domingo, 12 de fevereiro de 2012

Apreensão de marfim é recorde em 2011 com 2.500 animais mortos

O volume de presas de elefantes-africanos apreendidas em 2011 em todo o mundo foi o maior desde 1989, época em que o comércio internacional de marfim foi proibido para evitar a extinção da espécie.

No ano, foram apreendidas 23 toneladas, que equivalem a pelo menos 2.500 animais mortos. Os números foram apresentados na quinta-feira (29) pelo grupo Traffic, que monitora o comércio internacional de animais selvagens, e divulgados pela rede britânica "BBC".

Segundo o grupo, o recorde é reflexo da alta demanda pelo produto na Ásia, associada à sofisticada atuação dos grupos por trás do comércio ilegal. Os principais destinos são China e Tailândia....

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Na foto de 12 de dezembro, oficiais encontram carregamento ilegal de marfim em Kuala Lumpur, na Malásia. ONG afirma que houve aumento no contrabando de marfim, o que significa a elevação no número de mortes de elefantes no continente africano. (Foto: Lai Seng Sin/AP)

 

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/12/2011-20h54

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Brasil: de empresa internacionalizada à uma sociedade biocentrada

Há interpretações clássicas sobre a formação da nação-Brasil. Mas esta do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima é seguramente singular e adequada para entender o Brasil no atual processo de globalização: A Refundação do Brasil: rumo a uma sociedade biocentrada (Rima,São Carlos 2011). Seu ponto de partida é o fato brutal da invasão e expropriação das terras brasileiras pelos “colonizadores” à base da escravidão e da superexploração da natureza.

Não vieram para fundar aqui uma sociedade mas para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira agro-indústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Ela resultou da articulação entre reinos, igrejas e grandes companhias como a das Índias Ocidentais, Orientais, a Holandesa (de Mauricio de Nassau), com navegadores, mercadores, banqueiros, não esquecendo as vanguardas modernas, dotadas de espírito de aventura e de novos sonhos, buscando novos conhecimentos e enriquecimento rápido.

Ocupada a terra, para cá foram trazidas matrizes (cana de açúcar e depois café), tecnologias modernas para a época, capitais e escravos africanos. Todos eram considerados “peças” a serem compradas no mercado e como carvão a ser consumido nos engenhos de açúcar. Com razão afirma Souza Lima: ”o resultado foi o surgimento de uma formação social original e desconhecida pela humanidade até aquele momento, criada unicamente para servir à economia; no Brasil nasceu o que se pode chamar de ‘formação social empresarial”.

A modernidade no sentido da utilização da razão produtivista, da vontade de acumulação ilimitada e da exploração sistemática da natureza, da criação de vastas populações excluídas, nasceu no Brasil e na America Latina. O Brasil, neste sentido, é novo e moderno desde suas origens.

A Europa só pôde fazer a sua revolução, chamada de modernidade, com seu direito e instituições democráticas, porque foi sustentada pela rapinagem brutal feita nas colônias. Com a independência política do Brasil, a formação social empresarial não mudou sua natureza. Todos os impulsos de desenvolvimento ocorridos ao longo de nossa história, não conseguiram diluir o caráter dependente e associado que resulta da natureza empresarial de nossa conformação social. A tendência do capital mundial global ainda hoje é tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities para o mercado mundial, sem ou com parca tecnologia e valor agregado.

A empresa Brasil é a categoria-chave, segundo Souza Lima, para se entender a formação histórica do Brasil e o lugar que lhe é assinalado no processo atual de globalização desigual.

O desafio consiste em gestar um outro software social que nos seja adequado, que nos desenhe um futuro diferente. A inspiração vem de algo bem nosso: a cultura brasileira. Ela foi elaborada pelos escravos e seus descendentes, pelos indígenas que restaram, pelos mamelucos, pelos filhos e filhas da pobreza e da mestiçagem. Gestaram algo singular, não desejado pelos donos do poder que sempre os desprezaram e nunca os reconheceram como sujeitos e filhos e filhas de Deus.

O que se trata agora é refundar o Brasil, “construir, pela primeira vez, uma sociedade humana neste território imenso e belo; é habitá-lo, pela primeira vez, por uma sociedade humana de verdade, o que nunca ocorreu em toda a era moderna, desde que o Brasil foi fundado como uma empresa; fundar uma sociedade é o único objetivo capaz de salvar nosso povo”.Trata-se de passar do Brasil como Estado economicamente internacionalizado para o Brasil como sociedade biocentrada.

Ao refundar-se como sociedade humana biocentrada, o povo brasileiro deixará para trás a modernidade apodrecida pela injustiça e pela ganância e que está conduzindo a humanidade para um abismo. Não obstante, esta modernidade entre nós, bem ou mal, nos ajudou a forjar uma infra-estrutura material que pode permitir a construção de uma biocivilização que ama a vida em todas as suas formas, que convive pacificamente com as diferenças, dotada de incrível capacidade de integrar e de sintetizar os mais diferentes dados e valores.

É neste contexto que Souza Lima associa a refundação do Brasil às promessas de um mundo novo que deve suceder a este que está agonizando, incapaz de projetar qualquer horizonte de esperança para a humanidade. O Brasil poderá ser um nicho gerador de novos sonhos e da possibilidade real de realizá-los em harmonia com a Mãe Terra e aberto a todos os povos.

Leonardo Boff 04/02/2012

Leonardo Boff é autor de “Depois de 500 anos, que Brasil queremos, Vozes, Petropolis 2000.

fonte:http://leonardoboff.wordpress.com/

Morte nas trincas da competência

Ricardo Gondim

Na passarela do Miss Universo, beleza depende de uma polegada. No estádio, centésimos definem o campeão. Para cada vaga na melhor faculdade, centenas ficam de fora. O robô virou dragão que rouba emprego na linha de montagem. As regras se tornaram claras: não há espaço para quem não tem competência ou excelência.

As exigências estão cada vez maiores. Para se manter na superfície, é preciso mostrar-se excepcional. Não basta capacidade intelectual. Com a cibernética, só superdotados têm vez. Todo mundo já conhece a definição do nerd: jovem austero, grave, que não conhece outra vida senão estudar – encarnação do gênio de óculos grossos e engordurados.

A prosaica lenda da cigarra e da formiga voltou a estruturar o imaginário popular. Brincar ou passar fome. O futuro pertence às formigas operárias e não às cigarras cantoras.

Lucidez filosófica e integridade vocacional foram substituídas por “Pensamento Estratégico”. Esqueça-se “Quociente de Inteligência”. As versões cult de “Inteligência Emocional” ficaram para trás. Passa a valer “Inteligência de Risco” – capacidade de manobrar e apostar nos voláteis cassinos financeiros. Prodígio é quem sabe transformar tempo em dinheiro e afeto em lucro. Apareceu um novo tipo de genialidade: moças e rapazes bem dotados, com tirocínio para ganhar bilhões de dólares; basta-lhes uma ideia na cabeça; nem precisam de martelo, foice, trator ou alicate na mão.

A internet não aplainou o mundo, abriu espaço para que entrem os antenados e conectados. Para estes, a rede tem tudo. Sites, blogs, ferramentas de busca, aplicativos e GPS comunicam, informam, orientam. Negócios, conspirações, namoros, casamentos e até suicídios acontecem online.

Muitas vezes alheia à concretude humana, a internet também criou uma “raça de impolutos”, de inoxidáveis. Nas redes sociais todos riem, se descrevem servos e servas de Deus, amantes da vida e, claro, sinceros. Rugas desaparecem nos avatares, devidamente maquiados no photoshop.

Infelizmente, mesmo encantada consigo mesma, essa geração demonstra pouca alegria. A vida só tem graça nas imagens digitalizadas. O leque de cores é infinito. A possibilidade de ser feliz se transferiu para o espaço binário.

Espiritualidade ganhou novos contornos. O deus do ineditismo tecnológico tem o seu altar. Produtos são lançados em reuniões que parecem um culto. Catedrais se erguem para celebrar a transcendência que só os computadores podem dar. O Paraíso já vem com a maçã mordida.

Respira-se uma nova liberdade. A democracia virtual abriu espaço para todo tipo de gente. Poetas e censores se encontram. Mercenários e militantes se conhecem. Milhões se sentem motivados a escrever em blogs. Autoproclamados especialistas surgem por todos os lados. Enaltecer ou esculhambar ficou fácil. Gente ávida por fama passa horas procurando maneiras de se projetar em cima dos outros. Heróis de araque, covardes em qualquer embate tête-à-tête, vociferam zelo. Analfabetos funcionais, que nunca leram um livro, acham-se capazes de criticar poetas de primeira grandeza. (Chico Buarque riu – para mim, um riso nervoso – , mas eu me assustei com os comentários ácidos sobre sua obra).

Sem saudosismo, sem querer estancar o curso da história, acredito possível humanizar a internet – antes que se transforme no novo ópio da humanidade. Ainda dá para fugir de idealizações, triunfalismos e bravatas, típicos de quem se esconde atrás da tela. Aterrissemos e vamos encarar a miséria como insulto, a guerra como anacronismo e o trabalho infantil como maldição.

Minha esperança se sustenta na tênue percepção de que um dia, enfatuados compower-points bonitinhos, vamos desejar botar os pés no chão. Por enquanto, dá para pedir: -Por favor, não deixemos a vida se esvair pelas trincas da competência.

Soli Deo Gloria

fonte: www.ricardogondim.com.br

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A ÚLTIMA CHUVA

A caatinga no período de estiagem apresenta uma paisagem desoladora. O sol escaldante faz o céu parecer bronze. Os gravetos sem folhagem nenhuma da um ar sinistro a vegetação. Quando algum vento sopra, da terra esturricada apenas o pó levanta parecendo o cenário de “ o livro de Eli”. Apenas alguns juazeiros , que por terem raízes profundas, exibem o verde como oásis neste deserto.

Após as primeiras chuvas, a vida renasce como de encanto. As plantas vicejam como a terra agradecesse ao Criador pela a dádiva recebida. A natureza reage trazendo a existência o que de esplêndido estava distante. As flores nascem coroando de vida a caatinga, trazendo borboletas e outros insetos que ajudam a distribuir esta vida polinizando rapidamente, porque este ciclo de existência é curto.

A nossa vida também passa por estiagem existencial, espiritual e afetiva. Algumas vezes não temos raízes profundas como o juazeiro para suportar os embates de momentos difíceis e permanecemos em estado latente, esperando de alguma maneira que Deus mande chuva.

Deus vai mandar a última chuva para toda humanidade que espera por esta temporã. Já vejo o céu carregado e escuto o sussurro do vento avisando que vai chover! Devemos aproveitar como a caatinga, e reagir com toda força do nosso ser deixando que flores brote do fundo da alma gerando vida. Não importa o tamanho da raiz, não temos tempos para aprofundá-las. O ciclo é muito curto e esta decisão vale a eternidade!

Marcos Avelino

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PORTO SEGURO

Pensei que os dias vividos sob o sol e sobre o mar me dava experiência de marujo necessária para enfrentar os mares bravios e as águas tempestuosas. Resolvi então deixar o porto seguro e navegar rumo as índias dos meus desejos mais íntimos. A bússola de minha intelectualidade era o único instrumento náutico que me guiava pelas enseadas da vida. Eu tinha que dobrar o cabo das tormentas, mas minhas velas existenciais não puderam suportar as procelas da vergonha e do fracasso. Minha nau encalhou avariada numa praia deserta.

Agora algemado a areia, numa prisão sem fim, vivo momentos de nostalgia e melancolia. O tempo passa... Estou perdendo o precioso milagre de navegar. Como os antigos navegantes penso “navegar é preciso, viver não é preciso”. Como é tenebrosa esta inércia, como anseio ouvir novamente o barulho das ondas sobre meu bojo! Qual a serventia da nau se não for navegar?

Somos frágeis quando estamos presos e não podemos mais alçar grandes sonhos. Sentimos tão pequenos quando não podemos ser alcançados pela solidariedade dos amigos, pois nossas escolhas nos levaram a uma praia deserta numa ilha longínqua. Como é duro sentir as lamentações da alma gritando angustiada e solitária por ajuda!

Talvez quando eu voltar ao porto seguro me sinta como um pai que abandonou a família, e depois de anos volta quando os filhos já estão crescidos. Talvez eu morra ressecado pelo o sol e pelo o vento, sentindo a dura terra sob o meu bojo e jamais volte, e minha memória seja olvidada e o que ensinei seja esquecido.

Nas noites escuras, no topo do mastro, ainda posso ver a remota luz do farol que guia os navegantes. Isso me traz esperança, não posso perder de vista a luz deste farol e nem deixar de ser guiado por Ele. Então surge a força para renascer dos escombros da minha história.

Vou preparar a quimanga, construir nova fateixa e levar poita suficiente para ancorar em mares profundos. Porque em breve Iashua Hamashia poderá mandar uma maré alta que erguerá o meu barco, e então poderei navegar novamente. Poderei abrir minhas velas para infinitas viagens, deixando que o vento do Espírito sopre sobre ela. E quando a minha fragilidade for exposta, quando a culpa do fracasso cair sobre mim, quando meus defeitos forem jogados em rosto e minha alma vagar solitária, eu possa voltar ao porto seguro para reestruturação e restauração.

Marcos Avelino

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

REVERÊNCIA AO DESTINO

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer “oi” ou “como vai?”
Difícil é dizer “adeus”. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho. Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

IF...

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;


If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;


If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";


If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man my son!



Rudyard Kipling