sexta-feira, 16 de abril de 2010

DITADURA FRIA parte II

 

Na Idade média o pensar era teocêntrico onde a verdade se baseava em reflexões teológicas e dogmas da igreja. O poder religioso era tutor do estado, da ciência e regulador social. Este poder instrumentalizava os miseráveis com a idéia de ser pobre era uma virtude que seria galardoada lá no céu. A ciência não podia contrariar a fé. Era uma ditadura que impedia a ascensão social. Esta sociedade dividia em nobreza, clero e camponeses (plebe). A economia era feudal.

Uma sucessão de fatos históricos veio a romper com esta ditadura. A luta pela liberdade em todas as áreas começou a clamar nos corações dos homens. Na ciência Nicolau Copérnico propõe com ousadia que o universo era heliocêntrico, contradizendo o poder religioso que afirmava ser geocêntrico. Galileu depois ampliou este conceito afirmando ser o universo extenso com bilhões de estrelas. Mais os alicerces da modernidade foram lançados na renascença quando a humanidade é levada ao centro da realidade e tem as paredes do seu edifício erguido pelo o iluminismo quando o indivíduo é colocado como centro do mundo.

Na modernidade a economia foi impactada com o pensar de Hegel e Marx. Marx criticou a religião de então e com razão. Chegou a fazer afirmações fortes como “ a religião é o ópios das massas” e “Deus é um sedativo para os fracos”. O papel da religião herdada da Idade Média era tornar os pobres subservientes e conformados para que estes não viessem ameaçar o poder dos nobres. A igreja lucrava muito com isso.

A própria religião cristã foi impactada por esta onda de mudanças. Martinho Lutero almejou a liberdade de interpretar as escrituras livremente sem ser manipulado pela Igreja. Este ato motivou a Reforma Protestante. Depois de perseguição e morte a igreja protestante cresceu apoiada pela burguesia, a nova classe social que surgia em oposição ao feudalismo que era apoiado pela igreja católica romana.

O sonho moderno

A cosmologia moderna é marcada pelo racionalismo, otimismo, centralização e universalização de conceitos. A religião revelada da idade média passa a dar lugar a religião natural de seres racionais e autônomos. A pessoa não precisa fazer parte de uma comunidade ou de uma religião para existir. A máxima de Descartes representa bem este período “cogito ergo sum”: “penso logo existo” ou “Dubito, ergo cogito, ergo sum”: "Eu duvido, logo penso, logo existo"

O racionalismo fazia crê que o conhecimento é exato e objetivo e que toda pessoa deveria controlar racionalmente sua existência. A própria fé deveria ser aprovada pela razão. A vida humana seria melhorada pela ciência e pelo progresso tecnológico.

Um grande otimismo contribuiu para cosmovisão moderna. Acreditava que a ciência associada a educação era o meio para a libertação social. A razão e a ciência eram as ferramentas que o ser humano precisava para vencer suas limitações. A humanidade criativa e o progresso tecnológico resolveriam os problemas do ser humano e revelaria os segredos do universo. Acreditava-se que o homem (criatura) poderia resolver os problemas da humanidade sem a interferência do Criador. Nietzsche chegou a levantar a tese da morte de Deus. A relevância de Deus é colocada num contexto racional. Nascia a divisão entre duas formas de religião: a natural e a revelada. A religião natural consistia em verdades fundamentais, como a existência de Deus e as leis universalmente aceitas. A religião revelada consistia em dogmas e doutrinas baseadas na bíblia e que tinham que ser aceitas pela fé.

Com a centralização e a universalização de conceitos, tudo deveria ser aprovado pelo o escrutínio da razão para ter uma aceitação geral. Os conceitos eram universalmente aceitos. Desenvolveu-se o método científico para chegar a resultados racionalmente aceitos.

A religião moderna recorria à razão para aceitar as revelações. A religião natural aos poucos vai sendo vista como religião verdadeira, começa a desfazer-se dos dogmas e das tradições da igreja. A igreja evangélica nasceu na modernidade, quando os dogmas da igreja romana foram rejeitados. Cresceu apoiada pelo o pré-capitalismo burguês. Enquanto a Igreja Romana estava homogeneamente ligada a classe dominante de então a igreja evangélica se aliava a classe emergente.

A crise da modernidade

Uma atitude de exploração e conquista se espalhava nos ideais modernos. Enquanto os filósofos, teólogos e pensadores arrazoavam sobre a morte de Deus, ou sobre a irrelevância de Deus. A humanidade estava matando Deus em sua alma e tornando sua influencia irrelevante em seus atos. Essa atitude de exploração e conquista sem Deus levou a humanidade a primeira guerra mundial. A ciência que estaria a serviço do bem da humanidade agora fabricava aparatos para a guerra. O comunismo defendido por Marx e Hegel virou uma máquina de exterminar vidas por Stalin, A revolução comunista fugiu do ideal da igualdade econômica e levou o estado a se tornar uma máquina de repressão e opressão política.

A modernidade foi marcada pela segunda guerra mundial, mostrando que a ciência era mais usada para destruição em massa do que para o bem estar da humanidade. Hiroshima e Nagasaki foram destruídas por bombas atômicas. A Alemanha que matou Deus nos seus propósitos causou o maior genocídio de toda a história. Seis milhões de Judeus foram exterminados.

Sem Deus não há liberdade.

Muito se tem feito em nome de Deus. Exploração, guerras, cruzadas. Criam-se um deus para cada propósito humano e esquece-se do real propósito de Deus. Na idade média o teocentrismo estava a serviço da aristocracia e do poder, mas Deus estava longe de ser o centro de toda este trama de opressão. Na modernidade o antropocentrismo afastou Deus dos atos humanos acabando em tragédias, ditaduras e repressão. Na modernidade o mundo polarizado (Capitalismo e Socialismo) tem em comum a maneira de ditar e controlar a vida das pessoas. Um tenta controlar pela repressão e o outro pelo o prazer. Nem a religião, nem a política podem expressar a liberdade que encontramos em Deus.

Marcos Avelino – O Marcão

Fonte de pesquisa: Grenz, Stanley J., Pós modernismo, EVN, 1997

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RENOVANDO PARA TRANSFORMAR

E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12:2)

A transformação da sociedade foi resultado de um processo longo e dinâmico através dos séculos, por idéias, inspirações e lutas dos homens. Essa inspiração humana, essa motivação vem de concepções filosóficas que influenciam os fatos históricos e refletem no quotidiano. Quando a sociedade é inspirada por Deus, há justiça, prosperidade e equilíbrio social. Ao contrário há injustiças miséria e desequilíbrio social. Deus pode estar presente nas diversas concepções filosóficas e seu amor pode ser a força geratriz dos atos através da história. A ausência de motivação, de inspiração, de sonhos reflete na ausência de Deus. Essa ausência cogita em violência, exploração, discórdia e intranqüilidade. Para influenciarmos a sociedade onde estamos inseridos é preciso ter uma mente renovada e livre da influencia dos sofismas humanos e da religião. E preciso sinceridade, amor, mansidão e nobreza em nossos atos e deixar que as motivações externas sejam inspiradas em Deus.

Os estímulos externos influenciam o pensamento e o pensamento gera sentimento e o sentimento gera comportamento e o comportamento causa impacto na sociedade. Um pensamento gera uma ação; uma ação repetida gera um hábito; um hábito gera um vício; um vício gera uma natureza. As atrocidades da sociedade são inspiradas pelo ruim. Um tarado que virou estuprador, primeiramente começou a alimenta-se com pensamentos de sexo, que alimentado virou hábito, depois um vício, por conseqüente um comportamento ou natureza de tarado que o levou ao estupro causando impacto na sociedade. Um adolescente viciado em drogas foi influenciado por pensamentos oriundo de pressão de grupo ou falsa onipotência que gerou uma ação, que gerou um hábito, depois um vício e por conseqüente a natureza de viciado em drogas.

Está escrito em provérbios 23:7 que "como o homem imagina em sua alma assim ele é." No salmo 94:11 se ler que os pensamentos do homem são vão. Para que o homem vazio possa pensar em transformar o mundo para melhor é preciso ocupar seus pensamentos. A palavra de Deus dá a resposta em filipenses 4;7 "Tudo que é verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo que justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento.”

Há muitos estímulos para os pensamentos. Algumas destas motivações juntamente com a natureza humana conspiram contra o realizar, contra a vida. O Apóstolo Paulo diz que se pode transformar o mundo pela renovação dos pensamentos e que isso é uma condição para que se possa conhecer qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. A maneira de pensar tem peso no futuro.

Existe uma tática escravagista para colonização dos pensamentos. Agindo através dos meios de comunicações, da propaganda comercial e da libertinagem artística para satisfazer uma sociedade de consumo há uma mente poderosa que não poupará sua vida. Muda-se a cultura, faze-se a moda, mudam-se as médias sociológicas e aprisionam-se os pensamentos naquilo que não é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, naquilo que não tem virtude. Deixa a cultura reprovável e precisando ser transformada pela renovação dos nossos pensamentos mediante os ensinamentos de Cristo.

Todo ser humano precisa de um ideal, de uma muleta para viver. Enquanto não encontra esse ideal a alma fica como adormecida. Quando algo desperta na mente, então se começa a gastar tempo pensando e esforça-se para alcançá-lo

O que motiva os pensamentos para tomadas de decisão são influenciado basicamente por três concepções filosóficas: a idealista; a psicológica e a materialista.

1- Idealista

Todos os acontecimentos são primordialmente presididos por idéias. Em qualquer acontecimento de ordem econômica, política, intelectual ou religiosa, é preciso observar o papel desempenhado pela IDÉIA como geradora da realidade. Cientistas sociais como Frederico Hegel no início do século XIX já defendia esta tese.

Foi esta concepção que levou milhares e milhares de jovens em todo o mundo a pegarem em armas e defenderem o ideal socialista.

É esta a motivação que leva militantes do green peace a arriscarem a vida colocando seu barquinho na frente de um enorme navio em nome do ideal que defendem – a ecologia.

Precisa-se de pessoas que tenham o entendimento renovado pelo ideal de Cristo, e que lute como estes militantes para que a sociedade seja impregnada pela prática do evangelho.

Quem tem o entendimento renovado não se vende as propostas de um evangelho egoísta, materialista e interesseiro. Um evangelho de discurso sem prática e de super-homens de deus

2-Psicológico Social

As motivações da vida são resultantes de manifestações espirituais produzidas pela vida em comunidade. A motivação depende do estado da alma em determinado agrupamento social. (obras de Wilheim e Wundnt – Elemento de psicologia dos povos e Gustave Le bom – sociologia das multidões exploram este tema)

Aristóteles, sábio grego dizia que o homem é um animal social. E que o homem é influenciado definitivamente pelo meio em que vive. “ o homem é produto do meio”. O meio em que se vive, os diversos grupos de amigos, a instituição religiosa que se freqüenta influencia o pensar do ser humano.

Pode-se ver isso nos meios religiosos em que para ser aceito no grupo tem: que falar com os mesmos jargões; ter a mesma impostação de voz; ter um indumento peculiar ao grupo; ter o mesmo folclore religioso. Também entre os adolescentes que para se sentirem aceitos pelo grupo chegam a usar drogas, fumar, ter corte de cabelo e indumento peculiar, ter tatuagem, gostar do mesmo estilo de música entre outros.

O maior desafio para os cristãos que são chamados para ser luz e sal é: influenciar o grupo ou deixar ser influenciado por ele? Esta é a oportunidade de deixar Cristo ser conhecido através dos atos, da vida.

Segundo Nietczen para que o homem possa existir socialmente em rebanho é preciso um acordo de paz, o homem gosta de viver em glória de empréstimo. Em atos 4:21 os saduceus deixam de castigar os apóstolos por medo do povo ."Eles se aliam aos fariseus até naquilo que não crêem. Eles negociam seus princípios básicos para manter o estatus quo." (Pressão social de grupo)

É desesperador quando se ver cristãos amarem mais as posições hierárquicas ministeriais do que as almas. ( Pensamentos gerado pela pressão social de grupo) Quando se tem na mente um objetivo do grupo, só enxerga-se o que esta procurando. Na sociedade religiosa do quotidiano a pressão de grupo aguça a crise do ser e faz com que o obreiro só pense em projeção ministerial e só mostre interesse naquilo que o ajuda a mostrar serviço, que o coloca como ponto de destaque na congregação.

3-Materialista

As motivações mesmo as de ordem espiritual, são determinados principalmente, pelas condições da vida material reinantes na sociedade a que eles estão ligados. Isto porque, antes de se preocupar com os problemas de cunho espiritual, o homem procura mesmo e obter os bens materiais que lhes garantam os meios de vida: Alimentação, habitação, vestiário e instrumentos de produção. Era o que defendia Karl Marx.

A concepção materialista está em alta no capitalismo selvagem atual. Este vem colonizando e programando a mente das pessoas. O que passa a motivar os pensamentos é um anseio de ter, esse ter entra em crise porque a felicidade fica atrelada a esse possuir. E toda energia é então dispensada para atingir este objetivo. Os filhos crescem, a juventude vai embora e não há tempo para curtir as particularidades de cada momento que a vida propicia. E quando chega a possuir, entra-se em decepção, surge nova necessidade de ter criando uma crise. O Capitalismo se alimenta da crise. Como o Phoenix, as crises geradas por ele é um combustível para um novo nascedouro, uma nova oportunidade, um novo mercado. Parece um paradoxo mais o capitalismo precisa da crise para superar sua crise.

Os apelos pelo possuir poluem o pensamento de todos. E estes pensamentos influenciaram o comportamento mesquinho que impactam a sociedade com assaltos, violências, roubos e outros crimes hediondos. E para combater essa onda de violência surge o mercado da segurança gerando muitos empregos, e empresas. Aumento de contingentes de policiais, delegados, advogados, magistrados, empresas de segurança eletrônicas, de guarde de valores etc...

Esta semana recebi um email de uma amiga que falava sobre toda uma programação capitalista para estética. A programação do pensar materialista está mais ligada ao supérfluo do que os bens materiais que garantam os meios de vida. As propagandas comerciais geram um sentimento de falta que será preenchida com um carro novo, uma boa cerveja ao redor de belas mulheres, com uma TV de LCD, com uma câmera digital de última geração e assim por diante. O materialismo gera um sentimento de insatisfação em todas as áreas sociais. Os apelos fazem as pessoas se sentirem infelizes e propõe a aquisição de algo que poderá trazer de volta a felicidade.

As igrejas evangélicas neopentecostais cresceram com os ideais do capitalismo. As propagandas apelativas mostram testemunhos de pessoas que viviam na miséria e depois que começou a freqüentar a igreja “X” passou ter uma grande prosperidade. Faze-se inventário nas rádios e televisão de tudo que conseguiram agindo pela fé. A igreja perdeu sua identidade de eklesia de Deus e passou a ser uma empresa de fé. Os líderes são mercenários que são avaliados pragmaticamente pelo retorno financeiro que traz a empresa de fé.

Veja o que diz o apóstolo pedro em II Pedro2

1 Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

2 E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade;

3 também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita.

Se os clientes não prosperarem conforme a propaganda apresentada ou estão em pecado ou não é o tempo de Deus abençoar. Para prosperarem colocam em risco a própria salvação. Fazem investimentos no fundo da fé e espera o retorno prometido.

“E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe, num momento de tempo, todos os reinos do mundo. E disse-lhes o diabo: Dar-ti-ei a ti todo o poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o senhor teu Deus, e só a ele servirás. “ Lc 4

A concepção materialista será reinante nos últimos dias. Em Ap18 lemos

11 E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém compra mais as suas mercadorias:

12 mercadorias de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda e de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, e todo objeto de marfim, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore;

13 e canela, especiarias, perfume, mirra e incenso; e vinho, azeite, flor de farinha e trigo; e gado, ovelhas, cavalos e carros; e escravos, e até almas de homens.

Quando se fala em “e até as almas dos homens” esta expondo a supremacia da concepção materialista sobre as demais.

Para transformar o mundo é preciso ter constância no que se acredita e não comprometer as convicções de fé em busca das ofertas materialistas. A negociação da verdade jamais deve ser o acordo de paz para que se possa existir socialmente como rebanho.

Renovar a mente e deixar que os pensamentos renovados influenciem a cultura, a religião, a política e a sociedade. Você pode transformar toda uma cultura pela prática do evangelho. O cristão é enviado a dar ordem ao caos e trazer motivação aos desesperançados. E dizer que o “Espírito de Senhor está sobre mim porque ele me ungiu para pregar as boas novas aos pobres, Enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e abertura de prisão aos presos.”

Deixe a palavra de Deus ser a motivação do pensamento e encha sua mente do que é bom, louvável, de boa fama. Que sua memória não se exercite na lembrança do trágico, das humilhações passadas. Que sua mente seja renovada e não viva num ciclo de amargura, da desgraça e do ódio. Dê um basta nas lembranças do passado. Faça como Jeremias "quero trazer a memória aquilo que me pode dar esperança"(Lm 3:21).

Será que você está ocupando sua mente com lamentações das oportunidades que perdeu na vida? Será que a frustração, o ódio, os sentimento de culpa, os complexos não se tornaram os grandes temas do teu raciocínio? Será que os sentimentos de frustração e abandono não tem dominado tua mente?

Se você só tem conseguido lembrar-se da desgraça, dos pensamentos que afloram do passado, ore e leia a Bíblia que Deus vai encher teus pensamentos com coisas novas. Queira renovar, ver o mundo transformado. Queira ser embaixador desta renovação, fazer parte desta transformação e trabalhar conforme a vontade do Espírito de Deus. Deixe Jesus governar sua mente, seus pensamentos e sua vida.

Marcos Avelino – O Marcão,

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MUDANÇA DE ESTAÇÃO

Olho para o futuro com certo receio, já não tenho a mesma força e vigor de um adolescente. A primavera já passou, embora as flores continuem na memória. Já posso sentir o vento frio do outono se aproximando. Talvez eu não tenha aproveitado as particularidades de cada estação, mas isso não me fez adoecer. Continuo o mesmo sonhador, amante da poesia, menino brincalhão.

Já briguei muito na vida. Entre diretores e acionista defendendo um ponto de vista ou entre religiosos defendendo a simplicidade e a liberdade. Já causei polêmicas. Fui odiado e amado. Chorei derrotas e comemorei vitórias, mas procurei não gastar meus dias com banalidades. Aprendi muito com as derrotas e sofri com os meus medos, complexos e deslizes. Procurei ser nobre nas minhas ações. Quando procuraram me colocar sob holofotes, fugi. Não tive pretensão de ser estrela à custa dos ideais que defendia. Eu era apenas instrumento inspirado por um Deus Justo e misericordioso.

Sei o que é a dor da perda que estraçalha o peito, atravessa a alma e destrói o equilíbrio. Já chorei copiosamente por 40 minutos, trancado em um banheiro, lamentando o que poderia ser evitado se eu chegasse mais cedo. Desperdicei milagres que não se repetem com as labutas do dia a dia. Como Oskar Schindler fui impossibilitado de alcançar todos. Abandonei os discursos para viver na prática, sentir na pele e influenciar pela convivência. Sofri com os sofrimentos dos outros e alegrei-me com as felicidades alheias.

Amei silenciosamente um amor impossível que foi combustível para alimentar minha alma com poesia e leveza. Criei limitações por complexos e as afoguei nos mares da desilusão assim como os marinheiros afogam suas carências nos bares próximos ao porto. Sofri com relacionamento difícil, mais fui fiel ao juramento, estando na eminência de desistir, Deus me deu forças e calei o óbvio, tranformei o que poderia ser decepção em benção de Deus. Magoei quem não merecia. Fui irresponsável com sentimentos alheios e sofri com sentimentos de culpa.

Assim vivi mais da metade da vida. Como projetar os anos que me restam? Estou apostando nos relacionamentos! Revelar o que escondi. Viver sem representações e pedir perdão a quem magoei. Rever os amigos e ouvi-los. Celebrar a liberdade que conquistei com toda paixão e viver a plenitude de meus ideais. Amar...

Quero enfrentar o outono com as ousadias da primavera. Vencer os gigantes que me derrotaram. Agradecer meu Deus por cada alvorecer. Tenho medo de depender dos outros. Não quero ter a alma frustrada. Quero encarar o meu entardecer dizendo que minha vida valeu à pena.

Marcos Avelino – O Marcão

terça-feira, 30 de março de 2010

A PÁSCOA NO MEIO EVANGÉLICO

Páscoa! Festa de ressurreição de Jesus!

Como que por unanimidade, muitos fazem essa declaração...

Infelizmente poucos sabem a verdadeira origem dessa festa. Pois, nem é preciso dizer que por parte dos incrédulos, a ignorância os fazem pensar que a Páscoa é a comemoração da ressurreição do Senhor. É uma ignorância alimentada pela tradição.

Mas que dirão daqueles que crêem no Senhor Jesus Cristo, no sangue precioso que Ele derramou na cruz pelos nossos pecados, e que, portanto se entregaram as suas vidas à Ele?

São a esses a quem este trabalho se destina.

A ORIGEM...

Se fôssemos ver a origem da páscoa, isto é, a verdadeira páscoa, que é bíblica, ela se encontra no livro de Êxodo, capítulo 12, onde o Senhor declara uma série de ordenanças ao seu povo, Israel, para ser lembrada à posteridade, e cumprida. Isto é, a páscoa foi instituída por Deus para Israel. E o significado desta festa se encontra no versículo 12, onde se diz o seguinte:

"Porque naquela noite passarei pela terra do Egito, e ferirei todos os primogênitos na terra do Egito, tanto dos homens como dos animais; e sobre todos os deuses do Egito executarei juízos; eu sou o Senhor".

Tem-se aí portanto, o motivo da páscoa: A morte dos primogênitos dos egípcios, e a execução do juízo de Deus sobre todos os deuses egípcios. E em outras passagens, são reforçadas o sentido da Páscoa:

"Quando, pois, tiverdes entrado na terra que o Senhor vos dará, como tem prometido, guardareis este culto. E quando vossos filhos vos perguntarem:
Que quereis dizer com este culto?

Respondereis: Este é o sacrifício da páscoa do Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriram os Egípcios, e livrou as nossas casas." (Êxodo 12:26,27).

O significado da páscoa também é a da libertação do jugo dos egípcios (Êxodo 12:42): "Esta é uma noite que se deve guardar ao Senhor, porque os tirou da terra do Egito...". Como se vê, o seu significado é bem diverso daquele que o mundo vê: a ressurreição do Senhor Jesus; pois, não existem bases sólidas para tal argumento, visto que a ressurreição foi uma conseqüência da perfeição do Senhor Jesus, uma vez que ele não cometeu nenhum pecado, portanto, não poderia permanecer morto. E também, a garantia da Sua vitória sobre a Morte, fazendo valer assim a Sua promessa de vida eterna, a plena, para todos aqueles que creram e se entregaram a Ele. Mas em nenhuma parte das Escrituras diz que a páscoa é a comemoração da ressurreição do Senhor; nem no Velho, quanto mais no Novo Testamento.

Portanto, ao se tratar de definir um sentido diferente daquilo que Deus estabeleceu para uma festa por Ele ordenado, é o mesmo que estivesse torcendo e distorcendo a Sua Palavra. Sejam quais os motivos apresentados.

E uma das evidências dessa distorção é pelo fato de que a páscoa católica - hoje oficialmente adotada no mundo, inclusive no meio evangélico - jamais deva coincidir com a páscoa judaica. No entanto, isso nem sempre acontece, pois: "O Concílio Eclesiástico de Nicéia (325) reajustou o calendário numa tentativa de evitar a coincidência da Páscoa com o Pessach," (a páscoa judaica)..."o que entretanto vez por outra ainda ocorria" (1). Se apelou inclusive, ao matemático Gauss, para estabelecer uma fórmula simples e prática no cálculo da data da páscoa, visto que todas as festas móveis católicas, dependiam do dia da páscoa (2).

A razão de tudo isso é pelo fato de que o calendário hebraico é lunar, isto é, baseado no ciclo da Lua; enquanto que o calendário dos católicos - o gregoriano - é solar. Trazendo assim complicações no estabelecimento de datas, visto que a páscoa judaica "moveria" dentro do calendário gregoriano, podendo coincidir dessa forma, com a páscoa dos católicos. Principalmente levando em conta de que a páscoa judaica duraria uma semana, tornando mais fácil essa coincidência. E é o que eles não querem. Pois, senão, de outra forma, não teria justificativa, visto que é mais fácil adotar a páscoa dos judeus. Isto é, aparentemente fizeram a questão de não seguir os preceitos bíblicos da páscoa, pois, teriam de respeitar rigorosamente a data, e o motivo da comemoração (e que é bem diferente a da tradição católica, onde a páscoa é a ressurreição, e não a morte do Cordeiro, nem tão pouco era considerado a saída do Egito).

Outra coisa a ser considerada é de que a igreja católica, permitiu a matança dos judeus, nas festas das páscoas, sob uma falsa acusação de que estes usavam o sangue das crianças "cristãs" para a confecção dos pães ázimos (3).

Os pães ázimos - isto é, pães sem fermentos - fazem parte do preceito bíblico para a comemoração da verdadeira páscoa, que é judaica.

Para esse caso, reparamos um odioso anti-semitismo, bem evidente na Idade Média, onde não somente desprezaram os preceitos bíblicos da páscoa, estabelecendo os seus próprios, como também ignoram o sentido dos pães ázimos, dando uma versão pervertida ao povo, que crê cegamente nas suas doutrinas.

O anti-semitismo pode perfeitamente bem explicar todas essa distorções.

PÁSCOA, OU A CEIA DO SENHOR?

O próprio Senhor Jesus, quando instituiu a Ceia do Senhor, se deu no dia da páscoa (Mateus 26:17-19; Marcos 14:12-16; Lucas 22:7-13), e não foi pela Sua ressurreição que le a instituiu, e sim, em memorial a Ele, e anunciando a Sua morte, até que Ele venha a nos buscar (I Coríntios 11:26).

Isto é, a Ceia do Senhor se deu justamente na páscoa porque, a verdadeira páscoa era Ele (I Coríntios 5:7), que estava preparado para morrer pelos nossos pecados - a de ser crucificado. Por isso que foi chamado de Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (João 1:29), porque Ele é o Cordeiro a ser sacrificado, a páscoa, para derramar o Seu sangue pelos nossos pecados; pois, sem tal sacrifício, nenhum homem poderia aproximar de Deus, e entrar em comunhão com Ele, ganhando assim a vida eterna.

Razão pelo qual, uma vez feito tal sacrifício, o único verdadeiro e perfeito, deixaria de ter sentido a páscoa, uma vez que o antigo pacto foi consumado. Foi por essa razão que o Senhor Jesus se reuniu com os seus discípulos, para realizar a última páscoa - a válida - e estabelecer o novo pacto, mais abrangente, e debaixo da graça: a Ceia do Senhor.

Ora, se o irmão pretende celebrar a páscoa, ele deverá seguir à risca os mandamentos que Deus deu a Moisés!

Terá de deixar de participar da Ceia do Senhor periodicamente (geralmente mês a mês), pois, a páscoa só se dá por volta dos meses de março/abril de cada ano. Visto que era celebrada no mês de abibe, no dia 14 por diante, e deverá imolar um cordeiro, e comer por sete dias, pães ázimos e ervas amargas...(Êxodo 12:2-8-15).

Não imolando o cordeiro, mesmo assim, teria de ser com pães ázimos, e já terá transgredido a Lei de Deus!

Mas acontece que a páscoa é um mandamento somente para o povo de Israel, e não para os outros povos, quanto mais para a Igreja de Cristo, pois senão teriam de seguir à risca, todos os preceitos que Deus deu a este povo.

É uma celebração exclusiva do povo de israel, pois nós temos em Êxodo 12:3 o seguinte:

"Falai a toda a congregação de Israel..."

É uma festa que deve ser guardada por todos os filhos de Israel (Êxodo 12:47).

E mais, o estrangeiro não deve comer dela (Êxodo 12:43). Se por acaso, um estrangeiro, um gentil, quiser participar da páscoa, deve ser circuncidado (Êxodo 12:43).

Circuncidará um salvo em Cristo Jesus para participar da páscoa?

É estar debaixo da Lei, e não da graça! E tanto pelo fato de estar debaixo da Lei que, caso um homem, filho de Israel, se não comemorou a páscoa, deve ser extirpado do povo de Deus; em outras palavras, executado (Números 9:13). Era portanto, um mandamento severo, um pacto feito entre Deus e Israel, assim como o mandamento de guardar o sábado. Logo, se nós fossemos comemorar a páscoa, nos colocaríamos ao mesmo pé de igualdade com os adventistas do sétimo dia.

A ORIGEM PAGÃ DA PÁSCOA ATUAL:

A páscoa que se comemora no dia de hoje, não se assemelha nem um pouco com a páscoa bíblica, e que faz parte da Lei que Deus ordenou a Moisés, e que era destinada a todo o Israel. Pelo contrário, essa páscoa que conhecemos é completamente estranha aos preceitos bíblicos, e que se reveste de outros valores sob o disfarce do cristianismo nominal.

Acima de tudo, o seu paganismo que se demonstra em duas evidências:

O ovo e o coelho, são símbolos que vieram dos antigos povos, como os egípcios e os persas, além de outros. Nesse caso, os ovos eram tingidos, e dados aos amigos, e os chineses as usavam nas festas de renovação da natureza (4). E como peças decorativas pagãs, chegaram a nós, proveniente de regiões como a Ucrânia, sob o nome de pessankas (5).

É rica as simbologias pagãs relacionadas com os ovos. Segundo Cirlot, são emblemas da imortalidade, encontrados nos sepulcros pré-históricos da Rússia e da Suécia. E também é usado como escrita hieroglíficas dos egípcios, considerado como o que é potencial, o princípio da geração, o mistério da vida; sendo usado pelos alquimistas. Enfim, o ovo é o símbolo cósmico na maioria das tradições, desde a Índia até aos druidas celtas (6).

Para os egípcios, o deus Re nasceu de um ovo; para os hindus, Brahma surgiu de um ovo de ouro - Hiranyagarbha - e que depois, com a casca, fez o Universo. Para os chineses, P'an Ku, nasceu de um ovo cósmico (7).

Ele é o símbolo de fertilidade, usado como talismã pelos agricultores. E tem diversas superstições ligadas ao seu uso (8).

Na mitologia grega, os gêmeos Castor e Pólux, nasceram de ovos "botados" (pasmem!) por uma mortal, Leda, quando fora seduzida por Zeus, que lhe apareceu sob a forma de um cisne! (9) O ovo era, na verdade, considerado por diversos pagãos, como a origem dos seres humanos (10).

Quanto ao coelho da páscoa, provém da lebre sagrada da deusa Eastra, uma deusa germânica da primavera (11).

Era ela, a lebre, quem que trazia os ovos; e que em outras regiões, como na Westphalia (Alemanha), tal papel era exercido pela "raposa da páscoa"; ou, na Macedônia (Grécia), por "Paschalia" o espírito do dia (12).

Porém, prevaleceu como símbolo da fertilidade, a lebre (ou o coelho), porque já era conhecida como tal durante muitos anos. E, em várias regiões, a lebre era considerada uma divindade. Ela está relacionada com a deusa lunar Hécate na Grécia; e, além da Eastra, tem-se o equivalente que é a deusa Harek dos germanos, que era acompanhada por lebres (13), consideradas como símbolos da fertilidade, devido à grande capacidade de se reproduzir, e, segundo os anglo-saxões, como também os chineses, associada à Primavera(14).

É interessante notar que a lebre (ou o coelho) é considerado como um animal imundo (Deuteronômio 14:7). E que só recentemente é que a páscoa está sendo comemorada como uma festa em homenagem à primavera, em Israel, (ligada portanto, com os ritos da fertilidade) (15). Isto é, já se tem uma contaminação pagã na páscoa judaica, e que outrora era considerada bíblica. E com muita razão:

A páscoa judaica já há muito tempo deixou de ser bíblica visto que não tem mais eficácia, pois, a verdadeira páscoa - o Senhor Jesus - já foi consumado lá na cruz. Por esse motivo é que Deus permitiu a destruição do Templo de Salomão, cerca de 70 d.C., para que fosse impedido a comemoração da páscoa. Pois, tal comemoração, juntamente com outros preceitos, prenderiam os judeus à Lei, ao antigo pacto, e que deixou de ser válido. Além disso, os sacrifícios de holocausto (que fazem parte da Lei), só poderiam ser realizados no Templo, e não em outro lugar.

Tendo isso em conta: de que a própria páscoa, instituída por Deus, deixou de ser válida; quanto mais não seria anti-bíblica a comemoração da páscoa do mundo, cuja procedência é claramente pagã?



CONCLUSÃO:

A páscoa que se comemora atualmente faz parte das chamadas festas cíclicas pagãs, onde se presta grande importância na guarda das datas, dias, meses, etc. E para esse caso, é bom nos lembrarmos da advertência data pelo apóstolo Paulo:

..."agora, porém, que já conheceis a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais quereis servir?

Guardais dias, e meses, e tempos, e anos"... (Gálatas 4:9-10).

A verdadeira páscoa foi consumada quando o nosso Mestre e Senhor foi crucificado na cruz. Portanto, não tem mais sentido para nós a sua comemoração, visto que não representa sequer o ressurreição de Jesus, e sim, a revitalização de uma festa milenar e pagã de fertilidade.

O nosso alvo é a importância da morte do Senhor Jesus, e devemos nos lembrar disso, até a volta d'Ele, para nos buscar; isto é, devemos lembrar da Sua morte na Ceia do Senhor.

NOTAS:

(1) "PÁSCOA" in Enciclopédia Judaica, v.3, pag.956 (ed.67).
(2) "PÁSCOA" in Enciclopédia Brasileira Globo, v.VIII, sem página.
GAUSS, Karl Friedrich - "um dos grandes expoentes matemáticos de tôda a história" (Barsa, v.6, pag.435, edição de 69).
(3) "PÁSCOA" in Enciclopédia Brasileira Mérito, v.15, pag.45.
Enciclopédia EPB Universal, v.9, pag.2704.
(4) "PÁSCOA" in Enciclopédia Delta Universal, v.11, pag. 6125 (ed.80).
"Páscoa: que significa realmente?" in Jornal da Tarde, 7 de abril de 1982.
(5) "Páscoa Ucraniana" in Shopping News-City News, 28 de março de 1982, pag.9.
"No Brooklin, duas senhoras se preparam para a Páscoa ucraniana" in Gazeta de Santo Amaro, 3 de abril de 1982.
(6) "Ovo" in "Dicionário de Símbolos" de Juan-Eduardo Cirlot, pag. 435.
(7) "Os ovos" in "Homem Mito e Magia" da Ed. Três, v. III, pag.718.
(8) IDEM, ibidem.
(9) IDEM, ibidem.
"LEDA" in Grande Enciclopédia Delta Larousse, v.7, pag.3951 (ed.70).
(10) "Páscoa: que significa realmente?" in Jornal da Tarde, 7 de abril de 1982.
(11) "Os ovos" in "Homem Mito e Magia"...
(12) IDEM, ibidem.
(13) "Lebre" in "Dicionário de Símbolos" de Cirlot, pag. 337.
(14) "Páscoa, comemoração universal" in Shopping News-City News-Jornal da Semana, 26 de março de 1989, pag.43.
(15) "PÁSCOA" in Enciclopédia Universal Gamma, v.8, sem página (ed.84).

Fonte: ANTÔNIO CARLOS FERNANDES

quinta-feira, 18 de março de 2010

LOBO DISFARÇADO DE OVELHA

“Dois homens, aparentemente acima de qualquer suspeita, renderam uma família de classe média, no bairro Itaoca, no momento que se preparavam para pregar a ``Bíblia``.

Ao invés de salvação, rendição. No lugar da paz, armas apontadas para a cabeça e ameaças de morte, de acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado no 25º Distrito Policial, no bairro Montese.

Conforme a Polícia, os falsos pastores adentraram na residência duplex, na rua Dom Carloto Távora, vestidos com paletós e com bíblias nas mãos, por volta das 7 horas de ontem. A dupla chegou em uma moto e disse para os integrantes da família - evangélica - que faria uma pregação.

Ao serem convidados a entrar na residência, o assalto foi anunciado antes das primeiras palavras do Livro Sagrado. Segundo o relato da família na delegacia, os assaltantes trancaram as vítimas em um banheiro e passaram a revirar tudo que encontraram pela frente. De acordo ainda com a família, eles fugiram com joias e dinheiro.” (Jornal o povo 18/03/2010.)

Eu quero refletir nesta tragédia e explorar alguns conceitos do evangelho pós moderno e do evangelho de Jesus.

A sociedade dos evangélicos dita que para ser evangélico tem que fazer parte de uma instituição (denominação). Obedecer cegamente o líder desta instituição, sem reflexões, sem questionamentos. Em muitos casos para ser identificado como membro desse grupo tem que ter uma vestimenta, ou a maneira de falar, ou a imposição de voz ao orar peculiar ao grupo. Tem que ter experiências comuns.

Basta alguém ir com indumento peculiar ao grupo, falando com jargões sobre experiências que o grupo tem como verdadeira que certamente será bem aceito. Como foram doutrinados, as intenções não são questionadas, há necessidade de ouvir um guru falar de Deus, e trazer o “recado de Deus” para o grupo. E isso é explorado pelos espertalhões, mercadores e mercenários da fé. Agora até por assaltante com armas de fogo.

Eu também sofro com isso, domingo fui levar uma reflexão da palavra a um pequeno grupo em Aquiráz-CE, quando estava para sair minha esposa indagou! Você vai com essa roupa? ( Calça Jeans, camisa pólo e sandália de couro) Respondi sim! Ela falou que eu ia escandalizar alguns e podia barrar o que estávamos propondo. E que o apóstolo Paulo falou que se portai de modo a não causar escândalos. Eu deveria me portar como ele. Então vesti calça, camisa e sapatos social e fui para o calor escaldante, representar a AD e seguir a mesma liturgia. ( Mais foi a última vez, ao invés de discurso vou passar mais tempo lá, conversando, para que ele aprendam por comigo estar. Afinal não quero ser rotulado por nenhum grupo, sou livre para me expressar e para agir conforme minha consciência.)

Outra marca do evangelho pós moderno é que o evangelho do discurso sem prática. E da prática sem o Espírito. E do esforço da retórica para provar que é o tal, que têm a unção. Os líderes deste evangelho são gladiadores televisivos. A cada entrevista mais parece um programa do ratinho onde a baixaria têm proeminência. Negam o nome de Jesus que pregam na prática onde não vemos os frutos do Espírito: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio.

O evangelho de Jesus é da prática, da simplicidade, sem o farisaísmo, sem o saduceísmo Jesus era o cumprimento da lei. Ele ensinou que era pelos frutos que separaria as ovelhas dos lobos. Não era pelo discurso e nem pelos sinais e milagres.

Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mt 7: 16-23)

O nosso desafio é transformar nosso discurso em prática. A grande tarefa nossa como discípulo de Cristo é “fazer Cristo conhecido através de nossa vida”. Esta tarefa requer que vivamos diante de uma ética de vida que sirva de modelo para os outros. Somos luz e sal, devemos nos submeter a Cristo em todas as áreas da vida. Devemos fazer discípulos não pela retórica, não pelo sinais , mas de viver. Como não somos perfeitos, constantemente devemos fazer como Paulo “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado”.(ICor 9:27)

“Porque seguimos a Jesus e não a Buda? a Confúcio? a Maomé? ” Sem duvida o seguimos porque Ele é o filho de Deus, comportou - se como o filho de Deus e viveu como filho de Deus etc... Ele vivenciou sua identidade. Ele fez discípulos caminhando com lado a lado com eles. A palavra discípulo, no original significa aluno. Fazer discípulo e acompanhar, instruir e acima de tudo capacitar. Fazer cem mil convertidos, acomodados é diferente de fazer cem mil discípulos com visão do reino e participante da obra. O cristianismo ainda não se expandiu por todo mundo porque fez muitos convertidos e poucos discípulos. Mas segundo Mateus as últimas palavras de Jesus foi: “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. “( Mateus 28: 18-20)

No evangelho atual existe a idéia de uma hierarquia espiritual entre os homens. Tem que convidar alguém de fora com “unção” para trazer umas boas novas. Agora a comunidade de fé não conhece a vida e os frutos daquele que está vindo pregar e nem que tipo de mensagem ele traz. Será ovelha ou lobo? A maioria cobra para trazer seu recado. Mas a bíblia nos adverte: “Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento... E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei.’(I Jo 20; 27)

O Evangelho de Jesus é belo, e de caminhada, e de vida, e de exemplos. Quem quiser seguir outro tipo de evangelho pode está abrindo a porta para lobos devoradores. Ele disse: Eu sou a porta; se alguém entrar a casa; o filho fica entrará e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o que é mercenário, e não pastor, de quem não são as ovelhas, vendo vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge porque é mercenário, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. (Jo 9-15) Você conhece a voz de Jesus?

Marcos Avelino – O Marcão

segunda-feira, 15 de março de 2010

MOVIMENTOS TEOLÓGICOS

Durante a história do cristianismo surgiram diversos movimentos com pensar teológico próprio. Muitos influenciaram o momento histórico que estavam enfrentando. Tiveram boa intenção, lutaram por causas justas. Outros eram heresias puramente filosóficas.

Os fariseus surgiram para lutar pela pureza da fé judaica em época de influências externas sobre o povo de Israel. Com o desenrolar dos tempos eles se institucionalizaram, tornaram seletos, desejaram ser um grupo superior e foram paulatinamente perdendo o alvo. Quando Jesus traz a resposta de Deus para sociedade a qual os fariseus estavam inseridos, eles reagiram. Sentiram o seu estatus social ameaçado e a possibilidade de ter seu reino eclesiástico dividido.

No primeiro século o cristianismo enfrentou ataque de diversos movimentos como: gnoticismo; maniqueísmo e neoplatonismo. Períodos em que levantaram os grandes apologistas e polemistas. A igreja episcopal também se institucionalizou, passou de perseguida a perseguidora. Julgava-se seleta, superior as demais. Tornou-se colonialista e exploradora. Quando os reformistas trouxeram uma nova visão para a sociedade religiosa, os religiosos agiram com os reformistas do mesmo modo como os fariseus e os outros grupos agiram com Jesus.

Após a reforma protestante, vários movimentos surgiram dentro da igreja reformada. A igreja vivia um período acadêmico. Em oposição ao acadêmico nasceu o movimento pietista. Em oposição ao pietista nasceu o evangelho social. A cada insatisfação surge um novo movimento. Estes movimentos são estratégias de alguns grupos insatisfeitos para que a igreja não caia no mesmo erro dos fariseus e da igreja pré reforma. A saturação destes movimentos levou o evangelho a perder o crédito na sociedade e a igreja entrar em crise.

A partir dos anos sessenta começou a se desenvolver na sociedade a idéia de explorar a vontade do homem, o individualismo, o desejo do “ter e do ser”, o hedonismo e a vontade de possuir os valores da sociedade secular. Estas idéias foram entrando sorrateiramente na igreja e hoje é uma bandeira de grande número de denominações. Tais idéias encontram espaço numa igreja que está fazendo qualquer negócio para conter o êxodo dos fiéis e juntar as cascas de algumas denominações que estão falidas.

A grande questão hoje é o apóio as modas teológicas para benefício próprio ou da organização que se faz parte, ou posicionar contra este sistema tendo que passar por opressão dos religiosos. Como ter coragem de ir na contramão a esse sistema se o sucesso dos ministérios são avaliados pragmaticamente?

Como os movimentos eclesiásticos nascem e aos poucos tomam conta da igreja? Como surgem líderes com uma pregação bíblica e depois chegam ao ponto de defender heresias? Como alguns dizem que é possível chegar ao céu sem cruz e pregam um evangelho voltado para interesse humano e alvos egoístas?

A resposta certamente seria que a igreja atual está experimentando “a síndrome do sapo escaldado”. A igreja de maneira geral é levada sutilmente pela moda imposta a sociedade religiosa. O novo conceito de cristianismo está causando sorrateiramente transformações sociais e inversão de valores na igreja. Vejamos algumas destas inversões.

Comunidade por individualismo

a) Na igreja. Não há relacionamento pessoal e nem preocupação com as pessoas. Há uma crise nos relacionamentos, não há preocupação com a vida e com a caminhada de fé. Os membros são apenas membros, um número na estatística. A igreja deixou de ser participativa, e individualmente cada um procura sua prosperidade, sua benção, sua experiência pessoal.

b) Na liderança. Existe uma relação funcional e não pessoal com a igreja. Falta tempo para as pessoas. Individualistas estão em busca de conquistas pessoais.

Essencial pelo consumismo

a) Na igreja. Promessas de uma vida confortável e “feliz”. Propaganda em rádios, televisão. O evangelho é produto de consumo que vem em embalagem a gosto do consumidor. A igreja virou pragmática com visão estatística.

b) na liderança. São gerentes, empreendedores e realizadores. Pastor executivo e agente de marketing. Com regalias de um empresário bem sucedido, tem muitos auxiliares. Sua maior preocupação e como vender o produto ( o evangelho), sem perder sua fatia no mercado.

Acredito que a administração eclesiástica para voltar a ser bíblica tem que ser voltada para os relacionamentos. Esta deverá ser a administração predominante no terceiro milênio pois o existencialismo e o individualismo gera solidão e vazio por falta de relacionamento verdadeiro.

Precisamos de estratégias administrativas que tenham teologia e espiritualidade, conhecimento e amor. Nossas estratégias devem buscar um envolvimento integral com pessoas e com a vida e resgatar a noção de comunidade dentro da igreja. Quando a igreja deixa de ser comunidade participativa perde sua identidade como “ekklesia”do Senhor.

Marcos Avelino – O Marcão.

domingo, 14 de março de 2010

DITADURA FRIA (Parte 1)

Durante o governo de João Goulart (1961-1964) A UNE e as Ligas camponesas foram fortalecidas. Isso levou a elite dominante, igreja e classe média se oporem a esse movimento por medo do comunismo. Com apoio dos EUA em 31/03/64 houve o golpe militar e a implantação da ditadura militar que durou de 1964 a 1985. Durante este período teve uso da repressão, investigação através do SNI, prisão, tortura e perseguição a cultura. Houve censura a imprensa, a músicas, as artes em geral. Tudo que julgavam ofender o regime tinha que ser abolido.

Durante o nazismus na Alemanha, houve censura, invasões as bibliotecas das universidades e queima de livros que julgavam nocivo ao regime. Adolf Hitler levou a Alemanha de tantos filósofos e pensadores a apoiar uma guerra e o genocídio dos Judeus.

Na atualidade existe uma ditadura sendo imposta e que já determinou as leis sociais, leis religiosas, delimitou a cultura. Como na ditadura militar ele tem o apoio da elite dominante, igreja e classe média. Faz uso dos meios de comunicações, da propaganda comercial e da libertinagem. Ela não sofre oposição nem resistência. Em lugar de fazer uso da repressão, tortura e controlar as pessoas pelo medo e pela dor, ela controla as pessoas pelo o prazer. Não é preciso censura de imprensa, pois são poucos ou que sentirão vontade de ler e de se aprofundar. O impregnar de informações a tornaram irrelevantes. O repassar de notícias de corrupção, de tragédias, do ruim, acostumaram à alma a petrificação e a tornaram insensíveis as causas sociais. Cada um tem seu mundo em particular, sua vida privada blindada. Onde estão os jovens idealistas que protestavam contra a ditadura, que faziam barricadas e que questionavam o sistema? Estão nos shoppings procurando pertences de grife para provar que podem realizar os sonhos de consumo ou estão fazendo alguma atividade individualista prazerosa que possa ter seu desejo glorificado sem pensar no coletivo.

O que aconteceu com o planeta? Porque uma mudança de visão tão grande? A alma está vazia de sonhos e ideal. Não há causas para defender. Para influenciar esta geração imediatista, egoísta e hedonista a ter um ideal para defender é preciso ensiná-la a pensar comunitariamente.

Os evangélicos esperavam perseguições, fechamento de igrejas, prisão de líderes. No lugar da perseguição vem a provação da fé, do amor a Deus e sua palavra. No lugar de fechamento, há uma liberdade e abres-se “igrejas” em cada esquina. Esperavam proibição da pregação baseada nos princípios bíblicos, mas não é necessário, pois a verdade bíblica tornou-se irrelevante até nos meios dos evangélicos. Os líderes levado a um alto monte, vêem as riquezas e gloria do mundo, e começam a pregar o que está na moda e dar retorno. Importa é que a eles sejam dado um pouco desse reino, um pouco dessa glória.

Todas estas transformações sociais foram influenciadas por três grandes cosmovisões: A modernidade; A modernidade tardia; e a pós modernidade. Tentarei descrever nas próximas postagens como cada visão influenciou a maneira de pensar de várias gerações.

Marcos Avelino – O Marcão 14/03/2010