domingo, 8 de junho de 2014

PRESCIÊNCIA DETERMINA A PREDESTINAÇÃO

Por Dave Hunt
 
Se for para crer que Deus predestinou algumas pessoas a ir para o inferno, então devemos também acreditar que Ele predestinou Adão e Eva deveriam pecar e, portanto, predestinou todo o mal que se seguiu. Isso é totalmente ilógico e absurdo. O calvinista rigoroso diz que somos totalmente depravados e não podemos escolher se vamos receber a Cristo ou não. No entanto, esse argumento não se aplica a Adão e Eva, pois eles foram criados na inocência. Se hoje, como nós, eles pudessem escolher apenas o mal, então a recomendação de Deus para que não comecem do fruto proibido (como também seu apelo para que venhamos a Cristo) é uma farsa.
 
A rebelião das criaturas no jardim do Éden, que até aquele momento eram inocentes e viviam em um ambiente perfeito, pode apenas ter sido o resultado do desejo que tinham de opor-se ao desejo de Deus. E se essa não fosse uma escolha genuína, então o pecado não poderia ter entrado no mundo por aquele ato, uma vez que eles já deveriam ser pecadores.
 
É verdade, Deus previu que Adão e Eva se rebelariam e Ele tinha conhecimento de todo o mal que se seguiria. Portanto, ele providenciou para que todo pecado e todo pecador fosse perdoado por meio de Cristo mesmo antes de Ele ter criado o mundo (Ap. 13:8). Mas Ele não predestinou o mal que se iniciou no Éden e que permeia o mundo! Se Ele assim o fizesse, então todas as violações, assassinatos, ódios e ciumes que já ocorreram na história e continuam ocorrendo até hoje existiriam porque Deus assim predestinou. Mais uma vez, isso é totalmente inconsistente com o caráter de Deus, conforme revelado em sua Palavra.
 
Romanos 8: 29-30 declara: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou (…) chamou (…) justificou (…) glorificou”. Deus, de forma clara, certificou-se de que o evangelho seria apresentado a todos que Ele sabia que creriam em sua Palavra. Portanto, a presciência é a chave da predestinação. Os calvinistas rigorosos objetam de que o fazer a escolha “é fundamentado em uma ação e a salvação não depende delas”. Entretanto, o fato de um homem escolher aceitar o perdão que Deus oferece em Cristo não constitui uma ação humana. Se um homem que estiver se afogando, impotente para salvar a si mesmo, aceitar uma ajuda de resgate, será que ele, desse modo, teria feito alguma coisa para salvar a si mesmo? Será que ele poderia dizer que foi salvo pelas suas próprias ações? Será que ele poderia se orgulhar (conforme alguns sugerem em relação àqueles que receberam a Cristo por um ato de sua própria vontade) de que seu resgate do afogamento ocorreu porque era “bastante esperto, bastante amoroso, bastante sábio, bastante justo ou bastante qualquer outra coisa”...? é claro que não.
 
A salvação é toda de Deus e toda pela graça. Aqueles que a aceitam não têm nada a ganhar. Na verdade, um pecador, para ser salvo, deve confessar sua total indignidade e inabilidade para merecer ou ganhar a salvação. Ele deve simplesmente recebê-la como um dom gratuito da graça de Deus.
 
Um dom incorpora dois elementos essenciais: (1) a doação desse dom; e (2) a recepção dele. Ninguém pode dar um dom a alguém a menos que a pessoa esteja disposta a recebê-lo. Deus não impõe a si mesmo nem a sua graça a ninguém. Devemos, deliberadamente e de boa vontade, receber o dom da salvação. Essa é a razão pela qual o evangelho é pregado, e para a pessoa ser salva, precisa acreditar nele.
 
 

Extraído de HUNT, Dave. Em Defesa da Fé Cristã – Respostas a perguntas difíceis. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 304-306.

 
 

terça-feira, 27 de maio de 2014

JUSTIFICAÇÃO, REGENERAÇÃO, SANTIFICAÇÃO E GLORIFICAÇÃO


O homem antes de manter contato com a palavra de Deus e aceitar a Cristo é dicotômico, possui um corpo e uma parte espiritual contendo duas substância: uma alma que sente e recorda, e um espírito que tem consciência e possui conhecimento de Deus. Quando esse homem entra em contato com a palavra de Deus e O aceita, o espírito é regenerado e o homem passa a ser tricotômico, porque a palavra de Deus separa a alma do espírito, conforme o que está escrito em Hb 4:12. Três elementos essenciais forma agora o homem nascido de novo: um espírito, imortal que tem vontade e consciência, uma alma e um corpo. O apóstolo Paulo em I Ts 5:23 fala em sua oração da santificação do espírito, alma e corpo.

No momento da salvação o espírito é regenerado e justificado isso inclui nova vida em Cristo, reconciliação com Deus,  perdão de pecados através do sacrifício de Jesus, e a declaração de Deus tornando-o justo. A alma passa pelo processo de santificação através da  transformação à semelhança de Cristo e como consequência o corpo será glorificado no futuro.

A justificação é Deus como juiz declarando o homem justo. O Antigo testamento utiliza duas formas diferentes do mesmo termo hebraico (hidsdik e tsiddek) para expressar o conceito de justificação. Esses termos, exceto em algumas passagens, não indicam mudança moral operada por Deus no homem, mas regularmente designam uma declaração divina a respeito do homem. Transmitem a ideia de que Deus, em sua qualidade de juiz, declara o homem justo. (Dt 25:1 Pv 17:15; Is 5:3 Sl 143:2)  O Termo do Novo testamento (diikaio-o) tem o mesmo significado, isto é, declarar justo. (Rm 3:20-28 4:5-7 Gl 2:16; 3:11 5:4 II Co 5:19). Entende-se que o termo "justificar" não significa tornar o homem justo mas declarar justo.

Portanto por justificação entende-se o ato pelo qual Deus declara posicionalmente justa a pessoa que a Ele se chega através da pessoa de Jesus Cristo. Esta justificação envolve dois atos: o cancelamento da dívida do pecado na conta do pecador, e o lançamento da justiça de Cristo em seu lugar. Tornando-se mais claro: Justificação não é aquilo que o homem é ou tem em si mesmo, mas aquilo que o próprio Cristo é e faz na vida do crente.

"Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciarão pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
"  Rm 3 :24-26

Não se deve confundir Justificação com regeneração. A regeneração é obra sobrenatural e instantânea de Deus que outorga nova vida ao pecador que aceita a Cristo como seu salvador pessoal. Através desse milagre, o pecador é ressuscitado da morte (do pecado) para a vida (na justiça de Cristo)

Esta nova vida é a natureza divina que passa a habitar no crente, mediante o poder do espírito Santo. (Tt 3:5; Jo 1:12-13) Sem essa miraculosa transformação espiritual, o pecador arrependido permaneceria morto na sua natureza pecaminosa e incapaz de conhecer a Deus num relacionamento pessoal. (Ef 2:1 Rm 8:7)

A justificação tem um lugar fora de nós , junto ao trono de Deus, onde Ele nos declara justos. É pois coisa objetiva . A regeneração é obra divina operada em nosso interior. É  por isso, subjetiva.

Frelingh afirma que A justificação é o veredito de Deus e a regeneração é uma experiência humana. A justificação é o que Deus fez por nós ; a regeneração e o que Deus faz em nós. A justificação muda a nossa posição, ou situação; a regeneração tem a ver com o nosso estado. A justificação muda nosso estado para com Deus; já a regeneração muda a nossa natureza.

A santificação é obra da graça pelo qual o crente é separado do ego e da pecaminosidade interior, e , pela concessão do Espírito santo, separado para a santidade e o serviço de Deus. A santificação tem início com a regeneração quando Deus liberta o homem do pecado e opera o desejo de ser semelhante a Cristo. O Breve Catecismo de Westminster na página 35 afirma que a Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão.

A glorificação será a salvação da presença do pecado em nossa vida. Na glorificação, a salvação envolverá o corpo físico, então glorificado. Estaremos ressuscitados. Estaremos no Céu (Rm 13:11; 2Co 5:2,4; Fp 2:12 e Hb 9:2). Será redenção do corpo (Rm 8:23).

 

Em resumo poderíamos dizer que a salvação, obra da graça de Deus vista na experiência humana, ela tem três tempos: no passado, justificação; no presente, santificação; no futuro, glorificação. "A justificação é um ato instantâneo; santificação é um processo; regeneração é nascimento, santificação é crescimento; transformação progressiva efetuada pelo Espírito Santo na vida daqueles que confiam em Cristo."

 

Até Breve.

Marcos Avelino

 

Fonte de Consulta

OLIVEIRA, Raimundo, soteriologia, ler As grandes doutrinas da bíblia, CPAD, Rio de janeiro, 1987 v./ pp.225-235

FRELINGH, H.M. Os oito Pilares da Salvação,. Betânia, Belo Horizonte,MG, 1968 v./ pp.94

Eliseu Pereira - lição 20 - Doutrina da Santificação -  http://www.ebdonline.com.br/cursos/fundamentos20.htm

domingo, 11 de maio de 2014

A INFLUENCIA DE AGOSTINHO NA IGREJA REFORMADA

Talvez, muitos dos leitores ficaram perplexo em saber que a igreja reformada perseguiu os Cristãos que não tinham a mesma cosmovisão da igreja estatal (Postagem do dia 15 de Abril de 2014). Protestante perseguindo protestante! Talvez o leitor pergunte: Como isso aconteceu?

Na postagem anterior falei da influencia de Agostinho na ICAR (Igreja Católica e Apostólica Romana) e como ele instigou a perseguição. Na Postagem de hoje vamos refletir sobre a influencia de Agostinho na  igreja reformada, principalmente no Calvinismo e Luteranismo.

Abaixo transcrevo parte do discurso de Dave Hunt falando sobre o assunto. (Dave Hunt estava na Inglaterra falando a respeito de seu Livro: What Love Is This?: Calvinism's Misrepresentation of God -Que Amor é Esse?: Calvinismo uma falsa representação de Deus)

Agora, o Calvinismo vem de Agostinho. Todo o calvinista reconhece isso. Calvino cita Agostinho nas suas Institutas (dessa grossura, que eu li cuidadosamente) mais de 400 vezes, usando frases como "pela autoridade de Agostinho". Spugeon disse: "Calvino (Isto é, o Calvinismo) deriva principalmente dos escritos de Agostinho". João Calvino diz: "Agostinho está tão inteiramente comigo, que se eu quisesse escrever uma confissão de minha fé, eu poderia fazê-lo a partir de seus escritos, com toda completude e satisfação".
Eu cito vários calvinistas no livro e um atrás do outro diz... Bem R. C. Sproul diz: "Agostiniano é atualmente chamado Calvinismo ou Teologia reformada". Eles todos admitem que João Calvino não é o criador do Calvinismo, mas que ele tirou esta doutrina de Agostinho, e Agostinho foi o primeiro a ter essas ideias.
Bem quem foi Agostinho? Alguns de vocês devem saber que ele é um dos quatro.... Bem, temos alguns católicos aqui que devem saber... Ele é um dos quatros doutrinadores da Igreja; ele tem um dia santo, 28 de agosto, o dia de sua morte; em 1986, o Papa celebrou os 1600 anos de sua conversão... e citou algo que Agostinho disse, "Eu não creria no Evangelho se não tivesse sido movido pela autoridade da Igreja". Um apologista católico citou isso para mim, para confirmar a autoridade da Igreja Católica. "É daqui que vem a autoridade!"
Sir Robert Anderson, outro britânico, disse: "A Igreja Católica Romana foi moldada por Agostinho na forma que tem mantido até hoje. Todos os erros, que se desenvolveram nos séculos seguintes nos ensinos da igreja , praticamente se pode encontrar em forma de embrião nos seus escritos". Mas entre elas você teria: batismo infantil para salvação; a necessidade de batismo para a salvação; salvação só pode ser encontrada na igreja, em seus sacramentos, e perseguição de tudo que rejeitasse esse ensinamento; aceitação dos apócrifos; interpretação alegórica da Bíblia (você não leva a sério os dois capítulos de Gênesis! É apenas alegoria! E eles alegorizaram muito mais). Tudo isso veio de Agostinho. Ele também rejeitou o Milênio, o Reino literal de Cristo sobre Terra -na verdade nós não estamos no Milênio! Você lê isso no livro "Cidade de Deus" . O diabo está preso atualmente, caso você não tenha notado. E a Igreja esta no processo de conquistar o mundo. Sabe, essas coisas, o Reino, o ensino do domínio que está no meio dos carismáticos... Tudo vem de Agostinho e é bastante católico!
O historiador Philip Schaff chama Agostinho de o "o primeiro católico romano verdadeiro" e "o principal criador teológico do sistema latino-católico , em contraposição ao Protestantismo evangélico".
Deixe-me citar Jonh Piper (posso achar rapidamente aqui). Jonh piper diz... Isso é chocante... Um dos meus capítulos é chamado "A chocante", na verdade acho que não é "chocante",... é A surpreendente conexão com o catolicismo Romano". Ouça o que diz Piper, e todos concordam com isso: " O texto-padrão teológico de onde beberam Calvino e Lutero foi 'Sentenças", de Pedro Lombardo. 90% desse livro consiste em citações de Agostinho.
Lutero era um monge agostiniano, e Calvino mergulhou nos escritos de Agostinho, como podemos ver  no crescente uso de escritos agostinianos em cada nova edição das 'Institutas' (...)
Paradoxalmente, um dos mais estimados pais da Igreja Católica Romana foi quem 'nos deu a Reforma'". Oh! Não é maravilhoso? Os dois mais famosos pais da Reforma Protestante, Calvino e Lutero, estavam pesadamente sob a influência de Agostinho, o primeiro católico romano! É chocante não é? Isso explicaria porque Igrejas Reformadas ainda hoje acreditam em batismo infantil para salvação. Isso incluiria a sua igreja aqui também, a Igreja Anglicana, não é mesmo? Não é isso que eles ensinam? Agora temos um problema, as pessoas descobrem que é isso que a Reforma faz em toda a Europa. Encontro essas pessoas o tempo todo. Eles nunca foram salvos. Eles foram batizados,catequizados, confirmados, e eles dizem "Nós participamos da Confirmação porque iríamos ganhar presentes dos nossos parentes!" Pelo menos isso é o que acontece na Europa, na Alemanha e  em outros lugares. E depois eles casam na Igreja, são enterrados na Igreja, mas fora isso, eles nunca aparecem na porta da Igreja. E isso tem posto muitas pessoas contra o Cristianismo. E, veja, se eu tivesse sido batizado quando bebê e aquilo me salvasse ( e isso admitido por luteranos  também, e presbiterianos), então você não deveria pregar o Evangelho para mim! Paulo disse que o Evangelho é poder para salvação de todo aquele que crê, mas por que você quer que eu me salve, se eu já fui regenerado e todos os meus pecados foram perdoados quando eu era  um bebê, no batismo?
Agora temos um erro muito sério. E, na realidade , João Calvino disse que a única forma de saber se você é um dos eleitos é se você  foi batizado quando bebê. Mesmo se foi por padre católico fornicador, ímpio e descrente! E você tem fé no seu batismo.
Sabem, houve pessoas chamadas  "anabatistas", lembram? Eles se batizavam de novo. Eles eram católicos e foram salvos para graça de Deus, acreditando no Evangelho, pela fé em Cristo, e eles disseram que batismo é para os crentes. Felipe disse ao eunuco etíope "Se você crer de todo o coração"? E um bebe não crer, ele sequer compreende! Nós temos que ser batizados agora, como crentes" Mas os anabatistas foram odiados, perseguidos e mortos, não apenas por católicos, mas também por luteranos e calvinistas. Isso não é verdade? E você ainda ver essa animosidade atualmente. Não sei quanto a vocês aqui na Inglaterra, mas conheço a Europa Continental melhor, e uma pessoa que se salva e se converte fora de igreja luterana ou calvinista... Uau!  A família não vai querer aproximação com ela. Não sempre , mas em muitos casos. "Você negou a validade do seu batismo infantil!" E esse é um problema muito, muito sério. Então, temos aqui algo muito impressionante: a conexão com o catolicismo, tanto em Calvino como em Lutero, e o que restou dele nas chamadas igrejas "reformadas" durante o processo de Reforma.
Agostinho foi chamado de "Pai da Inquisição". Ele era um constantiniano. Lembre  que Constantino, o imperador romano, deu liberdade aos cristãos.
Qual é a lógica de perseguir os cristãos. Eles não ficam bêbados, não se rebelam, são honestos, morais, trabalham duro... Por que vocês estão matando? Talvez eles influenciem os outros! Eles são bons cidadãos!
Constantino não era um cristão. Ele continuou a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos; ele continuou a presidir os festivais pagãos, mesmo sendo o Cabeça do Colégio Pontifício; ele não pôs fim aos sacrifícios à deusa Vesta, nem expulsou as Virgens de Vesta; as moedas tinha a imagem do Deus-Sol, e não do Filho de deus; etc.
Constantino somente estava interessado em unir o seu Império, e se você quiser estudar sobre Ecumenismo, leia sobre Constantino. Ele foi o primeiro ecumenista, e convocou o Primeiro Concílio Ecumênico em 325 d.C.: o Concílio de Niceia. Ele o presidiu e moderou os discursos, etc. Ele pensou que, dando liberdade aos cristãos, ele uniria o seu Império. Mas para a sua surpresa, ele descobriu que "esses cristãos são todos divididos, eles não se dão uns com os outros!" E então ele convocou o concílio de Niceia para acertar alguma coisas, e finalmente impôs: "Vocês terão de concordar com isso!" E foi isso que Agostinho fez.
A controvérsia com as donatistas. Lembram-se deles? Eles ficaram desapontados, porque alguns bispos e leigos tinham negado a Cristo sob a perseguição de Diocleciano e de outros para se salvarem e não serem mortos, eles negaram a Cristo, e quando Constantino chega ao poder e dá a eles liberdade na Igreja, porque eles disseram que não tinham negado a Cristo de verdade, "nós continuamos cristãos todo o tempo". E eles foram acolhidos novamente na Igreja. Digo, vocês pode citar Agostinho e ele diz "Se você for a Igreja hoje, verás feiticeiros, astrólogos e seus clientes, outros com amuletos..." Os mesmos pagãos que vão aos festivais de outros deuses estão na Igreja! Agostinho não via problema nisso. Todos devem estar na Igreja. Os donatistas disseram"Não! A Igrejas deve ser dos crentes,  somente dos crentes verdadeiros! E aqueles que negaram a Cristo durante a perseguição terão de se arrepender e serem salvos e batizados de novo!" Agostinho não ficou feliz. Eles queriam uma igreja pura, mas Agostinho dizia que mesmo não querendo matar pessoas, ele concordaria se fosse preciso para trazê-las de volta para dentro da Igreja.
Então agora você pode entender melhor... E eu não sei porque os calvinistas se chateiam quando vou  a Genebra e mostro o que aconteceu lá. Calvino lhe açoitaria! Torturaria! Eles torturaram pessoas! Eles queimaram em estacas mais de 60 pessoas em Genebra durante o governo de Calvino! Haviam policiais que batiam na sua porta porque achavam que havia pratos demais na sua mesa, e prendiam pessoas por terem cabelo compridos demais, etc. Pena de morte para vários crimes:uma criança que xingasse seus pais era decapitada! Assim João Calvino, que força as pessoas a entrarem no céu através da graça irresistível, e que não Se importa que milhões, provavelmente bilhões, fossem para o inferno - na verdade, Ele mesmo as predestinou para isso, e planejou tudo para que eles sequer possam entender o Evangelho, pois não daria a eles a graça para entender e crer... Bem eu acho que isso iria influenciar suas ações, não iria? "Sim, mas todo o mundo fazia assim naquela época... O papa fazia e tudo mais..."
Espere ai! I Jo 2:6 diz "aquele que afirma que permanece n'Ele (Cristo), deve andar como Ele andou"! Não importa em que sociedade você vive, ou época da História. Por acaso a minha vida não deve refletir cristo vivendo em mim?! Mas eu acho que você vê isso em João Calvino "Oh, ele era muito gentil, orava muito, pregava sem descanso...." Ele também torturou aqueles que discordavam  dele, Baniou-os , os açoitou, etc. Bem, isso tudo vem de Agostinho, o "Pai da Inquisição".
 
Marcos Avelino - Até Breve



 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

AGOSTINHO DE HIPONA

A INFLUENCIA DE AGOSTINHO DE HIPONA


Querido leitor, antes de começarmos a explorar a parte teológica, convém analisarmos alguns dados históricos que serão importantes para compreensão de alguns assuntos abordados no futuro.

Principiamos o assunto da soteriologia, fazendo uma explanação básica sobre a doutrina da salvação, depois expomos o pensamento dos dois principais grupos a respeito da salvação, o arminianismo e o calvinismo. Falamos sobre a supremacia do calvinismo nos primeiros séculos pós reforma e mostramos por que isso aconteceu. Em seguida postamos a razão do crescimento arminiano na atualidade e mostramos alguns perigos das derivações tanto do arminianismo como do calvinismo. Na postagem de hoje vamos falar de um dos maiores teólogos da Igreja Católica Romana, que influenciou de modo marcante o pensamento soteriológico do protestantismo.

O assunto de hoje foi tirado de um Título(Livro) em Inglês e traduzido por uma irmã em Cristo, membro da I Igreja Batista de Teresópolis, RJ.

Agostinho de Hipona [herege, pai e defensor das heresias de Roma]


          
Muitos teólogos evangélicos modernos exaltam o Agostinho do Século V; porém, nós o rejeitamos como um herege. Muitos historiadores têm sabiamente observado que Agostinho (354-430) rejeitou a fé do Novo Testamento ao ponto de usar sua vasta influência para a formação da Igreja Católica Romana  (ICAR). Benjamim Warfield disse que “num legítimo sentido”, Agostinho é o fundador da ICAR (Warfield: Calvin and Augustine, p. 22). A própria ICAR reconhece Agostinho como um dos seus principais Doutores da Igreja, tendo-o canonizado como santo.

          Agostinho foi um perseguidor e o pai da geração de perseguidores. “Agostinho de Hipona não apenas se absteve de dar uma base dogmática ao que havia se tornado a prática da Igreja, mas até declarou encontrar validade final à mesma na Escritura: ‘é, realmente, melhor que os homens sejam levados a servir a Deus pela instrução do que pelo medo do castigo, ou pela dor. Mas, como os primeiros meios são melhores que os últimos, estes, portanto, não devem ser negligenciados; muitos devem ser levados de volta ao seu Senhor, como servos maus, pela vara do sofrimento temporal, porque eles alcançam o mais alto grau do desenvolvimento religioso.... O próprio Senhor ordena que os convivas sejam antes convidados e em seguida sejam compelidos à Sua Grande Ceia. ´E Agostinho argumenta que se o Estado não tem o poder de castigar o erro religioso, não poderia punir um crime como assassinato. Corretamente diz Neander sobre o ensino de Agostinho que ele contém o germe de todo o despotismo espiritual, da intolerância e da perseguição, até mesmo ao tribunal da inquisição’  Não foi muito antes, que o último passo foi dado pela doutrina da perseguição da Igreja. Leão, o Grande, o primeiro dos papas, num estrito sentido do termo, retirou a inferência lógica das premissas a ele já providas pelos Pais da Igreja, ao declarar que a morte é a penalidade apropriada para a heresia” (Vedder, “Our New Testament”, pp. 97/98).

          As mais terríveis perseguições foram infligidas aos crentes bíblicos donatistas, mormente por instigação de Agostinho. Os donatistas contendiam por igrejas segundo o Novo Testamento, compostas exclusivamente dos que evidenciavam arrependimento e fé. Eles praticavam uma forma congregacional de governo da igreja. Eles batizavam os que lhes chegavam de igrejas por eles consideradas heréticas, considerando inválido o batismo de homens e igrejas que não seguiam a fé do Novo Testamento. Assim, eles eram rotulados de rebatizadores, mesmo os seus líderes acreditando que havia apenas um batismo, o batismo verdadeiro. O pastor donatista Petilian declarou: “Aquele que me acusa de batizar duas vezes, realmente não foi batizado uma vez. O apóstolo Paulo diz que há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. Este batismo que professamos publicamente é o correto e os que acham que existem dois são insanos” (David Benedict, “History of the Donatists”, 1875, p. 49). Agostinho se opôs a algumas pessoas, argumentando em favor de uma disciplina flexível da Igreja, a qual permitia os pagãos não regenerados e os líderes eclesiásticos imorais, e exigindo que os donatistas se submetessem ao sistema centralizado da Igreja Católica. E como os donatistas se recusaram a se submeter a tais heresias, as autoridades católicas se juntaram aos poderes seculares, a fim de persegui-los. Muitos dos seus próprios líderes eclesiásticos foram condenados à morte e um grande número destes foi forçado ao exílio.  David Benedict, que laborou durante dez anos na história dos donatistas, trabalhando amplamente nos textos latinos, deu este resumo:

          “Os novacianos e os donatistas eram chamados puritanos, porque sustentavam que a igreja visível do Senhor Jesus Cristo não consiste nem deveria consistir senão dos que estão isentos de manchas e quedas e que todos os outros deveriam ser excluídos.  Quando a ICAR estava visivelmente repleta de membros maus, Agostinho teria dito que a disciplina dos donatistas iria dividi-la em milhares de cismas. As reformas da África  do Norte, ao contrário dos reformadores dos últimos tempos, não deixaram sua obra feita pela metade. Tendo repudiado o cabeça da Igreja, que haviam abandonado, eles também repudiaram seus membros, seus batismos, suas ordenanças e todas as suas crenças oficiais; a todos os que lhes chegavam, do antigo corpo, quer fossem bispos, anciãos, diáconos ou membros leigos, era exigido que fossem rebatizados, reordenados e renomeados em sua nova conexão, em suas estações diferentes” (Benedict: “History of the Donatists”, pp. 186/187).

          Embora não concordemos com os donatistas em cada ponto de doutrina ou prática, estamos incluindo este testemunho porque estes cristãos antigos têm sido ignorados e até difamados pelas igrejas históricas.

          Do mesmo modo como outros “Doutores” e ”Pais” da Igreja, Agostinho foi poluído com muitas heresias. Do mesmo modo que Jerônimo, ele foi batizado em Roma, o trono exato da apostasia. Ele adotou alguns dos métodos alegóricos de interpretação da Bíblia, os quais foram encabeçados por Orígenes, tendo redefinido a Igreja e o reino de Deus, com uma aliança político-eclesiástica, neste mundo presente. Ele foi o pai do amilenismoAgostinho foi o primeiro a se aventurar no ensino de que a ICAR, em sua forma empírica, era o reino de Cristo e que o reino Milenar havia começado com aparecimento de Cristo e, portanto, este era um fato consumado”. (Enciclopédia Britânica).

          Agostinho ensinou que a salvação era somente pela graça, porém confundiu o assunto, afirmando que os sacramentos eram os legítimos meios da graça, pervertendo, assim, o Evangelho da Graça de Cristo, interligando as obras à graça. (Berkhof, “The History of Christian Doctrines”,pp. 206-207). Schaff diz que o centro do sistema doutrinário de Agostinho foi a livre graça redentora de Deus em Cristo, OPERANDO ATRAVÉS DA IGREJA VERDADEIRA E HISTÓRICA (Schaff, II, p. 998). Isto é confundir a graça com o sacramentalismo da Igreja.  A verdadeira graça de Jesus Cristo não é canalizada através da Igreja; ela é oferecida diretamente ao pecador através do Senhor Jesus Cristo. Não existe mediador algum entre Cristo e o homem. O erro de Agostinho referente à graça é um dos principais erros do Romanismo.

          Agostinho ensinou também que Maria é imaculada, conferindo-lhe, blasfemamente, o que pertence exclusivamente ao Senhor Jesus Cristo. Ele também ensinou uma forma de purgatório.

          Agostinho é um dos pais da heresia do batismo infantil, tendo ensinado também que o homem é regenerado pelo batismo. Ele afirmou que os bebês não batizados estão perdidos [N.T. Vão para o fictício "limbo"]. “Originalmente, somente os adultos eram batizados; porém, no final do Século II, na África e no Século III, o batismo infantil foi introduzido e no Século IV, ele foi teologicamente apoiado por Agostinho”.  (Armitage: “A History of the Baptists”, I, pp. 216-217). Sobre o batismo infantil, Agostinho declarou pomposamente: “O que nele não crê e acha que não pode ser realizado, é de fato um infiel. (Orchard: “Concise History of the Baptists”, p. 96).

Agostinho proveu a liderança para o Concílio de Mela, em 416, o qual fez esta maligna proclamação: “Quem negar que os infantes recém nascidos  de suas mães devem ser batizados, seja anátema” (David Benedict, “A General History of the Baptist Denomination, I, p. 59).

          Agostinho exaltou a autoridade da “Igreja” acima daquela da Bíblia, dizendo: Eu não acreditaria no Evangelho se não tivesse sido obrigado pela autoridade da Igreja Universal”.

          O conhecido historiador batista Thomas Armitage observa que “Agostinho tornou-se o campeão do eclesiasticismo, do sacerdotalismo e do sacramentalismo, todos distorcidos em monstruosas proporções”.  (Armitage, I, p. 217).

Nota: Este registro sobre Agostinho é um excerto do livro “Rome and the Bible: Tracing a History of the Roman Catholicism and of its Persecution of the Bible and of the Bible Believers”, copyright, 1996, by David Cloud).

Traduzido por Mary Schultze, em 03/05/2010

sábado, 26 de abril de 2014

A EVANGELIZAÇÃO ARMINIANA E CALVINISTA - O PERIGO DE SUAS DERIVAÇÕES

EVANGELIZAÇÃO ARMINIANA E CALVINISTA

Na postagem anterior comentei sobre as razões da predominância do  Calvinismo pós reforma. Nesta vou expor a razão do crescimento do Arminianismo nos últimos dias, que é o esforço evangelístico motivados por suas crenças.

As crenças do Arminianismo, forçam a um maior empenho evangelístico, pois acredita que todo homem embora pecador, ainda é livre para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece através de Jesus. Acreditam que pela pregação do evangelho, o homem no seu estado de pecado pode ser convencido pelo Espírito Santo a decidir-se por Cristo e ser salvo. Deus possibilitou a salvação de todos e que compete ao homem aceitar a redenção que Cristo proporcionou para todos.

O modelo de evangelismo arminiano foi popularizado por Finney e Moody, na segunda metade do século passado, e ainda inspira a evangelização da atualidade. Este evangelismo consiste em organizações de grandes campanhas evangelísticas e muita publicidade para atrair o maior número possível de ouvintes para que esses possam decidir-se publicamente a favor de Cristo. O sucesso numérico deste tipo de evangelismo é a principal causa do esmagador aumento dos arminianos nos dois últimos séculos.

As crenças Calvinistas não gera motivação para evangelização. Pois mesmo se não evangelizarem, os predestinados por Deus desde a fundação do mundo, serão salvos de qualquer modo. Portanto, não há motivação para evangelizar para salvar os que já estão salvos! Tanto os eleitos para salvação como os para a perdição já estão determinados, então qual a urgência em evangelizar?

Os calvinistas acreditam que Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos uma quantidade de pecadores pela sua graça, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles. Então, qual a necessidade de ouvir o evangelho para ser salvo se Deus já escolheu os eleitos? Por que evangelizar todas as pessoas? O Salvo precisa ouvir o evangelho para ser salvo? Enfim, as crenças calvinistas não motiva para evangelização!

 

PERIGOS CAUSADOS PELA DETURPAÇÃO DA EVANGELIZAÇÃO ARMINIANA ORIGINAL

Muitos são contados no rol das denominações arminianas sem passar por uma regeneração. Toda o culto culmina para o apelo final. Nas maiorias das igrejas atuais (não só arminiana), o culto é repleto de atrações tais como: testemunhos; corais; conjuntos; celebridades gospel; peças teatrais. A mensagem é deleitável, e algumas vezes superficial visando tocar os sentimentos dos ouvintes para decidam-se publicamente a favor de Cristo. Respondendo sim ao apelo do pregador, levantando a mão, ou dirigindo-se até a frente, vieram a Cristo. E lhes é assegurado que agora são convertidos. Milhares de pessoas são catalogadas como decididas, e logo recebidas como membros das denominações. Também o número dos que se “desviam” e “abandonam” a fé, e deixam as denominações é expressivo. O nível moral e espiritual dos que resistem é baixíssimo. Esse evangelismo, “o novo evangelho”, observa Packer, “fracassa notavelmente em produzir reverência profunda, arrependimento profundo, humildade profunda, espírito de adoração e preocupação com a situação da igreja”.

Como involução do evangelho arminiano surgiu o evangelho neopentecostal negando quase todos os atributos tradicionais de Deus. Em que a soberania de Deus é cativa ao livre arbítrio do homem. Criaram um "deus" servo, mutável de acordo com a oferta oferecida pela fé. Anulando a presciência de Deus, já que o homem determina pela fé e "deus" tem que realizar. Já ouvi pregador de uma igreja neopentecostal falar: "deus" ou tu abençoa este povo, ou tu não é "deus",ou tu abençoa (financeiramente) este povo ou deixo de ser pastor e vou vender banana na feira". Criaram um "deus" cujo a função principal é satisfazer a vontade do homem em trocas de barganhas da fé. Um "deus" que se você fazer prova financeira da fé, ele cura doenças, traumas psicológicos e derrama bênçãos financeiras.

Isto não é o evangelismo arminiano, mas deriva dele. Assim como muito abusos do calvinismo extremado, e derivado do calvinismo, mais não é o que Calvino pregava. Algumas vezes me pergunto: será João Calvino não era Calvinista?

 

PERIGOS APRESENTADOS PELA EVANGELIZAÇÃO DOS CALVINISTAS EXTREMADOS

Como derivação da ideias de Calvino, temos atualmente em muitos clicos um calvinismo extremado. Na derivação do arminianismo temo um ataque aos atributos de Deus, na derivação do calvinismo vemos uma agressão a natureza imutável de Deus.  O calvinismo extremado  apresenta um "deus" não todo amoroso e coercitivo. Com a expiação limitada, temos a ideia que Deus tem somente amor limitado, no sentido de redentor, Ele ama somente o eleito. Deus não pode ser todo amoroso se não ama a todos! O calvinismo extremado reduz a "essência" de Deus a uma vontade arbitrária. Como consequência deste tipo de evangelismo cria-se um desprezo pelo sofrimento alheio, um endurecimento de coração para causas sociais, pois quem esta sofrendo, provavelmente é um não amado de Deus, ou seja,  um que não esteja na lista da Sua expiação. Por outro lado, os que sentem eleitos se tornam arrogantes, fazendo parte da elite religiosa eleita por Deus. Uma espécie do sacerdote e levita da parábola do bom samaritano.

 

PARA RELEXÃO..

A população evangélica do Brasil hoje é 28% sendo 19% pentecostal com maioria arminiana e 9% tradicional com maioria calvinista. A sociedade brasileira nunca esteve tão entregue à impiedade e perversão quanto hoje. Nunca o evangelho teve tanto individualismo como nestes dias hodiernos. "A influência positiva evangélica no Brasil é inversamente proporcional à expansão do evangelho. Que qualidade de sal é este? Que natureza de luz é esta?" Precisamos reformar a Igreja reformada.

 

Marcos Avelino

Até breve

 

Fonte pesquisada.

Calvinismo – As Antigas Doutrinas da Graça, Editora Os Puritanos, Paulo Anglada

Eleitos, mais livres - uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio, Editota Vida, Norman Geisler

terça-feira, 15 de abril de 2014

A PRINCIPAL CAUSA DA SUPREMACIA DO CALVINISMO PÓS REFORMA

CALVINISMO E ARMINIANISMO

A  discussão arminianisno x calvinismo já dura mais de 450 anos.  Já foram feito incontáveis debates sobre este assunto. As grandes denominações evangélicas do país estão divididas entre estas duas linhas teológicas, sem citar o luteranismo. As igrejas presbiterianas e a maioria das igrejas congregacionais do país são calvinistas. As Assembleias de Deus, as wesleyanas, e boa parte dos Batistas defendem o arminianismo.  Muitos já trocaram de denominações, ou foram "expulsos" por defenderem  outro ramo teológico diferente ao da denominação. Essa polarização, entre arminianismo e calvinismo já gerou atritos entre amigos íntimos, como os servos de Deus John Wesley (arminiano) e George Whitefield (calvinista).

Os calvinistas ficam espantados com o grande crescimento das denominações arminianas neste últimos dois séculos, já que nos primeiros séculos da reforma eles eram a maioria. Eles apontam para o desprezo pela teologia nos dias atuais, mas na realidade, isso tem relação com o controle estatal e repressão a quem não era calvinista nos primeiros séculos pós reforma. Atualmente, com a liberdade religiosa para os países cristãos, você pode escolher ser calvinista ou não, sem medo de punição, prisão ou morte.

A IGREJA HOLANDESA E O SÍNODO DE DORT

Entre os séculos XIV e XV, alguns movimentos com teologia agostiniana começaram a unir empenhos em favor da reformas religiosas nos países baixos.  A partir de 1520, surgiram as primeiras influências luteranas e anabatistas, que enfrentaram intensa repressão por parte das autoridades civis e eclesiásticas. A fé reformada começou a se fazer sentir em 1523, através de contatos do estudioso holandês Hinne Rode com o reformador suiço Ulrico Zuínglio, e no final da década de 1550, já havia se implantado solidamente, principalmente nas regiões de língua francesa ao sul. Muitos neerlandeses foram influenciados por João Calvino em Estrasburgo e  Genebra. Em 1561, o belga Guido de Brès escreveu uma confissão de fé “para os fiéis que estão dispersos por todos os Paises Baixos”. Esse documento, conhecido como Confissão Belga, foi adotado por um sínodo em Antuérpia, em 1566, vindo a se tornar o principal padrão doutrinário dos calvinistas holandeses.

O primeiro sínodo reformado holandês reuniu-se em Turcoing em 1563, mas os dois primeiros sínodos gerais reuniram-se em Wesel (1568) e Emden (1571), ambos fora das fronteiras do país. Este último foi especialmente importante, porque efetivamente uniu todas as congregações em uma Igreja Nacional, adotando três documentos doutrinários: a Confissão Belga, o Catecismo de Genebra (para as igrejas de idioma francês) e o  Catecismo de Heidelberg (para as de língua holandesa).

O nascimento da Igreja Reformada Holandesa coincidiu com um período de intensas lutas entre os neerlandeses e seu soberano, o rei católico espanhol Filipe II. Este havia declarado que preferia morrer cem mortes a ser um rei de hereges. Em 1566, os nacionalistas entraram em guerra contra os espanhóis. No ano seguinte, Filipe enviou o implacável Duque de Alba para destruir a heresia e sufocar a resistência. A ditadura que se seguiu (1567-1573) custou milhares de vidas, mas não conseguiu vencer a rebelião. Sob a liderança de Guilherme de Orange, que abraçou o Calvinismo em 1573, a Holanda declarou a sua independência em 26 de julho de 1581.

Em consequência das lutas político-religiosas, os Paises baixos se subdividiram em três nações: Belgica e Luxemburgo (católico) e Holanda (majoritariamente protestante). Sob o influxo da fé reformada e da recém-conquistada autonomia política, a Holanda se tornou rapidamente uma das nações mais prósperas da Europa, criando um império comercial que se estendeu por todos os continentes. Tornou-se também uma das regiões da Europa marcadas por maior tolerância religiosa, atraindo dissidentes e refugiados de diversos países.

A igreja holandesa aos poucos ia se estatizando e a liberdade religiosa se retraindo. Quando o Reino dos Países Baixos foi criado em 1815, a organização da Igreja Reformada Holandesa, tornou-se mais centralizada do que nunca. A organização da Igreja existente foi varrido pelos regulamentos "impostas pelo novo governo, e a Igreja foi colocada sob o controle real, com seus membros sendo Sínodo pessoalmente nomeados pelo rei, até 1852.

O Sínodo de DORT.

Em 1618, em Dordrecht, Holanda, foi convocado um Sínodo nacional para reunir-se em Dort, a fim de examinar os pontos de vista de Armínius à luz das Escrituras. Como a Holanda era a nação europeia com certa liberdade religiosa,  ainda podia florescer algum pensamento contrário ao dominante calvinismo. Essa convocação foi feita pelos Estados Gerais da Holanda para o dia 13 de novembro de 1618. Constou de 84 membros e 18 representantes seculares. Tinha representantes de 8 países estrangeiros, a maioria onde predominava o calvinismo.

Foi um sínodo estatal, dominado por calvinistas, a maioria dos teólogos era das Igrejas Reformadas da Europa, o Sínodo concluiu que, à luz do ensino claro das Escrituras, esses artigos tinham que ser rejeitados como não bíblicos. Isso foi feito por unanimidade. Não somente isso, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos "remonstrantes" (Discípulos de Jacobus Armínius que fizeram protesto "remonstrance" que consistia de "cinco artigos de fé", baseados nos ensinos de Armínius): Foram tirado de seus cargos, e perderam a  autoridade civil; O governo os exilou do país.

O sínodo decidiu pela rejeição das idéias arminianas , estabelecendo a doutrina reformada em nos cinco pontos, conhecidos como "os cinco pontos do Calvinismo" (veja postagem anterior), pelo fato de Calvino ter sido grande defensor e expositor desse assunto.

Agora pergunto, neste clima haveria  lugar para outra teologia que não fosse a calvinista?

 

A ASSEMBLEIA DE WESTMINSTER

A Assembleia de Westminster  (ou, tradicionalmente, Assembleia dos Divinos de Westminster) foi o concílio convocado, entre 1643 e 1649, para reestruturar a igreja da Inglaterra. Produziu, entre outros documentos, a Confissão de Fé de Westminster e dois catecismos: o Catecismo Maior e o Breve Catecismo.

A Assembleia de Westminster, era uma convocação da Igreja estatal para legislar sobre os assuntos religiosos da Inglaterra. abaixo transcrevo parte do discurso de Dave Hunt falando sobre o assunto. (Dave Hunt estava na Inglaterra falando a respeito de seu Livro: What Love Is This?: Calvinism's Misrepresentation of God -Que Amor é Esse?: Calvinismo uma falsa representação de Deus)

(...) Assembleia de Westminster, a confissão de fé de Westminster, bem  aqui na Inglaterra, ou o Sínodo de Dort, em Dordrecht, Holanda". Bem, na realidade, aquela era uma Igreja estatal. E, deixe-me citar alguns historiadores sobre o assunto para vocês.

"Em 1643..." eu estou citando G. T. Bettany...  "Em 1643, a Assembléia dos Divinos de Westminster foi convocada pelo  palarmento para reformar a Igreja da Inlatrerra", Agora você tem um Parlamento no comando! Eu não sei se você iria querer o Parlamento reformando sua igreja evangélica hoje. O Parlamento pagou os salários e as despesas desse pessoal. Ele continua falando que "milhares de episcopais perderam seus direitos e benefícios eclesiásticos, e surgiram várias vagas ao ponto de não poderem ser preenchidas". E os presbiterianos predominaram no Parlamento, e em 1648 mostraram sua continua intolerância através de um decreto de que todo aquele que negasse Deus, ou a Trindade, ou a Expiação, ou os Livros Canônicos, ou a Ressurreição dos Mortos, ou o julgamento Final deveriam sofrer pena de morte, como um assassino, sem o benefício de um advogado. Eles catalogaram heresias de segunda classe como merecedoras da pena de prisão".

Em outras palavras, essa era uma Igreja estatal, e eles forçavam-na em todos. E se você não concordasse com eles, era expulso, e em alguns casos morto, e em muitos outros, preso.

 Agora outro historiador, que diz: "A Assembleia de Westminster foi convocada e financiada pelo Parlamento, e foi controlada por presbiterianos. Batista e independentes foram excluídos. De fato, Batistas e independentes foram considerados como "inimigos mortais da igreja estatal". A intolerância a qualquer crença que não fosse o Calvinismo era chamada por líderes da Assembleia de ....' a última e mais fortes amarra de Satanás'". Uau! A Assembleia estava determinada a forçar o ramo de sua religião sobre toda a população". Isso aconteceu aqui na Inglaterra.

Agora, vocês também têm um homem maravilhoso, " As Cartas de Samuel Rutherford", creio que muitos de vocês leram... Digo, é tão bonito! Historiadores o descrevem como um "homem gracioso de Deus". Porém por causa de suas crenças calvinistas, "ele negou totalmente os princípios morais de tolerância religiosa, soando como os Papas e o Vaticano que ele rejeitava" e afirmou: "há apenas uma Igreja verdadeira, e todos que estão fora dela são hereges e devem ser destruídos".  É isso que o Calvinismo faz a um homem piedoso, amoroso e gracioso?

"Roger Williams, um dos defensores da liberdade religiosa mais conhecidos no seu tempo, publicou um protesto intitulado 'A Doutrina Sangrenta  da Perseguição pela Causa da Consciência' e fugiu da Inglaterra para os EUA, onde foi maltratados pelos  puritanos. Na Inglaterra, a Assembleia de Westminster determinou que seu livro fosse publicamente queimado.

Em 1648, os presbiterianos obtiveram êxito em decretar a lei da mordaça para punir os batistas como blasfemos e hereges". Eu acho bem irônico que vários batistas hoje são Calvinista! "Sob aquela lei infame, 400 batistas foram lançados na prisão. De fato, dissidentes sofreram perseguição e foram presos por muitos anos".

Bem, todos vocês sabem o que aconteceu sob o reinado de Maria, a Sanguinária: a perseguição e morte de mais de 400 evangélicos queimados em estacas, por negarem a transubstanciação. Mas talvez muitos de vocês não conheciam esta perseguição feita pelo calvinistas. "Protestantes sofrendo nas mãos de protestantes por não serem Calvinitas. Aproximadamente 30 anos antes, a petição 'A mais humilde súplica de muitos súditos leais à sua Majestade o Rei que são perseguidos apenas por discordarem de uma religião contrária aos testemunhos humano e divinos'...", esse foi o título que ele deu à sua carta escrita na prisão. Ouça o que ele diz:"Nossas misérias são anos de prisão longas e prolongadas em muitas regiões da Inglaterra, nas quais muitos morreram e deixaram viúvas e muitas crianças pequenas; levaram nossos bens, não por traição a Vossa Majestade, nem por terem feridos algum homem, mas porque ousamos não consentir, e nem praticar durante os cultas a Deus, coisas nas quais não cremos, porque é pecado contra o altíssimo".
Não era os católicos que estavam perseguido: aquela era a Inglaterra Protestante. Eles foram perseguidos por não abraçarem o Calvinismo. Bem, você pode dizer que (...)

Portanto, a falta de liberdade religiosa para escolher aquilo em que acredita como verdade, foi a razão do domínio do calvinismo nos dois primeiros séculos pós reforma.

Fonte de pesquisa:
Discurso de Dave Hunt na Inglaterra falando a respeito de seu Livro: What Love Is This?: Calvinism's Misrepresentation of God .

 Wikipédia - Igreja Reformada Neerlandesa.


Até breve!

Marcos Avelino.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

CALVINISMO X ARMINIANISMO

OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO E DO ARMINIANISMO

Caro leitor, a partir deste momento, vamos a cada postagem comparar dois pensamentos acerca da teologia sistemática, o Calvinismo e o Arminianismo. O Calvinismo e o Arminianismo são dois sistemas teológicos que tentam explicar a relação entre o Fatalismo e a Predestinação, a soberania de Deus e a responsabilidade humana em relação à salvação.

O termo Calvinismo é dado ao sistema teológico exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). O Arminianismo recebeu este nome por causa de Jacobus Arminius, teólogo holandês que viveu de 1560 a 1609 e resolveu refutar o Calvinismo. Tanto o Calvinismo e o Arminianismo podem ser resumidos em cinco pontos. Veja na tabela abaixo.

CALVINISMO
ARMINIANISMO
Depravação total - Todos os homens nascem totalmente depravados e contaminados pelo pecado, e por isso, são incapazes de vir a Deus por iniciativa própria
Depravação parcial -  Toda a humanidade está contaminado pelo pecado, mas não ao ponto de fazer que os homens sejam incapazes de colocar sua fé em Deus por iniciativa própria
Eleição incondicional - Deus elege pessoas para a salvação baseado inteiramente em Sua vontade, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé própria à pessoa.
Eleição condicional - Deus elege pessoas para a salvação baseado em sua pré-ciência de quem crerá em Cristo para a salvação
Expiação limitada - Jesus morreu apenas pelos eleitos.
Expiação ilimitada - Jesus morreu por todos os homens e não somente pelos eleitos, mas que Sua morte não tem efeito enquanto a pessoa não crê.
Graça irresistível - A graça de Deus é irresistível para os predestinados, o Espírito de Deus os convence gerando fé para salvação.
Graça resistível - Deus chama a todos para a salvação, mas muitas pessoas resistem e rejeitam este chamado.
Perseverança dos santos - O eleito por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. Nenhum perderá a salvação.
Salvação condicional - Um crente em Cristo pode, por seu livre arbítrio, se desviar de Cristo e, assim, perder a salvação
 
 
 
 
 
 

Primeiramente, vamos levantar dados históricos do surgimento da cosmovisão Calvinista e Arminiana até o concílio de DORT em 1619 na Holanda.

Até em breve

Marcos Avelino.