESSE DÍZIMO A VER COM O QUE SE DÁ TODO MÊS NAS IGREJAS? A aliança que Deus fez com ISRAEL no Sinai tinha como ordenança a prática de dizimar. Era a base de sustento do sacerdócio levítico e também promovia a justiça social (Deuteronômio 14:23-29). Peço atenção especial ao último versículo deste texto indicado. A promessa de prosperidade estava CONDICIONADA ao fato de o dizimista abençoar a vida do pobre e do deserdado. Era a condição para a bênção divina. Apenas os LEVITAS e os POBRES tinham autoridade para receber dízimos. MAIS NINGUÉM, nem os sacerdotes. O QUE TEM ESSE DÍZIMO A VER COM O QUE SE DÁ TODO MÊS NAS IGREJAS? Malaquias foi escrito dentro do contexto do Pacto do Sinai. É o último livro do Velho Testamento. Quem quiser realmente compreender o texto de Malaquias deve ler Neemias e Esdras, seus contemporâneos. Em Neemias encontra-se muito mais sobre dízimo do que em Malaquias.

Havia turmas de sacerdotes e levitas que serviam no templo. Cada turma ficava uma semana no templo. Os dizimistas entregavam dízimo aos levitas e esses, por sua vez, separavam o dízimo dos dízimos (que tinha que ser a melhor parte dos dízimos recebidos por eles) e levavam a uma câmara do templo, chamada casa do tesouro, onde eram depositados os mantimentos (alimentos) para o sustento da turma da semana no serviço do templo. Acontece que os levitas não entregavam o melhor muitas vezes. E os sacerdotes não queimavam a melhor parte das ofertas que eles recebiam, conforme a lei e ainda roubavam alimentos. Havia, desta forma, grande desleixo e irresponsabilidade.

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro” foi escrito para os levitas, pois a eles somente cabia levar dízimos a essa câmara (Neemias 10:38). DEUS NUNCA MANDOU O DIZIMISTA TRAZER DÍZIMO À CASA DO TESOURO. E, como vimos, a casa do tesouro não era o templo, muito menos é hoje o prédio da congregação, mas um depósito apenas. O QUE TEM ESSE DÍZIMO A VER COM O QUE SE DÁ TODO MÊS NAS IGREJAS? Quem teria a autoridade espiritual de receber dízimo hoje? A viúva, o órfão e o estrangeiro (Deuteronômio 14:28-29) – o pobre recebia dízimo no Antigo Testamento. Hoje, quem tem pouco ainda é obrigado a tirar 10% pois senão estará “roubando de Deus”. Que covardia! Que infâmia! Na ausência do templo e do serviço levítico no templo, resta hoje apenas a outra categoria de pessoas com autoridade para receber dízimos: o órfão, a viúva e o estrangeiro (ou seja, os pobres e necessitados).

Dízimo é para pagar contas?

Por que uma igreja não sobreviveria hoje somente com ofertas? Por que alguns entendem que oferta é necessariamente menos do que 10% da renda mensal?

Vimos em Atos que as ofertas podem ser muito mais do que 10%, quando os membros da igreja têm compromisso com missões e caridade.

Mas o dízimo era, no passado, usado para construção, reforma e aquisições para o templo? Não, pois não se tratava de dinheiro, mas de alimentos para o levita, o órfão, a viúva e o estrangeiro peregrino (Deuteronômio 14:28-29). A promessa de bênção ao dizimista veterotestamentário estava diretamente relacionada ao versículo 29. Basta conferir na sua Bíblia. Mas, então, como o templo foi construído e mantida a sua estrutura? De onde vinham os recursos para a construção? Resposta – Da mesma fonte dos recursos da construção do tabernáculo, em Êxodo: das ofertas voluntárias.

Muitos confundem dízimo com primícias e ofertas. São coisas diferentes na Bíblia. “Honra ao Senhor com as primícias de tua renda” não se referia ao dízimo. A viúva que depositou duas moedinhas na arca do tesouro, e que recebeu elogio de Jesus, estava ofertando e não dizimando. Ofertas podiam ser em dinheiro, dízimo, porém, apenas em alimentos.

Se numa aliança menos perfeita, os dízimos eram para o sustento dos deserdados, dos pobres e dos necessitados, hoje, em uma aliança melhor, teriam uma destinação menos nobre? O OBJETIVO DA PROSPERIDADE – Muitos interpretam erroneamente a frase “abrir as janelas do céu” (ver o significado em Gênesis 7:11 e 8:2) como uma promessa de Deus para a vida financeira. De certa forma era, pois a chuva dava ao agricultor e ao pecuarista judeus uma boa expectativa com relação à sua produção rural. Mas tudo dentro do contexto correto. A observância do dízimo, pela justiça social que o mesmo produzia, era a garantia de prosperidade para o povo de uma maneira geral, pois a terra produziria abundantemente. Observe atentamente que a promessa era diretamente relacionada ao cuidado com os pobres (Deuteronômio 14:29). Podemos afirmar que era a condição para a bênção.

Só seria abençoado se abençoasse os pobres. PROMESSAS -> O justo será abençoado com saúde, prosperará e terá galardão mediante o auxílio amoroso e sincero ao pobre e ao necessitado. SALMO 41:1-3 / ÊXODO 22:21-25 / PROVÉRBIOS 19:17 / PROVÉRBIOS 22:9LUCAS 14:12-14 / 2CORÍNTIOS 9:9 / MATEUS 25:34-40 EXORTAÇÕES -> Deus exorta àqueles que O amam a cuidar do pobre e do aflito. DEUTERONÔMIO 15:4-11 / DEUTERONÔMIO 24:14-15 / PROVÉRBIOS 14:31 / TIAGO 1:27 JUÍZOS -> Consequências para os que desprezam ou maltratam os desamparados. JÓ 20:15-21 / PROVÉRBIOS 21:13 / PROVÉRBIOS 28:27 / MATEUS 25:41-46 / TIAGO 4:3 A segunda parte do pacto com Abraão ordena: “Sê tu uma bênção” (Gênesis 12:2). Em Mateus 22:35-38, o Senhor Jesus compara o mandamento de amar a Deus com o de amar ao próximo. Essa lição é reafirmada em Mateus 25:31-34 quando o Senhor diz que quem cuida do necessitado e do aflito honra ao próprio Senhor Jesus.

Quando surgiu o dízimo na igreja cristã? Você sabia que o dízimo foi cobrado pela igreja só depois de 500 anos da partida de Jesus? Foi introduzido, embora com pouco êxito inicial, no Concílio local de Mâcon, no ano 585. Apenas uns duzentos anos após isso é que ganhou força, passando a ser considerado tributo obrigatório à Igreja Católica (por Carlos Magno, de 777 d.C).

Portanto, para aceitarmos a prática do dízimo, principalmente com o grande desvio de finalidade como vemos hoje, teremos que desprezar o estudo da Bíblia e também a história da Igreja, incluindo os apóstolos e os líderes dos primeiros séculos da história do Cristianismo.

“Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dão o que bem lhes parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade.” (JUSTINO MÁRTIR, 100 A 165 d.C.). Atos 15:5-11. (dízimo, além de nunca ser dinheiro, é Lei Mosaica).

2Coríntios 9:7. (se pré-estipular não é conforme propõe no coração, nem é livremente, nem é sem constrangimento, mas por “medo de estar roubando a Deus” e por “medo do devorador”).

Hebreus 7:11-22 (dízimo era base de sustento do sacerdócio levítico e este falhou miseravelmente). Hoje, infelizmente, a religiosidade desviou a sua finalidade inicial, sendo recolhido e aplicado para fins diversos. Além disto, restaurou-se em boa medida a força da Lei e suas maldições, numa clara afronta à Graça. Também é utilizado dentro do âmbito da famigerada teologia da prosperidade, servindo para introduzir sementes de ganância e egoísmo no meio da congregação dos crentes. Fiquemos, pois, com a simplicidade do Evangelho, nas palavras de Tiago 1:27: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. Amém.

CONCLUSÃO

1) Malaquias não foi dirigido aos cristãos, mas aos judeus. Era um texto completamente da LEI. A Lei Mosaica não está em vigor para nós, cristãos, pois foi cumprida por Jesus. Hoje estamos sob a Graça.

ATOS 15 – nesse capítulo vemos os judeus cristãos ensinarem aos gentios cristãos que estes deveriam guardar a Lei. Os apóstolos, ao saberem disso, repreenderam aqueles que estavam ensinando a Lei, pois não era essa um pacto entre Deus e os cristãos, mas entre Deus e Israel.

É por isso que não guardamos mais o sábado, nem nos circuncidamos, nem cumprimos mais os outros 613 preceitos da Lei. Só o dízimo perdurou.

2) O apóstolo Paulo diz: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gálatas 3:10). Nesse caso, quem entrega o dízimo e não cumpre todos os 613 mandamentos da Lei de Moisés está recebendo maldição, em vez da bênção propalada pelos pastores e líderes malaquianos. Leiam todo o Livro de Gálatas e atentem bem nos ensinos de Paulo.

3) As igrejas que exigem dízimos e ofertas elevadas, mesmo sendo o dizimista e o ofertante muito pobres são muitas vezes dirigidas por pastores sem um curso teológico, com má interpretação do fundamento e finalidade dos dízimos e das ofertas. Outros se deixam levar pela tradição ou pelo medo de a arrecadação diminua, tornando a Igreja sem recursos. Isso não está certo, pois Deus tocará os corações dos ofertantes e a igreja sempre estará funcionando e sendo vitoriosa.

4). Jesus defendeu a entrega dos dízimos pelos fariseus, pois Ele veio para as ovelhas perdidas da Casa de Israel e estava cumprindo toda a Lei. Mas a Igreja vive na GRAÇA, conforme nos ensina Paulo, a quem o Senhor entregou o apostolado dos gentios. DÍZIMO COMO ORDENANÇA É PRECEITO UNICAMENTE MOSAICO, E QUEM PROCURA JUSTIFICAR-SE PELA OBSERVÂNCIA DA LEI ESTÁ:

Tornando sem valor a morte de Cristo (Gálatas 2:21)

Vivendo na carne e não no Espírito (Gálatas 3:2,3)

Colocando-se debaixo da maldição (Gálatas 3:10)

Metendo-se debaixo de jugo (Gálatas 5:1; Atos 15:10)

Separando-se de Cristo e caindo da Graça de Deus (Gálatas 5:4)

Pondo-se debaixo do ministério da morte e da condenação (II Coríntios 3:7-9) OBSERVAÇÃO IMPORTANTÍSSIMA – Após esse estudo, talvez a tua visão sobre o objetivo do dízimo tenha sido tremendamente modificada. Tenhas muita sabedoria ao conversar com alguém sobre esse assunto, pois a nossa liberdade não pode servir de escândalo ao irmão. E que fique bem claro que as ofertas são um ensinamento cristão e são muito úteis para a promoção do Reino de Deus. Oferte com generosidade e muita alegria no coração, pois é mesmo um privilégio.

sábado, 23 de julho de 2011

Dízimo… Dízimo… Dízimos…

Existem algumas práticas do judaísmo, que foram tiradas de elementos da cultura da época e separada ou adaptada para uso judaíco e, portanto, bem anteriores a lei de Moisés. A pascoa, que era uma festa entre os pastores nômades que comemoravam a entrada da primavera, e Deus descreveu o sacrifício do cordeiro e tornou uma festa particular - a páscoa do Senhor (Gn 12:11 ). Outra prática anterior a lei de Moisés está a prática de dizimar a uma autoridade representante da divindade. E Deus descreveu as regras, os objetivos e o uso dos dízimos na lei para o povo de Israel. Nesta postagem pretende-se fazer uma reflexão sobre uma destas práticas, o dízimo.

Discordo de quem afirma que o dízimo não pode ser dado para quem vive sobre a graça de Jesus. O cristão hoje é livre, se ele quiser dizimar o faz de por gratidão e não por obediência a lei. No Antigo testamento havia uma obrigatoriedade para com a lei, hoje há uma voluntariedade como era na era anterior a lei.

A prática de dizimar é bem mais antiga que a própria Lei. Em Gênesis 14.18-20: Abraão deu o dízimo dos despojos da guerra ao Rei Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo. Isto aconteceu aproximadamente quinhentos anos antes da promulgação da lei ao povo hebreu. Jacó ao fugir de Esau, fez um voto ao Senhor, pedindo proteção e benção em sua viagem, dizendo que ao voltar daria ao Senhor o dízimo de tudo quanto tivesse ganhado. (Gn 28.20-22). Em ambos os acontecimentos, não havia uma lei que ordenava a Abraão ou a Jacó a darem o dízimo. Eles fizeram voluntariamente. Abraão por gratidão a Deus, pois sabia que o Senhor estava no controle de tudo e sua vitória foi concedida por Ele. Jacó em retribuição as bênçãos recebidas. Não há relatos que Isaque, José ou seus irmãos dizimaram a alguém.

Apesar dos líderes (pastores, bispos, apóstolos, patriarcas, etc...) citarem excessivamente o antigo testamento para defender a obrigatoriedade do dízimo, mesmo se dizendo levitas, não estão dispostos a pagar o preço de ser levita. Pois os levitas não podiam ter posses ou herança. “Disse também o Senhor a Arão: Na sua terra, herança nenhuma terás e, no meio deles, nenhuma porção terás. Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel.” (Nm 18.20). Os Dízimos hoje são cobrados para os líderes manterem a pompa. Carros de luxo, coberturas, prédios suntuosos etc... O Dízimo na lei de Moisés era destinado a prover as necessidades básicas dos levitas. ”Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação e responderão por suas faltas; estatuto perpétuo é este para todas as vossas gerações. E não terão eles nenhuma herança no meio dos filhos de Israel. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao Senhor em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel, nenhuma herança tereis.” (Nm 18.21-25) Veja também II Cr 31.13-19

Os dízimos também tinha como finalidade a beneficência aos estrangeiros, órfãos e as viúvas. “Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem.” (Dt 14.29). Atualmente as “igrejas“ fazem o culto do quilo (cada membro traz um quilo de algum alimento), ou arrecadam alimentos na comunidade para fazer cestas básicas para darem aos mais necessitados da congregação. Tocar no dízimo para este fim é fora de cogitação, mesmo sendo bíblico.

Atualmente os dízimos estão sendo direcionados para os proprietários das denominações, ou para a oligarquia religiosa que as comandam. Portanto os dízimos no antigo testamento estavam destinados a suprirem os levitas, não eram usados para construção do tabernáculo ou do templo. O dízimo não era dinheiro, nem ouro e nem prata. Lendo Dt 14.24-27, isso fica bem claro.

Hoje vivemos na dispensação da graça, houve mudança na ordem sacerdotal e da lei. Na epístola aos hebreus, a palavra assevera que a lei de recolher o dízimo do povo foram dada aos sacerdotes filho de Levi e que este sacerdócio tem uma ordem. “Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão.”(Hb 7.5)

7Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior. 8Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive. 9E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. 10Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste 11Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? 12Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei.. “(Hb 7.7-12)

O texto acima deixa claro que os sacerdotes Levíticos recebiam os dízimos segundo a lei (v 5), Porque através deles (sacerdotes Levíticos) o povo recebeu a lei (v 7) e mudando-se o sacerdócio, a lei precisa também ser mudada (v.12). Deus enviou outro sacerdote porque o sacerdócio levítico não era perfeito (v11). Toda a lei de Moisés foi abolida por Jesus, inclusive o dízimo. Os líderes religiosos atuais não são da ordem levítica, e as regras para o dízimo fora direcionada especificamente aos filhos de Levi, aos que receberam o sacerdócio do Senhor Deus. E Jesus afirmou que a lei e os profetas duraram até João (Lucas 16.16). Mudou o sacerdócio e a lei, inclusive a obrigatoriedade do dízimo.

Além do texto de hebreus, existem mais duas referências ao dízimo no novo testamento. Vejamos: Em (Mt 23.23 e Lc 11.42) Jesus censurou os escribas e fariseus, dizendo-lhes: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! 24Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!

Esta é a única passagem no novo testamento que os defensores da obrigatoriedade do dízimo usam em defesa de sua teoria. Mas Jesus está afirmando que a justiça, a bondade e a honestidade são mais importantes que o dizimar. Afirmam que embora dizendo que o dízimo é menos importante que a justiça, a misericórdia e a fé, ele recomendou a manutenção dessa ordenança da lei, dizendo: “devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!”. A razão de Jesus ter afirmado isso é que naquele momento Ele estava cumprindo a lei. O fim da lei é Cristo (Rm. 10:4). Portanto, Jesus ainda não tinha sido crucificado. A nova dispensação não se iniciou com o Seu nascimento, mas na Sua morte (Gl 3.22-25 e 4.4, 5). O sinal foi o véu do templo rasgado de alto a baixo. Naquele momento toda a ordenança da lei de Moises foi encerrada, iniciado a nova aliança pelo Seu sacrifício.

Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.”( Mt 5.17 e 18). E Jesus cumpriu a todo o cerimonial da lei conforme (Lc 2.22-39). O apóstolo Paulo afirma que se a justiça provem da lei,  segue-se que Cristo morreu em vão (Gl 2.21).

Jesus disse: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos  céus.” (Mt 5.20). Foi exatamente para os escribas e fariseus que Jesus ordenou que cumprissem a lei de Moisés, a qual ordenava o dízimo. (Mt 23:23) Na nova aliança não precisamos voltar a ritual da lei Mosaica, não somos judaizantes ou uma seíta do judaísmo, não somos remendo novo em pano velho. O cristianismo é vinho novo e não pode se colocado em odres velhos..

O mais interessante é que atualmente quando as instituições que usam esta passagem como base para defender a obrigatoriedade dos dízimos vão escolher seus líderes, eles consideram o primeiro critério ser dizimista. E se o dízimo for alto ai então não precisa nem provar ser honesto e justo.

A Outra passagem neotestamentária que se refere a dízimo está na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14), ”Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado”.

Jesus colocou outra vez o dízimo, e outros rituais da lei como coisa menos importante. Suplicar a misericórdia do Senhor é superior a ser dizimista fiel. Quanta semelhança com os nossos dias em que o dízimo esta se transformando em instrumento de troca com Deus! Colocam até Deus na parede exigindo a benção em troca dos dízimos dado. O apóstolo Pedro adverte sobre este nosso tempo em II Pedro 2.1-4.

Em algumas instituições religiosas é vetado ao líder dizimar no local onde administra. Porque o líder não pode administrar seu próprio dízimo. Vejamos o texto: “Quando o caminho te for comprido demais, que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que o Senhor, teu Deus, escolher para ali pôr o seu nome, quando o Senhor, teu Deus, te tiver abençoado, então, vende-os, e leva o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que o Senhor, teu Deus, escolher. Esse dinheiro, dá-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa; porém não desampararás o levita que está dentro da tua cidade, pois não tem parte nem herança contigo..”  (Dt 14.24-27).

Impossibilitado de dar o dízimo, O Senhor instruiu, que o seu dízimo deveria ser vendido, e o dinheiro colado na tua mão, (não na mão do levita, nem do pastor) e comprar o que tua alma desejar, no local onde o Senhor escolher para ali por o seu nome. Aqui está um caso em que o Senhor ordena a administrar seu dízimo. Além de não desamparar o homem de Deus que está na tua cidade.

Não estamos mais debaixo da obrigatoriedade da lei, e não também devemos nos submeter a escravidão institucional. Se você conhece um obreiro, e sabe que ele é homem de Deus, e o Espírito de Deus te tocar, você pode dar tua oferta, dízimo ou contribuição para salário dele. Como Abraão dizimou a Melquisedeque no período anterior a lei. Isso é melhor do que você dar dinheiro para uma “igreja” que está contribuindo para outro cristianismo, um pseudo cristianismo que defende o aborto como planejamento familiar e usa seu dízimo para comprar rádio ou televisão a serviço do anticristianismo.

Você quer contribuir para o reino de Deus ou reino do Diabo?. Os lobos devoradores afirmam que não se deve procurar saber o que estão fazendo com os dízimos. O dever do mebro é dar, o deles e administrar. “Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos “(Ap 18.4)

As instituições religiosas de hoje ensinam: a usar o dízimo como instrumento de barganha; como fundo de investimento da fé; como intermediário entre a benção e Deus, ou como porção repelente do devorador. Não tendo base bíblica no novo testamento apelam para o antigo testamento, um dos textos mais usados é Malaquias 3:10. No entanto se meditarmos nos livros de II Cr 31.5-12 e Ne 12.44-47 vamos encontrar a resposta porque Deus mandou Malaquias levar o dízimo a casa do tesouro. Lá você encontra que tipo de mantimentos são esses. Em Atos dos apóstolos 7.48 e 17.24 a Palavra afirma que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens. Quando Jesus ordenou os discípulos a pregar, ele falou:” Nada leveis para o caminho: nem bordão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem deveis ter duas túnicas”( Lc 9:3)

Os dízimos não são obrigatórios na graça, mas quem quer usar a lei para o tornar obrigatório também tem cumprir o que a lei determina. Se alguém quiser dizimar hoje, o faz por adoração a Deus. Voluntarimente, sem pressão institucional como era anterior a lei.

"Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" (Sl 24.1). Você é apenas um mordomo, tudo é do Senhor e não apenas 10%. Deus requer muito mais que o dízimo, Ele quer sua vida, suas atitudes.

Como participantes de uma alian­ça superior, temos sido contemplados com maiores bênçãos. O crente na atual dispensação é levado a contribuir constran­gido pela lei do amor e da gratidão, por estar recebendo maiores bênçãos de Deus (SI 103.1,2). E independente de dízimos, no novo testamento encontramos base para contribuir para o sustento renumerado de obreiros que dão tempo integral à obra de Deus. Sem o profissionalismo religioso. Vejam-se os exemplos: Paulo recebeu salário de determinadas igrejas para servir aos crentes em Corinto (2 Co 11.8); O pastor que emprega tempo integral na assistência à igreja é digno do seu salário (1 Tm 5.18); Paulo ensinou à igreja de Corinto a sustentar os pregadores do Evangelho (1 Co 9.4-14); Timóteo foi advertido por Paulo a não cuidar dos negócios seculares para se sustentar (2 Tm 2.4); Pedro disse que a única ocupação dele e de seus companheiros de ministério era a oração e a pregação (At 6.4); Os apóstolos de Jesus viviam das ofertas que recebiam. Em João 12.6 lemos que existia uma bolsa onde eram depositadas as contribuições para o sustento dos discípulos, e Judas fazia as com­pras com o dinheiro aí depositado (Jo 13.29).

O dízimo é bíblico e está na lei. Mas também  é bíblico: “A circuncisão (Gn 17.23 a 27);  o sacrifício de animais. (Lv  6.8-13); o apedrejar  adúlteros (Lv 20.10 e Dt 22.22); a guarda do sábado (Lv 23.3) e outros preceitos. É bíblico, mas para quem vivia sob a lei. Você cumpre todas estas ordenanças na graça? Porque só os dízimos? Pense nisso.

Marcos Avelino.

sábado, 16 de julho de 2011

FORMAÇÃO DE LÍDERES CRISTÃOS

Há aproximadamente três anos atrás, Eu e Minha esposa fomos convidados a participar de um café da manhã na Igreja presbiteriana de Fortaleza para a apresentação de um projeto da LIDERE que foi desenvolvido pela organização EQUIP, de John C. Maxwell. No local encontrei boa parte dos líderes das maiores denominações evangélicas do Ceará. Após o delicioso café da manhã, nos foi apresentado um vídeo em que alguns líderes, ícones do evangelho brasileiro, falavam sobre o assunto e apresentavam o projeto para capacitação de 1 (um ) milhão de líderes cristãos para o Brasil.

Após o vídeo, os lideres (pastores presidentes) do nosso estado tiveram oportunidade para comentários. Em um desses comentários Deus me falou profundamente. Quando o Pr. Teixeira Rego, pastor presidente da AD Bela Vista, glosou que alguns meses atrás, ele tinha sido procurado por três pastores ingleses. Estes pastores estavam procurando saber a fórmula para o avivamento que o Brasil estava passando para tentarem implantar na Inglaterra. Lá em seu país o movimento era o inverso, no local onde existiam igrejas, estavam agora casas de show, teatros, etc... Naquele momento veio em minha memória a história da igreja americana de onde surgia o movimento de Maxwell.

Os líderes cristãos não precisam de laboratório para serem fabricados, eles são formados no ardor das batalhas, através de experiência com Deus. A matéria prima para os líderes cristãos são forjadas na sua comunidade, na igreja, onde a visão e as qualidades básicas do caráter cristão são formados. Este preparo vem muito antes de uma faculdade ou formação teológica. Nenhum treinamento para liderança por mais excelente que seja pode substituir esta dimensão do preparo do caráter através da caminhada. Este também é o modelo bíblico da prática de Jesus e dos apóstolos. O Senhor mesmo o prova, e o escolhe conforme Efésios 4:11 e I Tessalonicenses 2:4.

Outro ponto a salientar e que os líderes cristãos são chamados a servir e não para liderar conforme Marcos 10:42-45. Este modelo americanizado de liderança cristã está mais relacionado a formar gerentes para tirar do máximo do cristianismo moderno que proclama outro evangelho. Aliás, o pragmatismo do neocristianismo está transformando pastor em gerente. Nasce o obreiro profissional que procuram acima de tudo o sucesso, um status religioso.

Penso que para ser líder cristãos tem que seguir a Jesus. E Jesus disse: ”aquele que quer vir após mim renuncie a si mesmo tome a sua cruz e siga-me”. Isso requer ”renuncia de valores seculares para vivenciar os valores do reino”. Tomar a cruz e seguir o Mestre requer uma mudança de visão ministerial e pagar o preço para pôr em prática em benefício daqueles que seguem a Cristo. Estas mudanças de visão ministerial requerem mudanças radicais no cristianismo que vivemos hoje. Teremos um ministério que: enfrente a tradição; que redefine conceitos; derrube o pietismo e cheio de amor e contra a autoridade.

Porque seguimos a Jesus e não a Buda? a Confuncio? a Maomé? Sem duvida o seguimos porque Ele é o filho de Deus, comportou - se como o filho de Deus e viveu como filho de Deus etc... Ele vivenciou sua identidade. O cristão perdeu sua identidade de ser semelhante a Cristo, quando não vive o que prega, quando são levados por ensinamentos nocivos ao cristianismo. O cristão perde sua autoridade quando seus atos não condizem com o cristianismo bíblico. O cristianismo perdeu a credibilidade por falta de testemunho cristão.

O modelo de liderança neopentecostal não tem exemplos de solidariedade. Se a pessoa está doente, em vez de ajudar com remédios ou com cuidados fazem apenas uma oração expulsando o demônio da doença. Se a pessoa está passando provação de pão é porque não está dando o seu tudo para igreja ou não fez a corrente da prosperidade. Em vez de ajudar com pão se faz uma oração repreendendo o devorador e pronto! É o cristianismo que proclama: te vira com teu Deus, se você não tiver bem a culpa é sua, não temos nada a ver com isso.

Jesus deu exemplo de solidariedade em várias passagens do novo testamento. Hoje a igreja evangélica quase não tem modelos de solidariedade, há um individualismo e ainda há mais solidariedade entre os membros do que entre os líderes.

A solidariedade é objeto de aferição de Cristo para separar salvos e perdidos na sua volta (Mt 25:31-46). A solidariedade é parte integrante da verdadeira fé e salvação (vv 35-46), pois ela é um sinal exterior da presença de Cristo no coração de quem sinceramente crer nEle. Fomos nascidos em Cristo Jesus para boas obras. (Ef 2:10 ). Ninguém pode ganhar a salvação mediante seus esforços ou obra. Somos salvos pela a graça mediante a fé (Ef 2:8 ), mas são as obras que mostram nossa fé(Tg 2:17).

Um dos líderes da igreja de Jerusalém escreveu “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não faz, nisso está pecando ( Tg 4:17).

O Criador nos deu de seu Espírito e também autoridade para criar e transformar o caos da vida. Quando vivemos dentro da ética perene de Deus, abrimos caminhos para criar vida, paz, amor, etc... Deus nos usa, quando estamos acima de qualquer legalismo e dentro de seus princípios. A grande tarefa nossa como discípulo de Cristo e líder cristão é “fazer Cristo conhecido através de nossa vida”. Esta tarefa requer que vivamos diante de uma ética de vida que sirva de modelo para os outros. Somos luz e sal, devemos nos submeter a Cristo em todas as áreas da vida. Quando fazemos parte de uma liderança devemos buscar a excelência no cumprimento desta tarefa e refletir constantemente no nosso comportamento. Podemos negar Cristo com nossos atos e fazer com que pessoas que nos têm como exemplo repitam nossos erros. Se nos tornamos líderes gerentes sem o preparo do caráter, em breve estaremos desacreditados pelos escândalos e vivendo um cristianismo sem cristo e sem cruz. As Igrejas fechando por falta de credibilidade do que professa. Pense nisto.

Até próxima semana – Marcos Avelino