quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

SOTERIOLOGIA I - UMA INTRODUÇÃO A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

UMA INTRODUÇÃO ADOUTRINA DA SALVAÇÃO

Como introdução ao assunto salvação, tentarei expor de maneira sucinta a queda do homem, a necessidade de salvação e o plano de Deus para a reconciliação do homem.

"1Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? 2E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, 3Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.

4Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. 5Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. 6E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.7Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

8E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. 9E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? 10E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. 11E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? 12Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.

13E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

14Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. 15E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

16E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

17E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. 18Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. 19No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.

20E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes.

21E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.

22Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,23O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. 24E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida."(Gn 3)

1 - Como o homem perdeu a comunhão com Deus ?

O Eterno criou o homem e o colocou no Jardim do Éden para lavrar e guardar. O homem deveria ser obediente a uma regra - não comer da árvore da ciência do bem e do mal. A consequência da quebra dessa regra era a morte. (Gn. 2:15-17).

Deus criou o homem a sua imagem, conforme a sua semelhança, e o colocou no éden para deleitar-se do paraíso a sua disposição. Deus lhe deu também poder para dominar sobre todas as coisas, o Eterno havia criado as condições propícias para o homem viver em plena felicidade para sempre. E enquanto o homem estava em estado de obediência o Criador tinha plena comunhão com ele e passeava no Jardim do Éden.

O soberano não estabeleceu condições ao homem para obediência, nem o impediu de comer da árvore do conhecimento. Deus deu ao homem a opção de escolher. Apenas informou o que o homem não deveria fazer e qual seria a penalidade por infligir esta advertência. Será que Deus na sua soberania deu o livre arbítrio ao homem?

A Serpente declarou que o que Deus dissera a Adão não era verdade (v 3-4) e destruiu a fé que Eva tinha no que Deus dissera, causando dúvidas contra a palavra divina. Ela ( a serpente) aguçou os desejos da mulher em conhecer o que o Senhor Deus havia proibido. Fez a mulher crer que ela seria como Deus, decidindo por conta própria o que é bom e o que é mal.  Em nosso tempo, o ser humano como fez Eva, procura obter conhecimento moral e discernimento ético partindo de sua própria mente e desejos, e não da palavra de Deus.

A mulher vendo que a árvore era desejável, agradável aos olhos, tomou do seu fruto, comeu e deu ao seu marido e ele também comeu (v 6). O pecado havia se consumado, e a morte entrado no homem pelo pecado. E por causa do pecado, Deus amaldiçoou a criação que Ele fizera a sua imagem (v 16-19) Gn 5:29 Rm 8:22.

 A promessa de viver para sempre havia se encerrado no momento em que praticaram o pecado. O homem estava morto, não só espiritualmente, mas também a morte física passou a fazer parte do quotidiano da humanidade. Quando Adão e Eva pecaram, sua morte moral e espiritual ocorreram instantaneamente, ao passo que a morte física veio posteriormente (Gn 5:5). A morte  moral consiste na morte da vida de Deus dentro deles, quando sua natureza se tornou pecaminosa; a morte espiritual destruiu a comunhão que antes tinham com Deus.

Depois do pecado de Adão e Eva , toda pessoa ao nascer, entra nesse mundo com sua natureza pecaminosa.  Como está escrito em Rm 5:12 "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram." Essa corrupção da natureza humana abrange o direito inato da pessoa seguir seu próprio caminho egoísta, ingnorando a Deus e ao próximo, e é transmitida a todos os seres humanos. Leia Gn 6:5 e 8:21.

"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos".( Rm 3:10-18)

Obs. Não estou afirmando que todos pecaram quando Adão pecou e nem que a culpa de seu pecado foi imputada a toda raça humana, mas que Adão deu origem a lei do pecado e da morte sobre  a totalidade da raça humana. "Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo" (I Co 15:21-22).

Deus é Santo e Justo, e como escreveu profeta Isaias que o pecado é que faz a separação entre nós e nosso Deus. O homem perdeu a comunhão com Deus e o Eterno o expulsou do Éden e pôs querubins ao oriente e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida (v 24). O homem que fora criado para dominar e viver para sempre, estava terminantemente separado de Deus pela sua insubordinação. Os anjos que o Senhor colocou ao redor do Paraíso impedia que o homem, atualmente na condição de pecador vivesse para sempre. O homem agora conheceria a morte física, e onde o homem passaria a eternidade já que tinha jogado a oportunidade de viver eternamente em comunhão com o Criador?. Agora o homem se escondia de Deus (v 8)

A terra foi amaldiçoada e com isso vieram todos as mazelas que conhecemos hoje, o homem ficou vulnerável as doenças, angústias e aflições. A fome, a miséria, e agonia passaram a fazer parte do cotidiano da humanidade, Satanás estava com o domínio sobre o homem que vivia agora sob a maldição do pecado. E por isso que o Novo Testamento o chama de "o príncipe deste mundo" (Jo 14:30; II Co 4:4 e I Jo 5:19). De dominador o homem passou a condição de escravo, Satanás passou a afligir a humanidade caída.

Deus trouxe juízo sobre a serpente (v 14), a mulher (v16) a Terra (v 17-18) e a Adão (v 19). E todo o homem que continuar em desobediência a Deus sofrerá os juízos de Deus e a separação eterna do seu criador. Pois o nossos pecados como o pecado de Adão nos separa de Deus. Precisamos de reconciliação com Deus e Salvação.
 

2 - O que é Salvação?

A palavra salvação no grego traz uma idéia de triunfo, cura, ou preservação.  Salvação é a libertação do perigo ou sofrimento dos juízos de Deus sobre o pecado e da escravidão eterna e espiritual.
 

3 - De que nos seremos Salvos?

Seremos salvos da separação eterna de Deus  e dos julgamentos de Deus sobre o pecado " Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. " (Rm 5:9). "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo" (I Ts  5:9).
 

4 - Qual o Plano de Deus para sermos Salvos?

O texto acima encontramos três grande eventos do Criador mostrando o seu plano para salvação e reconciliação do homem. O Senhor Deus poderia ter abandonado o homem no pecado pela sua desobediência e rebeldia, mas não o fez, apesar da sua tristeza, não desistiu de lhe dar uma nova oportunidade para a salvação.

O primeiro evento se encontra no verso 15,. aqui ha uma previsão da vitória final da raça humana e de Deus contra Satanás e o mal. É a profecia do conflito entre a semente da mulher (Jesus Cristo) e a semente da serpente (Satanás e seus seguidores). Neste versículo há implícita a promessa que Cristo nasceria de uma mulher, como profetizou Isaias (Is 7:14) e que Ele seria ferido ao ser crucificado, porem ressuscitaria dentre os mortos para destruir completamente os planos de Satanás, o pecado e a morte, para salvar toda a humanidade. Is 53:5; Mt 1: 20-23

O segundo esta no verso 21 quando Deus faz túnicas de pele para Adão e sua Mulher. Para Deus fazer túnicas de pele, um animal teve que ser sacrificado. Isso Tipificava que o Senhor ofereceria o Seu único filho em expiação para resgatar o homem da maldição do pecado e lhe ofertar a libertação e a vida eterna. Essa figura de um animal sacrificado para cobrir o pecado do homem foi uma tipologia de Jesus em toda a velha aliança.

Foi assim com o cordeiro pascal, que deveria ser sem defeitos e não podia ter seus ossos quebrado, e que devia ser separado antes e imolado no crepúsculo da tarde. (Ex 12) Assim Jesus, sem defeito, sem pecado, foi separado antes, foi imolado na mesma hora em que o cordeiro pascal era imolado, não teve nenhum dos seus ossos quebrados. Naquela época todo prisioneiro que era crucificado tinha os seus ossos quebrados. Jesus foi a exceção. Ele foi transpassado. Por isso que o apóstolo Paulo em I co 5:7 afirma que Cristo a nossa páscoa foi sacrificado por nós.

O cordeiro que era sacrificado no tabernáculo e no templo para remissão dos pecados de Israel também tipificava Jesus, João quando viu Jesus disse " eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

"Andávamos como ovelhas desgarradas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre Ele à iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca.".(Is 53:4 a 7)

"Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuro, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção."(Hb 9:11, 12 )

"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.

Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor"( Rm 5:3-21)

O terceiro evento está no v 18  quando o Senhor amaldiçoou a terra e disse: "Espinhos, e cardos também, te produzirá", Jesus Quando foi sacrificado na cruz do calvário levava sobre sua cabeça uma coroa de espinho. Isso significa que a maldição que nos deveíamos sofrer ele também levava sobre sua cabeça no madeiro. Portato a reconciliação com Deus é completa e a salvação perfeita através de Jesus.

 

Até Breve.

Marcos Avelino.

 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

SOTERIOLOGIA

DOUTRINA DA SALVAÇÃO

"Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro.
Vai, pois, agora, conduze este povo para onde te tenho dito; eis que o meu anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei neles o seu pecado.
"Êxodo 32:33-34.

No contexto do texto acima encontramos um predestinado intercedendo com o soberano e eterno Senhor por toda um povo apóstata. O Soberano afirma que riscará do seu livro todo aquele que pecar contra Ele, e manda o predestinado a continuar a sua missão predestinada, mas promete que no dia de sua visitação vingaria neles o seu pecado. O Eterno feriu ao povo, porque fizeram um bezerro de ouro.

Com relação a soteriologia há muitas indagações como: Um cristão pode perder a salvação? Um cristão que morre desviando ainda é salvo? É possível que o nome de uma pessoa seja apagado do livro da vida? Deus escolheu pela soberania divina alguns para a salvação e outros para a perdição? A soberania de Deus e o livre arbítrio do homem são excludentes? Se a salvação depende do homem onde fica a soberania de Deus? Se Deus já determinou anteriormente tudo que desenrolaria com o homem no tempo e no espaço, inclusive a salvação de alguns e a perdição de outros, então qual o papel do evangelho cujo o princípio é religar o homem a Deus? Se o Messias veio salvar a humanidade como se justifica a existência de um grupo de eleitos? Com a graça resistível a vontade de Deus não fica cativa a vontade do homem? No eterno debate e entre Calvinistas e Arminianos, quem está correto?

Este ano inteiro estarei postando sobre alguns questões da soteriologia explorando os cinco pontos do Calvinismo e Arminianismo. Tratarei do tema utilizado da regra básica da hermenêutica - A bíblia explica a bíblia. Analisarei os contextos e farei um paralelo de ideias e ensino gerais.

Estarei  fazendo um resumo histórico como os primeiros pensadores da igreja pensavam sobre o livre-arbítrio e a predestinação: JUSTINO MÀRTIN; IRINEU; ATENÁGORAS DE ATENAS; TEÓFILO DE ANTIOQUIA; TACIANO DA SÍRIA; BARDESANO DA SÍRIA; CLEMENTE DE ALEXANDRIA; TERTULIANO; NOVACIANO DE ROMA; ORÍGENES; METÓDIO; ARQUAELAU; ARNÓBIO DE SICCA; CIRILO DE JERUSALÉM; GREGÓRIO DE NISSA; JERÔNIMO; JOÃO CRISÓSTOMO; AURÉLIO AGOSTINHO;  ANSELMO; TOMÁS DE AQUINO; JOÃO CALVINO E JACOB ARMÍNIO.

Colocarei a salvação como no contexto das escrituras, incluindo tanto o perdão do pecado passado, assim como a libertação do pecado presente, e a preservação contra as invasões do pecado no futuro. Jo 11: 24-25; Tt 2;11-13.

Até em breve

Marcos Avelino

sábado, 1 de fevereiro de 2014

PORQUE SAMUEL APARECE QUANDO SAUL CONSULTA A FEITICEIRA DE EN-DOR SE A BÍBLIA CONDENA A MEDIUNIDADE?


 " Samuel já estava morto, e todo o Israel o tinha chorado, e o tinha sepultado em Ramá, que era a sua cidade; e Saul tinha desterrado os adivinhos e os encantadores.
E ajuntaram-se os filisteus, e vieram, e acamparam-se em Suném; e ajuntou Saul a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa.
E, vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu, e estremeceu muito o seu coração.
E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.
Então disse Saul aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela,
e consulte por ela. E os seus criados lhe disseram: Eis que em En-Dor há uma mulher que tem o espírito de adivinhar.
E Saul se disfarçou, e vestiu outras roupas, e foi ele com dois homens, e de noite chegaram à mulher; e disse: Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser.
Então a mulher lhe disse: Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os encantadores; por que, pois, me armas um laço à minha vida, para me fazeres morrer?
Então Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso.
A mulher então lhe disse: A quem te farei subir? E disse ele: Faze-me subir a Samuel.
Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou com alta voz, e falou a Saul, dizendo: Por que me tens enganado? Pois tu mesmo és Saul.
E o rei lhe disse: Não temas; que é que vês? Então a mulher disse a Saul: Vejo deuses que sobem da terra.
E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.
Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir?
Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.
Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o Senhor te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo?

Porque o Senhor tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e o Senhor tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu próximo, a Davi.
Como tu não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o fervor da sua ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto.
E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus.
E imediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa daquelas palavras de Samuel; e não houve força nele; porque não tinha comido pão todo aquele dia e toda aquela noite.
Então veio a mulher a Saul e, vendo que estava tão perturbado, disse-lhe: Eis que a tua criada deu ouvidos à tua voz, e pus a minha vida na minha mão, e ouvi as palavras que disseste.
Agora, pois, ouve também tu as palavras da tua serva, e porei um bocado de pão diante de ti, e come, para que tenhas forças para te pores a caminho.
Porém ele o recusou, e disse: Não comerei. Porém os seus criados e a mulher o constrangeram; e deu ouvidos à sua voz; e levantou-se do chão, e se assentou sobre uma cama.
E tinha a mulher em casa um bezerro cevado, e se apressou, e o matou, e tomou farinha, e a amassou, e a cozeu em bolos ázimos.
E os trouxe diante de Saul e de seus criados, e comeram; depois levantaram-se e partiram naquela mesma noite."

1 Samuel 28:3-25

Há bastante polêmica com relação a interpretação deste texto. Saul pede a uma feiticeira invocar o espírito de Samuel. Conforme textos bíblicos anteriores,  Deus condena esta prática. Samuel condena esta prática, o próprio Saul como afirma o verso 3 havia expulso os adivinho e encantadores, então como explicar este texto?. Vejamos como o comentarista Russell Shedd explica este texto.

A mediunidade é pecado gravíssimo, condenado pela Bíblia de ponta a ponta, e é castigada com a pena máxima, pena de morte no Antigo Testamento e a condenação eterna no Novo Testamento (Lv 20.27; Dt 18.10-12; At 16.18; Ap 21.8). Dizer que Deus permitiu o aparecimento de Samuel mediante a pitonisa (1Sm 28.11), é afirmar que Deus permitiu a Samuel pecar gravemente. Consultar os "mortos", ou os falsos mortos, é pecado igual ao de feitiçaria e ao de idolatria (1Sm 15.23a). É pecado cuja prática Deus não permitiu a ninguém, absolutamente a ninguém, e muito menos a Samuel, que era o segundo dos profetas, quanto à importância, depois de Moisés no A.T. (Jr 15.1).

A crônica de 1Sm 28.7-25 fora escrita por uma testemunha ocular: logo, por um dos servos de Saul que o acompanhara à necromante (1Sm 28.7,8). Frequentemente, esses servos eram estrangeiros (1Sm 21.7; 26.6; 2Sm 23.25-39) e quase sempre supersticiosos, crentes no erro (1Sm 28.7) - razão por que o seu estilo é tão convincente. Esta crônica que é parte da história de Israel, pela determinação divina, entrou no Cânon Sagrado. E deve estar lá, como lá estão os discursos dos amigos de Jó (Jó 42.7), as afirmações do autor de "debaixo do sol" (Ec 3.19; 5.18; 9.7,9,10 etc.), a fala da mulher de Tecoa (2Sm 14.2-21) etc. - palavras e conceitos humanos. (Infelizmente, esta crônica é interpretada por muitos sob o mesmo ponto de vista do servo de Saul). Analisando-se o caso, não negamos a sinceridade da mulher (1Sm 28.11-14): também a moça de At 16.16-18 foi sincera. Nem tão pouco recorremos à interpretação parapsicológica (que é possível), mas diretamente à Bíblia que, em si mesma, tem os argumentos necessários, para desmentir as afirmações do servo de Saul. Antes, porém, vejamos a palavra médium (1Sm 28.6, heb ob), que é traduzida em outras versões por "espírito adivinhador", ou "espírito familiar" e no texto grego (LXX) por (engastrimuthos) "ventríloquo" (um de fala diferente), palavra que indica a espécie de pessoa usada por um desses "espíritos". 

1) Argumento Gramatical (1Sm 28.6). ... o Senhor... não lhe respondeu. O verbo hebraico é completo e categórico. Na situação presente de Saul, Deus não lhe respondeu, não lhe responde e não lhe responderá nunca. O fato é confirmado pela frase: "... Saul interrogara e consultara uma necromante e não ao Senhor..." (1Cr 10.13-14). 

2) Argumento Exegético (1Sm 28.6): Nem por Urim - revelação sacerdotal (ver 1Sm 14.18); nem por sonhos - revelação pessoal; nem por profetas - revelação inspiracional da parte de Deus. Fosse Samuel o veículo transmissor, seria o próprio Deus respondendo, pois Samuel não podia falar senão pela inspiração. E, se não foi o Senhor quem falou, não foi Samuel. 

3) Argumento Ontológico: Deus se identifica como Deus dos vivos: de Abraão, de Isaque, de Jacó etc, (Êx 3.15; Mt 22.32). Nenhum deles perdeu a sua personalidade, integridade, ou superego. Seria Samuel o único a poluir-se, indo contra a natureza do seu ser, contra Deus (1Sm 28.6) e contra a doutrina que ele mesmo pregara (1Sm 15.23), quando em vida nunca o fez? Impossível. 

4) Argumento Escatológico: O pecado de Samuel tornar-se-ia mais grave ainda, por ter ele estado no "seio de Abraão" e tendo recebido uma revelacão superior e um conhecimento mais exato das coisas encobertas, e, por não tê-las considerado, nem obedecido as ordens de Deus (Lc 16.27-31). Mas Samuel nunca desobedeceu a Deus (1Sm 12.3-4). 

5) Argumento Doutrinário: Consultar os "espíritos familiares" é condenado pela Bíblia inteira (ver 1Sm 28.3). Fossem os espíritos de pessoas, Deus teria regulamentado a matéria, mas como não são, Deus o proibiu. Aceitando a profecia  do  pseudo-Samuel, cria-se uma nova doutrina, que é a revelação divina mediante pessoas ímpias e polutas. E nesse caso, para serem aceitas as afirmações proféticas, como verdades divinas é necessário que sejam de absoluta precisão; o que não acontece no caso presente (Vejam como são precisas as profecias a respeito de Cristo: Zc 9.9 e Jo 12.15; Sl 22.18 e Jo 19.24; Sl 69.21 e Jo 19.28-29; Êx 12.46; Nm 9.12; Sl 34.20 e Jo 19.36; Zc 12.10; Jo 19.37 etc). 

6) Argumento profético (Dt 18.22): As profecias devem ser julgadas (1Co 14.29). E essas, do pseudo-Samuel, não resistem ao exame. São ambíguas e imprecisas, justamente como as dos oráculos sibilinos e délficos. Vejamos: a) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (1Sm 28.19): A profecia é de estilo sibilino e sugeria que Saul viria a ser supliciado pelos filisteus. Mas o fato é que Saul se suicidou (1Sm 31.4), e veio parar nas mãos dos homens de Jabes-Gileade (1Sm 31.11-13). Saul apenas passou pelas mãos dos filisteus. Infelizmente, o pseudo-Samuel não podia prever esse detalhe. (Vejam como são precisos os detalhes acima a respeito da pessoa de Cristo). b) Não morreram todos os filhos de Saul ("... tu e teus filhos", 1Sm 28.19), como insinua essa outra profecia obscura: Ficaram vivos pelo menos três filhos de Saul: Is-Bosete (2Sm 2.8-10), Armoni e Mefibosete (2Sm 21.8). Apenas três morreram, como indicam clara e objetivamente as passagens seguintes: 1Sm 31.2,6 e 1Cr 10.2,6.

c) Saul não morreu no dia seguinte ("... amanhã... estareis comigo", 1Sm 28.19): Esta é uma profecia do tipo délfico, ambígua. Saul morreu cerca de dezoito dias depois (ver 1Sm 30.1,10,13,17; 2Sm 1.3). Citar em sua defesa Gn 30.33 e Êx 13.14 e afirmar que a palavra hebraica mahar, "amanhã", aqui, é de sentido indefinido, é torcer o hebraico e a sua exegese, pois todos vão morrer, mesmo, em "algum dia" no futuro; isto não é novidade.

d) Saul não foi para o mesmo lugar de Samuel ("... estareis comigo", 1Sm 28.19). Outra profecia délfica. Interpretar o "comigo" por simples "além" (sheol), é tergiversar. Samuel estava no "seio de Abraão", sentia isso e sabia da diferença que existia entre um salvo e um perdido. Jesus também o sabia, e não disse ao ladrão na cruz: "...hoje estarás comigo no "além" (sheol), mas sim, no "Paraíso" (Lc 23.43). Logo, Samuel não podia ter dito a Saul, que este estaria no mesmo lugar que ele: no "seio de Abraão". Se Samuel tivesse desobedecido a Deus (1Sm 28.16-19), passaria para o inferno, para estar com Saul? Ou então, Saul, ainda que transgredindo a palavra de Deus e consultando à necromante (1Cr 10.13), passou para o Paraíso, para estar com Samuel? Inacreditável.

Solução: - Quem respondeu a Saul? Sugerimos a seguinte possível explicação. A Bíblia fala de certos "espíritos", sua natureza e seu poder (Êx 7.11,22; 8.7; At 16.16-18; 2Co 11.14-15; Ef 6.12). São os anjos maus. Do mesmo modo fala de anjos que acampam ao nosso redor e nos guardam (Sl 34.7; Mt 18.10; Lc 15.10 etc.). São os anjos bons. São dois, os "secretários" (senão mais) que nos acompanham durante a vida toda; um bom e outro mau. Anotam tudo e sabem tudo a nosso respeito. Depois da morte, o anjo bom leva o nosso livro-relatório, diante de Deus, pelo qual seremos julgados (Ap 20.12). Por sua vez, o anjo mau assume a nossa identidade e representa-nos no mundo, através dos médiuns. Onde revela o nosso relatório com acerto e "autoridade". É por isso que Paulo fala da luta que temos contra "as forças espirituais do mal" (Ef 6.12). E é pela mesma razão que Deus proíbe consultas aos "mortos" (Is 8.19,20), porque estes são falsos "Quando entrarem na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá, não procurem imitar as coisas repugnantes que as nações de lá praticam. Não permitam que se ache alguém entre vocês que queime em sacrifício o seu filho ou a sua filha; que pratique adivinhação, ou se dedique à magia, ou faça presságios, ou pratique feitiçaria ou faça encantamentos; que seja médium, consulte os espíritos ou consulte os mortos. O Senhor tem repugnância por quem pratica essas coisas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, o seu Deus, vai expulsar aquelas nações da presença de vocês. Permaneçam inculpáveis perante o Senhor, o seu Deus. As nações que vocês vão expulsar dão ouvidos aos que praticam magia e adivinhação. Mas, a vocês, o Senhor, o seu Deus, não permitiu tais práticas." (Dt 18.9-14) Caso fossem espíritos humanos, provavelmente, Deus não proibiria a sua consulta, apenas regulamentaria o assunto para evitar abusos. Deus, porém, proíbe o que é dissimulação e falsidade. (Bíblia Shedd pg 430-431)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

AS CONTRIBUIÇÕES NA NOVA ALIANÇA

Como apreendemos na postagem anterior, o Novo Testamento não dá base bíblica para se continuar cobrando o dízimo. Não vemos nenhuma referência a uma contribuição obrigatória e fixa, mas a ofertas voluntárias como veremos mais detalhado nesta postagem.

POR QUE DEVEMOS CONTRIBUIR

Tudo que temos vem de Deus. Que conseguimos com trabalho, quer herdamos, tudo procede de Deus. Foi Ele que nos abençoou com habilidade ou chance para conseguirmos bens nesta vida. Se tudo procede Dele, Ele na sua soberania nos deu a oportunidade de sermos mordomos do que Ele colocou a nossa disposição, e como agradecimento devemos devolver um pouco destas dádivas para sermos instrumentos de  sua vontade. Qual a sua vontade? E como é que Deus recebe alguma coisa do homem? Será dando para uma Instituição Religiosa? Será dando aos pobres e necessitados? Este é o assunto desta postagem. 

AS CONTRIBUIÇÕES NO NOVO TESTAMENTO

Aprendemos nas postagens anteriores que o dizimar foi parte da adoração de Israel na velha Aliança, e que não tem nenhuma obrigação prática sobre os crentes da Nova Aliança. O que o Novo Testamento realmente ensina sobre o dar das nossas rendas a Deus?  Qual é a revelada vontade de Deus para o contribuirmos em nossos dias nas Escrituras do Novo Testamento? Iremos nesta postagem examinarmos a vontade de Deus para o contribuir do cristão. A maior parte desta postagem foi extraída da tradução do texto em inglês de Brian Anderson , Milpitas Bible Fellowship, traduzido por Hélio Menezes da Silva, membro da  Igreja Batista Regular Emanuel da Paraíba. O endereço eletrônico do texto no original encontra-se na fonte de pesquisa.

O quanto contribuir?

Aprendemos em postagens anteriores que o dízimo não é padrão de contribuição para os crentes na Nova Aliança. Como então determinarmos quanto os verdadeiros cristãos devem contribuir? Examinemos três diferentes textos, para que possamos ter entendimento sobre este importante assunto.

1 Coríntios 16:1-2: "1 ¶ Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. 2 No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar."

No texto acima, o apóstolo Paulo dá direções à igreja de Corinto: é em proporção ao quanto cada um tem prosperado que eles devem dar na coleta para os santos em Jerusalém, os quais estão em grande pobreza e passando por enormes aflições. Embora não exista nenhuma menção dos santos em Corinto darem um dízimo ou qualquer outra percentagem imposta, eles são instruídos a darem proporcionalmente à sua prosperidade. O ponto em foco é simples -- aqueles com mais dinheiro dêem mais, aqueles com menos dinheiro, podem dar menos. Nada mais claro nem mais simples.

Atos 11:27-30: "... 29 E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. ..."

Note, na narrativa, que foi proporcionalmente aos seus recursos que os irmãos em Antioquia contribuíam para os irmãos que sofriam na Judéia. Em outras palavras, deram de acordo com suas capacidades.

2 Coríntios 9:7: "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."

Aqui, Paulo dá direções à igreja, para que deem aquilo que têm proposto em seus corações. Note que o apóstolo não lhes diz quanto dar, nem lhes impõe uma percentagem fixa como padrão. Ele simplesmente lhes diz que, o que quer que tenham decidido, devem ir em frente e contribuir. Paulo ensina que devemos ser fiéis em fazer o bem segundo o que já tínhamos proposto em nosso coração. Mas note igualmente que o apóstolo Paulo deixa o valor a critério dos Coríntios. Não devemos permitir que outras pessoas indevidamente nos manipulem ou nos intimidem psicologicamente ou de qualquer outra forma, levando-nos a dar por um sentimento de culpa, pressão ou ameaça. O valor tem que ser nossa própria decisão.

Estes textos do Novo Testamento nos ensinam que Deus deixa decidirmos sobre o valor das nossas contribuições. Devemos dar em proporção aos nossos meios e a como Deus nos tem prosperado; ...  mas, ao final, somos livres para darmos aquilo que temos o desejo de dar. À medida que o tempo passa, as instituições religiosas criam táticas, rituais  e  campanhas pressionado a dar mais e mais. Permita-me submeter-lhe que tudo isto corre em direção contrária aos ensinos do Apóstolo em 2Co 9:7 (ver acima). A vontade de Deus é que, quando vemos uma necessidade, oremos ferventemente por direção sobre como podemos satisfazer aquela necessidade. Então, com base na nossa situação financeira, contribuamos com um coração prazeroso e alegre. 

O propósito do nosso contribuir

A quais tipos de necessidades devemos usar nosso dinheiro para satisfazer? Será que o Novo Testamento nos dá alguma luz sobre este importante assunto? As Escrituras são muito claras nesta área. O Novo Testamento ensina que há três propósitos para nosso contribuir:

1. Satisfazer as necessidades dos santos:

Este tema é como um fio que vai através de toda a Escritura. Consideremos alguns textos:

Atos 2:44-45 "44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. 45 E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister." O espírito de amor e generosidade era tão grande, na igreja primitiva, que os crentes, de própria vontade e alegremente, abriram mão de suas próprias propriedades e possessões, para ministrarem às necessidades dos outros santos. Eles chegaram mesmo ao ponto de vender suas terras e casas para tomarem conta um do outro (Atos 4:34).

1 João 3:17"Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?"

Gálatas 6:9-10 "9 E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. 10 Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé." Embora o "façamos bem"  não seja claramente definido, seguramente incluiria o contribuirr para satisfazer as necessidades dos domésticos da fé.

Em adição a estes claros textos, lemos também, em Mt 25:31-40, que, quando Cristo voltar, separará as ovelhas dos bodes. As ovelhas são descritas como aqueles que alimentaram Cristo quando ele estava faminto, deram-lhe de beber quando estava sedento, vestiram-no quando estava nu. Quando as ovelhas replicam: "Senhor, quando ... e te demos de comer?  ... e te demos de beber? 38 ... e te hospedamos?  ... e te vestimos? 39  ... e fomos ver-te?"  Cristo responde " Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." Aqui, Jesus nos diz claramente que quando usamos nosso dinheiro para vestir e alimentar os irmãos de Cristo (crentes, de acordo com Mt 12:50 "... qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe."), estamos ministrando a ele. Ademais, 1Tm 5:16 "... para que se possam sustentar as que deveras são viúvas." dá instruções sobre como a igreja deve sustentar viúvas desvalidas. Ainda mais, temos visto, nos textos já citados, as muitas exortações do apóstolo Paulo para contribuir para os santos pobres em Jerusalém. Portanto, é bastante claro que uma das prioridades do contribuir no Novo Testamento é satisfazer as necessidades dos santos. VOCÊ VER ALGUMA DENOMINAÇÃO FAZENDO ISSO ATUALMENTE?

2. Satisfazer as necessidades dos obreiros cristãos:

Além de usarmos nosso dinheiro para satisfazer as necessidades dos nossos irmãos e irmãs em Cristo, as Escrituras também nos levam a usar nosso dinheiro para sustentar os que trabalham na obra do Senhor. Consideremos as seguintes passagens:

1 Timóteo 5:17-18: "17 ¶ Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; 18 Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário."

Neste texto, "honra" tem que significar mais que meras estima e respeito, pois, no verso 3 do mesmo capítulo, Paulo manda a Timóteo "Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas." Honrar estas viúvas é prover para elas (v. 8) e assisti-las (v. 16). Portanto, quando Paulo menciona "honrar" os anciãos que trabalham duramente na pregação e ensino da Palavra, imediatamente depois que ele mencionou honrar as viúvas, Paulo tem que ter a mesma coisa em mente -- prover e assistir aos presbíteros financeiramente, de modo que possam se dedicar ao trabalho de labutarem na Palavra. Um presbítero que ensina é como um boi que deve ser permitido comer enquanto está debulhando. Em outras palavras, deve ser sustentado e cuidado enquanto está trabalhando com todo esforço. Ele também é como um operário, o qual é digno de seu salário. A uniforme prática apostólica do Novo Testamento foi a de apontar presbítero para superintenderem as igrejas que os apóstolos plantavam. Paulo simplesmente está dirigindo as igrejas a proverem e assistirem financeiramente estes anciãos, de modo que possam dar seu tempo à tarefa de ministrarem ao rebanho.

1 Coríntios 9:6-14 "6 Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? 7 Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? 8 Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? 9 Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? 10 Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. 11 Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? 12 Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo. 13 Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? 14 Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho."

Nesta passagem Paulo está clamando que os apóstolos tinham todo o direito de abster-se de viverem de trabalhos seculares e todo o direito de receberem o sustento material daqueles a quem serviam. De fato, Paulo assevera que o Senhor mandou àqueles que proclamam o evangelho que obtenham seu viver do evangelho.  Certo dia, sintonizei uma FM gospel de Fortaleza, onde moro. Era um debate, e o pastor presidente de uma grande denominação da AD, proprietário da rádio, criticava severamente o sistema de arrecadar das outras denominações. E por fim Ele revelou que não era diferente. Falou que o dízimo é sagrado ( todos é obrigado a devolver) e que pastor na sua igreja não recebe ajuda financeira, tem que trabalhar.

Filipenses 4:15-18 "15 E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente; 16 Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica. 17 Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta. 18 Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus."

Neste texto o apóstolo declara expressamente que a contribuição que os filipenses lhe haviam enviado foi um fragrante aroma, um sacrifício aceitável, e foi agradável a Deus. O próprio Deus nos tem dado sua aprovação para usarmos nosso dinheiro para sustento de fiéis obreiros cristãos. Portanto, é importante que o povo de Deus utilize seus recursos financeiros para sustentar obreiros cristãos, quer sejam anciãos de uma igreja local, ou evangelistas itinerantes, ou missionários.

3. Satisfazer as necessidades dos pobres:

Em adição ao uso do nosso dinheiro para satisfazer às necessidades dos santos e dos obreiros cristãos, as Escrituras também nos mandam usar nosso dinheiro na satisfação das necessidades dos pobres. Considere os seguintes textos:

Lucas 12:33-34 "33 Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. 34 Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração."

Efésios 4:28 "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade."

Aqui a pessoa que sofre a necessidade não é identificada como crente, mas presumivelmente pode ser qualquer um padecendo privação.

Tiago 1:27 "A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo."

Visitar órfãos e viúvas em suas necessidades tem que significar mais que fazer-lhes uma mera visitinha social. Está implícita, na declaração, a idéia de ajudar estes órfãos e viúvas, o que, sem dúvidas, requereria ofertar sacrificialmente.

Como temos visto, podemos desta maneira sumariar o ensino do Novo Testamento sobre o propósito do contribuir --

[a] satisfazer as necessidades dos santos,

[b] satisfazer as necessidades dos obreiros cristãos, e

[c] satisfazer as necessidades dos pobres.

Note que o ofertar, no Novo Testamento, é sempre para satisfazer as necessidades das pessoas, não da instituição. É interessante que aquela coisa na qual a igreja brasileira gasta a maior parte do seu dinheiro, com shows, televisão com programação secular e algumas vezes até anticristão, mansões, jatinho, Mega Templo etc... de modo algum mencionada no Novo Testamento. A igreja primitiva não se reunia em prédios especiais. Eles se reuniam em casas. Assim, não havia despesa "que não fosse diretamente com o evangelho e com pessoas" tal despesa, só faria drenar a energia e as finanças da igreja. Desta maneira, todas as ofertas do povo de Deus podiam ir diretamente para satisfazer as necessidades de pessoas.

Incidentalmente, não há nas Escrituras nada de que eu tenha conhecimento e que exija que todo nosso ofertar ao Senhor tem que ser primeiramente entregue aos líderes da igreja, e depois distribuídos por eles conforme eles o prefiram. De fato, creio que algumas das nossas contribuições devem ser feitas diretamente de pessoa para pessoa, para preservarmos o anonimato (Mt 6:1-4

Como devemos ofertar

Além de nos iluminar sobre o valor total e sobre o propósito do nosso contribuir, as Escrituras nos ensinam diversas coisas sobre como devemos contribuir.

1. Devemos ser anônimo ao contribuir

Em Mateus 6:1-4 1 ¶ Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3 Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; 4 Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.

Jesus nos ensina a ofertar em segredo, para que aquele que vê em segredo nos recompense. Este tipo de ofertar é preferível pois protege o ofertador de orgulho espiritual. Quando você quiser dar uma oferta a alguém, procure maneiras de satisfazer a necessidade que você percebeu, sem que o beneficiário jamais saiba quem deu o dinheiro. Hoje nas instituições religiosas o "dízimo", obrigatório, percentual fixo tem seu envelope onde você declara o valor e todos sabem o quanto você contribuiu.

2. Nossa contribuição deve ser voluntária

2 Coríntios 8:3-4 diz "3 Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. 4 Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos."

Somos aqui ensinados que as igrejas da Macedônia deram de suas próprias vontades. Ninguém os estava manipulando emocional e psicologicamente.. Em 2Cor 9:7 Paulo diz "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." Se não devemos contribuir com tristeza ou sob compulsão externa, então devemos contribuir voluntariamente de ânimo pronto, com prazer e alegria. Deus quer que nossa contribuição provenha do nosso coração. Ele quer que contribuamos porque temos todo o desejo de fazê-lo.

3. Devemos contribuir na expectativa que Deus nos ajudará a continuar contribuindo mais abundantemente.

Quando contribuímos, devemos esperar que Deus nos abençoe nesta presente vida. Consideremos os ensinos do apóstolo Paulo.

2 Coríntios 9:6 "E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará."

Devemos contribuir abundantemente. Se não dermos nada ou se dermos muito pouco, só podemos esperar muito poucas bênçãos. Mas, se dermos com uma mão aberta e generosa, podemos esperar que colhamos abundantemente. " Muitos têm torcido 2Cor 9:9 como se ensinasse que Deus quer que contribuamos tendo, dentro de nós mesmos, o objetivo de recebermos. Este tipo de ensino apela para a carne, e faz crescer um espírito de avareza e cobiça nos crentes. Mas, ao contrário disto, Paulo nesta passagem está ensinando que devemos contribuir com o objetivo de recebermos mais para podermos contribuir ainda mais. Vejamos como Paulo expressa isto, nos versos 8-11: "8 E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, A FIM DE QUE, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; 9 Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre. 10 Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; 11 Para que em tudo enriqueçais PARA toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus." Notemos, nesta passagem, que Paulo está asseverando que Deus abençoará o contribuir generoso fazendo toda a graça abundar sobre o contribuidor, para que, em consequência, este tenha uma abundância para toda boa obra. Ademais, Deus promete multiplicar a semente do contribuidor para semear e promete aumentar a colheita de sua retidão. Estas passagens sem dúvida alguma apontam para o fato de que Deus abençoa aqueles que contribuem, de modo que possam dar ainda mais. É muito interessante que isto seja exatamente o que os Provérbios de Salomão nos ensinam, embora tenham sido escritos centenas de anos antes.

Provérbios 19:17 "Ao SENHOR empresta o que se compadece do pobre, Ele lhe pagará o seu benefício."

Provérbios 11:24-25 "24 ¶ Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda. 25 ¶ A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido."

Em adição, também devemos esperar que Deus nos abençoará na vida futura. Se há uma coisa que a Bíblia deixa muito clara é que, quando contribuímos, estamos entesourando para nós mesmos tesouros no céu. Note a ênfase nos tesouros celestiais, futuros, nas seguintes passagens:

Mateus 6:19-21 "19 ¶ Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; 20 Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. 21 Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."

Lucas 12:33 "Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói."

1 Timóteo 6:18-19 "18 Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; 19 Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna."

Em todas estas passagens (quer dirigidas aos discípulos, ao rico jovem proprietário, ou aos opulentos crentes de Éfeso) a mensagem é a mesma -- o generoso contribuir será recompensado por tesouros celestiais. Preferirias tu ter seu tesouro na terra, onde perecerá, ou no céu, onde o gozarás eternamente? Tua resposta a esta pergunta terá muito a ver com o como verás e usarás tuas riquezas. O sistema religioso da atualidade impõem aos fieis o desejo de construir tesouro na terra. Inculcam através de técnicas, as vezes até contrária a Bíblia, o desejo materialista e carnal, é mais ou menos parecido com aquela proposta do Diabo: "tudo isso te darei , se me adorares".

4. Devemos contribuir com ânimo e com alegria

Em 2Coríntios 9:7 nós aprendemos qual espírito devemos ter ao contribuirmos "Cada um contribua segundo propós no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."

Se cada crente soubesse quão grande chuva de bênçãos gozaríamos através do contribuir, seríamos como os crentes da Macedônia, que imploraram a Paulo para terem a oportunidade de contribuir (2Cor 8:3-4)! Contribuir da maneira como a escritura revela, deveria ser visto como um grande privilégio, não como uma pesada carga ou um doloroso dever. Deus não deseja que seu povo oferte movido por um sentimento de compulsão, ser empurrado à força e contra a vontade, mas sim movido por uma atitude de alegria e animação. A suprema e definitiva passagem no NT que declara a atitude com a qual devemos contribuir, descrevê-la como "com alegria". Que Deus nos ajude a contribuir em um espírito que O honre!

5. Devemos algumas vezes contribuir com sacrifício.

Nas Escrituras temos vários exemplos onde Deus olha com aprovação para o nosso contribuir sacrificial:

2 Coríntios 8:1-5 "1 ¶ Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedónia; 2 Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. 3 Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. 4 Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. 5 E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus."

Logo de partida, notemos que os crentes macedônicos tinham pouquíssimos dinheiro e bens. São descritos como estando suportando muita aflição e experimentando profunda pobreza. Apesar de tudo, também é dito que tinham contribuído além das suas possibilidades! Que Deus nos habilite a os imitarmos em nossas próprias vidas!

Podes tu afirmar que teu contribuir é caracterizado por um espírito de sacrifício com felicidade? Teu contribuir realmente te é custoso? Realmente representa um sacrifício? Na realidade, não é quanto contribuímos que é tão importante, mas sim quanto é que resta e guardamos para nós mesmos, depois de contribuirmos. Que nosso grande e glorioso Deus nos habilite a praticarmos um gozoso e sacrificial contribuir!

A motivação do nosso contribuir

Agora que já temos visto os que as Escrituras nos ensinam com referência ao total, ao propósito, e à maneira de contribuirmos, voltemo-nos para examinar o que a Bíblia nos ensina sobre qual deve ser a motivação do nosso ofertar.

1. O exemplo de Cristo

O apóstolo Paulo da o exemplo de Jesus Cristo para estabelecer qual deve ser nossa maior motivação. Considere as palavras de Paulo em 2Cor 8:9, "Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis." Cristo era infinitamente rico em sua existência pré-encarnação, no céu. Era incessantemente adorado por uma grande hoste de seres angelicais. Sendo Deus, exercia onipotência, onisciência e onipotência. Juntamente com o Pai e o Espírito Santo, reinava sobre todo o universo que tinham criado. Todavia, Cristo de livre vontade escolheu se tornar pobre. Jogou no chão seu direito ao exercício independente de seus atributos. Nasceu em um estábulo e foi criado por pais muito pobres. Viveu uma vida obscura e simples.  Dependeu do Deus- Pai para toda a sua sobrevivência. Nunca acumulou possessões durante todo o tempo de sua vida; na verdade, parece que as únicas possessões que ele podia chamar de suas foram as roupas sobre suas costas. Ao final de sua vida, pela própria vontade ele entregou a única coisa que ainda lhe restava, sua própria vida. Ao depor sua vida Jesus estava dando tudo, para nos livrar dos nossos pecados. Embora fosse rico, tornou-se pobre.

E qual foi o propósito deste grande ato de sacrifício? Foi que, através de sua pobreza, nós nos tornássemos ricos. Nós, aqueles que cremos nele, temos herdado grandes riquezas: perdão, adoção, justificação, Deus o Espírito Santo habitando em nós, paz com Deus, acesso a Deus, santificação, e a glória eterna que em breve virá! Não nos contentemos em dar uma pequena fração de nossa renda. Oremos que Deus nos habilite a dar mais e mais, para ajudar pessoas sofrendo e para expandir o reino de Deus através do mundo! Os nossos recursos não deve ser usados para comprar mansões, jatinhos, emissora de televisão, fazendas, imóveis, investir em paraíso fiscal. Há um princípio bíblico que os defensores dos dízimos esqueceu: A prosperidade na antiga aliança estava ligada a ajudar os necessitados, Deus usou os profetas para denunciarem quando Israel esquecia desta prática, e em Malaquias 3 o texto preferido dos defensores dos dízimos, quando Deus afirma que o homem estava O roubando, estava se referindo a falta de contribuir para ajudar os necessitados e dos levitas proverem alimentação dos que trabalhavam no templo ( levar o dízimo a casa do tesouro). Na nova aliança ente princípio e afirmado como vimos acima.

2. A ordem de Cristo:

Não apenas temos o exemplo de Cristo para nos motivar, como também temos sua ordem. Jesus expressou-se muito claramente em João 15:12-13, "12 O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.". Jesus, nesta passagem, está ordenando aos seus seguidores que amem um ao outro de modo idêntico àquele com que Ele os amou -- a saber, sendo totalmente dedicado a eles. Este tipo de dedicação tem que, pela própria natureza do caso, incluir a vontade de darmos dos nossos recursos para ajudarmos um ao outro. Jesus deu tudo, inclusive sua própria vida, por nós. É deste modo que somos ordenados amar um ao outro. Saberemos se realmente amamos nossos irmãos e irmãs quando estivermos desejosos de abrir nossa carteiras ou talões de cheque e dar para satisfazer suas reais necessidades. Que Deus nos habilite a seguirmos seu Filho em obediência!

CONCLUSÃO
As Escrituras nos ensinam que o dízimo não é obrigatório para os crentes da nova aliança. As mesmas Escrituras também nos ensinam que os crentes devem ser contribuintes voluntários, generosos.
Fonte de Pesquisa

Brian Anderson , Milpitas Bible Fellowship, 1715 e. Cola Veras Blvd, ca 95035 , traduzido por Hélio Menezes da Silva. disponível eletronicamente em: http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComRiquezas/DizimoVT-X-DadivarNT-Anderson.htm