quinta-feira, 10 de novembro de 2011

UNITAS FRATRUM

O embrião da Sociedade Missionária Unitas Fratrum. Leia este artigo tirado da revista Ultimato.

A tua palavra é a verdade: a saga dos Irmãos Morávios

Os irmãos morávios e a igreja valdense são os únicos grupos protestantes atuais cujas raízes mais remotas são anteriores à Reforma do século 16. Os valdenses tiveram suas origens em um movimento reformista iniciado por volta de 1175 por Valdès, um comerciante de Lião, no sul da França. Expulsos da Igreja Católica em 1184, seus simpatizantes enfrentaram heroicamente séculos de perseguição, abraçando eventualmente a Reforma Protestante. Refugiaram-se principalmente nos vales alpinos do norte da Itália, na região conhecida como Piemonte, a sudoeste de Turim. Os irmãos morávios, por sua vez, têm uma história ainda mais complexa, mas não menos inspiradora, cujos primórdios remontam à Inglaterra do final do século 14.

De João Wyclif a João Hus

John Wyclif (c.1325-1384) nasceu em Yorkshire, estudou na Universidade de Oxford e abraçou o sacerdócio. Na década de 1360, adquiriu grande reputação em Oxford e outros centros intelectuais como brilhante professor e escritor de filosofia. Posteriormente, tornou-se conselheiro teológico do rei e prestou serviços à coroa inglesa. Defendeu a teoria de que o poder civil tinha o direito de se apoderar das propriedades do clero corrupto. Suas opiniões foram condenadas pelo papa em 1377, mas ele teve o apoio de pessoas influentes e do povo. Após o Grande Cisma (1378), com a existência simultânea de dois papas rivais, suas idéias tornaram-se mais radicais e ele acabou por rejeitar toda a estrutura tradicional da igreja medieval. Em uma série de tratados teológicos, afirmou a autoridade suprema das Escrituras, definiu a igreja verdadeira como o conjunto dos eleitos, e questionou o papado e a transubstanciação. Além disso, incentivou a primeira tradução da Bíblia completa para a língua inglesa (1384).

Eventualmente, Wyclif perdeu o apoio da nobreza e de muitos simpatizantes, mas viveu em paz os seus últimos anos, vindo a falecer em sua paróquia, Lutterworth, no dia 28 de dezembro de 1384. Seus seguidores, conhecidos como lolardos, foram duramente reprimidos nas décadas seguintes. Ensinavam que a missão principal de um sacerdote era pregar as Escrituras e que a Bíblia dever ser acessível a todos nas várias línguas vulgares. Essas idéias contribuiriam para a ampla aceitação da Reforma Protestante pelos ingleses no século 16.

No século 14, a Boêmia (Tchecoslováquia) fazia parte do Sacro Império Germânico. Politicamente, o país estava dividido por conflitos entre os tchecos e a comunidade imigrante alemã, mais poderosa. Em 1382, a Boêmia, até então pouco ligada à Inglaterra, aproximou-se deste país por meio do casamento de uma princesa tcheca com o rei Ricardo II. Jovens tchecos passaram a estudar em Oxford e conheceram as doutrinas de Wyclif, que logo levaram para a sua terra, especialmente para a Universidade de Praga (fundada em 1348). Entre os professores que abraçaram muitas idéias de Wyclif estava o ardoroso Jan Hus (c. 1373-1415).

Hus nasceu na vila de Husinec, estudou na Universidade de Praga e foi ordenado sacerdote em 1400. Pouco antes da ordenação teve uma experiência de conversão pelo estudo da Bíblia e se tornou um zeloso defensor de reformas eclesiásticas. Além de lecionar na universidade, em 1402 foi nomeado pregador da Capela de Belém, o centro do movimento reformista tcheco, alcançando enorme popularidade por suas pregações. Como João Wyclif, ele ensinava que a igreja verdadeira consiste somente dos eleitos, dos quais o cabeça é Cristo, e não o papa. Embora defendesse a autoridade tradicional do clero, Hus afirmava que somente Deus pode perdoar pecados. Acreditava que nem o papa nem os cardeais podiam estabelecer como autêntica uma doutrina que fosse contrária à Escritura, e que nenhum cristão devia obedecer às suas ordens quando estas se revelassem abertamente erradas. Dizia que a igreja devia ter uma vida de simplicidade e pobreza, à semelhança de Cristo. A única lei da igreja era a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, daí a grande importância da pregação. Condenou a corrupção do clero, a adoração de imagens, os falsos milagres, as peregrinações supersticiosas e a venda das indulgências, mas manteve a transubstanciação.

A partir de 1410, as autoridades eclesiásticas e seculares começaram a tomar medidas drásticas contra os wyclifitas. Apesar de ser altamente estimado pelo povo, Hus foi excomungado e seguiu para o exílio no sul da Boêmia, onde escreveu sua principal obra, De Ecclesia (Sobre a Igreja). Munido de um salvo-conduto fornecido pelo imperador alemão Sigismundo, compareceu ao célebre Concílio de Constança (1414-1418), no sul da Alemanha, a fim de justificar as suas posições. Em 4 de maio de 1415, o concílio condenou formalmente João Wyclif como herege e ordenou que o seu corpo fosse retirado da terra consagrada (essa ordem só seria cumprida em 1428). Hus, considerado por todos um wyclifita, recusou-se firmemente a abjurar as suas idéias. No dia 6 de julho de 1415 foi sentenciado e queimado na fogueira, enfrentando a morte com grande coragem e dignidade.

A Unitas Fratrum e os Irmãos Morávios

A notícia da morte de Hus produziu grande revolta na Boêmia, que seria agravada pela condenação do seu amigo e colega Jerônimo de Praga, também levado à fogueira pelo Concílio de Constança, em 30 de maio de 1416. Outra fonte de protestos foi a proibição, pelo mesmo concílio, da ministração do cálice da Ceia aos leigos, prática que se tornara o símbolo do movimento hussita. Surgiram duas facções no movimento: um partido moderado e aristocrático, sediado em Praga, conhecido como utraquistas (referência à comunhão sub utraque, isto é, “em ambas” as espécies) ou calixtinos (do latim calix = cálice), e um partido radical, popular, os taboritas (de Tábor, a sua fortaleza). Os primeiros rejeitaram somente as práticas que consideravam proibidas pela “lei de Deus”, a Bíblia, ao passo que os taboritas repudiavam todas as práticas não sancionadas expressamente pelas Escrituras.

Após um período de conflitos, as duas facções se uniram em 1420, adotando uma agenda religiosa comum, “Os Quatro Artigos de Praga”, que exigiam a livre pregação da Palavra de Deus, o cálice para os leigos, a pobreza apostólica e uma vida de austeridade para clérigos e leigos. Durante alguns anos, eles se envolveram em várias guerras vitoriosas contra os seus adversários. Uma tentativa de acordo com a igreja católica produziu novas lutas internas, sendo os taboritas derrotados pelos utraquistas em 1434, na batalha de Lipany. Fracassado o acordo com o catolicismo, os utraquistas tornaram-se um grupo religioso autônomo, cuja plena paridade com os católicos foi declarada pelo Parlamento da Boêmia em 1485. Alguns anos antes, em 1457, havia surgido a Unitas Fratrum (Unidade dos Irmãos Boêmios), reunindo elementos taboritas, utraquistas e valdenses. Essa igreja absorveu o que havia de mais vital no movimento hussita e tornou-se a precursora dos irmãos morávios.

Com o advento da Reforma, os “irmãos unidos” abraçaram o protestantismo. Nessa época, eles contavam com cerca de 400 igrejas locais e 150 a 200 mil membros na Boêmia e na vizinha Morávia. Expulsos de sua pátria durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), espalharam-se por diversas regiões da Europa e perderam muitos adeptos. Um ano especialmente amargo foi 1621, quando quinze irmãos foram decapitados no “dia de sangue”, muitos crentes foram mandados para as minas ou masmorras, igrejas foram fechadas, escolas destruídas, Bíblias, hinários e catecismos foram queimados. Os poucos remanescentes continuaram a realizar as suas funções religiosas em segredo e a orar pelo renascimento da sua igreja. Um importante líder desse período aflitivo foi o notável educador Jan Amos Comenius (1592-1672), eleito bispo dos irmãos morávios em 1632.

O conde Zinzendorf e Herrnhut

Em 1722, sobreviventes dos irmãos unidos que falavam alemão, residentes no norte da Morávia, começaram a buscar refúgio na vizinha Saxônia, sob a liderança de um carpinteiro, Christian David. O jovem conde Nikolaus Ludwig von Zinzendorf (1700-1760) permitiu que eles fundassem uma vila em sua propriedade de Berthelsdorf, cerca de 110 quilômetros a leste de Dresden. Zinzendorf era fruto do pietismo, um influente movimento que havia surgido recentemente no luteranismo alemão. Esse movimento teve como líderes iniciais Phillip Jacob Spener (1635-1705) e August Hermann Francke (1663-1727), sendo seu principal centro de atividade a cidade de Halle, também na Saxônia, a terra de Martinho Lutero. Os pietistas davam grande ênfase à devoção, à experiência e aos sentimentos, em contraste com a ortodoxia, credos e rituais. Também valorizavam a conversão pessoal, o sacerdócio universal dos crentes, o estudo das Escrituras, os pequenos grupos para comunhão e auxílio mútuo, e um cristianismo prático voltado para educação, missões e beneficência.

Nascido em uma família aristocrática, Zinzendorf recebeu uma educação pietista em Halle dos 10 aos 17 anos. Desde a infância revelou uma intensa devoção pessoal a Cristo e mesmo depois de ingressar no serviço público, em 1721, continuou a ter como interesse predominante o cultivo da “religião do coração”. Foi então que entrou em contato com os morávios. A vila que estes fundaram em sua propriedade recebeu o nome de Herrnhut (“a vigília do Senhor”). A comunidade cresceu e logo se uniram a ela muitos pietistas alemães e outros entusiastas religiosos. Inicialmente Zinzendorf lhes deu pouca atenção, mas em 1727 começou a assumir a liderança espiritual do grupo. Superadas algumas divisões iniciais, no dia 13 de agosto de 1727 foi realizado um marcante culto de comunhão que veio a ser considerado o renascimento da antiga Unitas Fratrum, a Igreja Morávia renovada. A partir de então, Herrnhut tornou-se uma disciplinada e fervorosa comunidade cristã, um corpo de soldados de Cristo ansioso em promover a sua causa no país e no exterior.

Embora Zinzendorf desejasse que os morávios permanecessem como membros da igreja estatal da Saxônia (luterana), gradualmente eles formaram uma igreja separada. Em 1745 a Igreja Morávia já estava plenamente organizada com seus bispos, presbíteros e diáconos, embora seu governo fosse, e ainda seja, mais presbiteriano que episcopal. A essa altura o moravianismo estava criando uma liturgia de grande beleza e uma rica tradição hinológica. A Igreja Morávia restaurada permaneceu pequena, mas sua influência se fez sentir em toda a Europa. Seus primeiros bispos foram David Nitschmann (1735) e o próprio Zinzendorf (1737), que, após uma vida de intensa atividade missionária e pastoral na Europa e na América do Norte, faleceu em Herrnhut em 1760. Certa vez havia declarado, referindo-se a Cristo: “Eu tenho uma paixão; é ele e ele somente”.

Até aos confins da terra

Com o seu zelo por Cristo, os morávios escreveram uma das páginas mais nobres das missões cristãs em todos os tempos. Nenhum grupo protestante teve maior consciência do dever missionário e nenhum demonstrou tamanha consagração a esse serviço em proporção ao número de seus membros. Numa viagem a Copenhague para assistir à coroação do rei dinamarquês Cristiano VI, Zinzendorf conheceu alguns nativos das Índias Ocidentais e da Groenlândia. Regressou a Herrnhut cheio de fervor missionário e, em conseqüência disso, Leonhard Dober e David Nitschmann iniciaram uma missão aos escravos africanos em St. Thomas, nas Ilhas Virgens, em 1732, e Christian David e outros seguiram para a Groenlândia no ano seguinte.

Em 1734, um grupo liderado por August Gottlieb Spangenberg (1704-1792) começou a trabalhar na Geórgia. No Natal de 1741, o próprio Zinzendorf visitou a América e deu o nome de Bethlehem (Belém) à colônia que os morávios da Geórgia estavam criando na Pensilvânia. Essa cidade se tornaria a sede americana do movimento. O mais famoso missionário morávio aos índios norte-americanos foi David Zeisberger (1721-1808), que trabalhou entre os creeks da Geórgia a partir de 1740 e entre os iroqueses desde 1743 até a sua morte.

Herrnhut tornou-se um centro de atividade missionária, iniciando missões no Suriname, Costa do Ouro, África do Sul, Argélia, Guiana, Jamaica, Antigua e outros locais. Em 1748, foi iniciada uma missão aos judeus em Amsterdã. Até 1760, o ano da morte de Zinzendorf, os morávios haviam enviado 226 missionários a dez países e cerca de 3 mil conversos haviam sido batizados. Outros locais alcançados posteriormente foram Egito, Labrador, Espanha, Ceilão, Romênia e Constantinopla. Em 1832, havia 42 estações missionárias morávias ao redor do mundo. Os nomes dos primeiros campos missionários mostram uma característica do trabalho morávio: eram em geral locais difíceis e inóspitos, exigindo uma paciência e dedicação toda especial, traço que até hoje caracteriza o trabalho missionário desse grupo.

Conclusão

Com seu heroísmo, apego às Escrituras e consagração a Deus, os irmãos morávios, embora pouco numerosos, exerceram uma forte influência espiritual sobre outros grupos e movimentos protestantes, especialmente na Inglaterra. A convivência com alguns morávios causou profundo impacto em João Wesley e contribuiu para a sua conversão e o surgimento do metodismo. William Carey, o pioneiro das missões batistas, os admirava grandemente e apelou para o seu exemplo de obediência. Eles também inspiraram a criação de duas das primeiras agências protestantes de missões — a Sociedade Missionária de Londres (1795) e a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (1804). Assim completou-se um ciclo extraordinário: a obra do pré-reformador inglês João Wyclif contribuiu para o surgimento dos morávios e, séculos depois, estes foram uma bênção para a Inglaterra e, por meio dela, para muitos outros povos.

Autor: Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Fonte de Publicação: Revista Ultimato de janeiro de 2009 (www.ultimato.com.br)

Obs. O texto está na integra como foi publicado.

sábado, 5 de novembro de 2011

Convivendo com pensamentos diferentes IV

Na época do novo testamento, existiam alguns grupos que acreditavam que podiam mudar o destino de Israel através da política, das instituições e outros acreditavam que isso somente seria possível com uma revolução armada. Os herodianos, os saduceus e os zelotes, eram grupos que pensavam diferentemente sobre este assunto. O primeiro na política, o segundo nas instituições e o terceiro numa revolução. Como já comentei em postagem anterior sobre os saduceus, nesta postagem vou me ater nos zelotes e nos herodianos.

Os zelotes eram um grupo religioso e revolucionário que acreditava que a submissão a roma fosse traição a Deus. Organizaram-se militarmente no século I a.C. opondo-se a ocupação romana de Israel. Procuravam incitar o povo Judeu a rebelar-se contra o império romano, e expulsar os romanos pela a força armada. Atacavam a noite e eram o terror dos soldados romanos. Também foram conhecidos como cananitas.

Seus simpatizantes eram oriundos da classe baixa de Israel, dos que não tinham status nem pedigree religioso para tirar proveito, como os saduceus e os fariseus. Não tinham nada a perder. Atuaram primeiro na Galiléia, mas durante a Guerra Judaica –romana (66-70), tiveram um papel ativo na Judéia e provocaram a rebelião que culminou com a destruição de Jerusalém em 70 d.C.

Respeitavam o Templo e a Lei. Opunham-se ao helenismo. Professavam um messianismo radical e só acreditavam em um governo teocrático, ocupado por judeus. Viam na luta armada o único caminho para enfrentar aos inimigos e acelerar a instauração do Reino de Deus.

Alguns autores apontam que um de discípulos de Jesus é chamado de Simão, o Zelote em Lucas 6:15 e Atos 1:13, poderia ter pertencido a este grupo antes de se unir a Jesus.

Os herodianos eram um grupo político religioso que amparou a política e o governo da família dos Herodianos, principalmente durante o reinado de Herodes Antipas, que governou a Galiléia e Peréia nos tempos de Jesus.

Em diversas ocasiões os herodianos foram opositores de Jesus (Mt 22:16 Mc 3:6 12:13-17). Nesta ocasião eles unem aos fariseus e saduceus buscando matar Jesus e armando siladas, tentando apanhar Jesus com uma pergunta sobre o pagamento de impostos a César. Alguns autores acreditam que as referências neotestamentárias aos amigos e funcionários do tribunal de Herodes também estão relacionadas aos herodianos (Mc. 6:21, 26; Mt. 14:1-12; 23:7-12).

Os herodianos visavam a fundação de um novo império Judaico independente do governo de Roma e governado pelos Herodes. Esta seita desapareceu com o efetivo domínio romano na região palestina.

O pensamento religioso neopentecostal brasileiro tem uma dose de fermento do zelotismo e do herodianismo. Acreditam que devem tomar posse dos bens materiais para ser usado a serviço da obra do Senhor. E assim fará prosperar os da fé e impor na sociedade um capitalismo cristão. Não aceitam que um “ímpio” seja mais abastado que um cristão.

Como já postei anteriormente este tipo de pensamento no movimento gospel brasileiro teve influência do reconstrucionismo cristão que defende que a igreja deve conquistar o mundo antes do retorno de Cristo, portanto deve controlar as instituições do mundo e convertê-las ao cristianismo.

Este é um comportamento perigoso para os cristãos hodiernos, pois todas as vezes que a igreja se misturou com a política secular, houve degeneração e apostasia da fé.

Próximo ano vai ter eleições no país, o que não faltará é pastores se candidatando a cargos políticos e fazendo analogia do espinheiro para fundamentar suas decisões. Mais será que os crentes conquistando o poder nas instituições ou no congresso nacional haverá convenção ao verdadeiro cristianismo? Como é o histórico dos evangelhos no congresso nacional?

A história dos evangélicos no congresso nacional é feia, sem propósito, se vendem em troca de uma concessão de emissora de rádio ou de doação de terreno para a sua denominação. Há pouco tempo atrás vemos a atuação dos políticos evangélicos escandalizar o país na CPI das Sanguessugas.
A Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional possuia 60 integrantes. Desses 29 foram investigados pela CPMI das Sanguessugas: 14 da Igreja Universal do Reino de Deus; 10 das Assembléias de Deus, 2 da Igreja do Evangelho Quadrangular; 2 da Batista; e 1 da Internacional da Graça.
Em minha opinião particular pastor não era para se candidatar a cargo político! Isso é desvio de função. Deus o chamou para ser pastor (Ef 4.11) e ser político está fora de sua chamada ministerial. Existem cristãos que não teve o chamado de Deus para o pastorado e que pode ser usado no congresso.

Se realmente o pastor foi chamado por Deus deve ficar com sua vocação, mais se for um manipulador de massas que usou o cargo de pastor para atingir seus anseios político e segurança secular esta no caminho certo, pois já é um caído.

Deus realmente ordena aos cristãos tomar o domínio e o poder político das mãos dos ímpios? Após a multiplicação dos pães as multidões queriam fazer de Jesus um rei. Ele podia tomar o poder político e impor um governo cristão.

Jesus antes de sua crucificação afirmou “O meu reino não é deste mundo. Se fosse, os meus súditos combateriam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas agora o meu reino não é daqui “( Jo 18:36).

O Reino de Deus não está cosmovisão do fariseu, nem do saduceu, nem do essênio, nem dos herodianos e zelotes. Ele é fundamentado no amor, que é maior que a fé e a esperança. Se você é pastor seja fiel a sua vocação, pois o cargo de pastor e superior ao cargo de político.

Marcos Avelino

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Convivendo com pensamentos diferentes III

Nesta postagem, além de expor um pouco da história dos essênios, é abordada a questão de usos e costumes e do mundanismo. Como conviver com pessoas que têm sua religiosidade baseada nesta bandeira? O texto é longo mais vale a pena ler.

Segundo Flávio Josefo, na época do segundo templo os principais grupo religiosos judeus eram: Saduceus, Fariseus e Essênios. Quando os príncipes macabeus, apossaram-se do ofício de sumo sacerdote, entristeceram os judeus conservadores, e os essênios denunciaram a situação e formaram comunidades ascéticas no deserto. Josefo refere, na ocasião, a existência de cerca de 4000 membros do grupo, espalhados por aldeias e povoações rurais.

Os essênios viviam em comunidade, cumpriam rigorosamente a lei de Moises e estudavam e procuravam viver os ensinamentos dos profetas. Dentre as comunidades, tornou-se conhecida a de Qumran, pelos manuscritos em pergaminhos que levam seu nome, também chamados Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947.

Viviam completamente separados do judaísmo de Jerusalém, o qual considerava apóstata. Consideravam-se a si mesmo “os filhos da luz”, e dividiam-se em grupos de 12 com o líder chamado “mestre da justiça”. Aguardavam o dia da batalha final, quando então haveriam de obter a vitória sobre os “filhos das trevas”.

Como os fariseus, eles guardavam todo um ritual de purificação, tomavam banho antes das refeições e a comida era sujeita a rígidas regras de expurgação. Eram radicalmente dualistas em seus conceitos.

Eles anunciavam "a nova aliança" de Deus com Israel. O cristianismo prega grande parte das praticas judaica essênias referente a ética e a pureza espiritual. Embora sua terminologia seja parecida com a do cristianismo, o conteúdo de seu ensinamento tem diferenças relevantes.

Desapareceram por volta de 73 a.c. quando da conquista da fortaleza de massada pelos romanos. Mas suas práticas e ensinamentos influenciavam sobremodo a sociedade judaica na época de Jesus. E muitos dos conceitos essênios ainda inspiram a sociedade religiosa hodierna.

João Batista tinha muito da influência dos essênios no seu comportamento. Vivia no deserto, não bebia vinho (Lc 7.33)e se referia aos fariseus e saduceus como raça de víbora. (Mt 3.7). E como Jesus reagiu ao modo de pensar essênio se a maior parte dos ensinamentos de Jesus era o mesmo ideal essênio de vida espiritual?

A principal diferença dos ensinamentos de Jesus com a prática dos essênios estava no ponto dos essênios se isolarem dos outros Judeus por se acharem superiores espiritualmente. Por isso Jesus afirmou em Mt. 5.14-16 “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

Nos dias hodiernos podemos comparar o comportamento essênio com os que tentam servir a Deus em mosteiros, afastado de todos, ou em grupo religioso que se isolam dos outros por pensar que apenas eles são detentores da verdade.

O dualismo essênio, assim como o dualismo grego tem uma contribuição expressiva no comportamento religioso do nosso quotidiano. Na maioria das denominações evangélicas há uma tendência de separar o que é de Deus e o que é do mundo. Falar em mundanismo, crente mundano, e até igreja mundana é discurso comum quando encontra alguém com maneira de pensar diferente. O evangélico que segue a rigor as tradições de sua denominação, seguindo os usos e costumes, pode está vivendo um mundanismo sem dar conta disso! Vejamos o que mundo.

O capítulo da bíblia que mais fala em mundo é João 17, e Jesus faz uma separação de quem é dEle e quem é do mundo. Veja estas passagens “ Eu não estou mais no mundo ; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda-os no teu nome, o qual me deste, para que eles sejam um, assim como nós. (...) Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. (...) Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja. (Jo 17.11,21-23, 24-26)

Jesus está afirmando que ser cristão é ter unidade e amor, e ser do mundo e viver na inimizade, na ira e no ódio. O Apóstolo Paulo ensina: “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.“ (Gl 5.17-21). Viver ao contrário é ser do mundo. É preciso orar e buscar de Deus força para não negar com seu modo de viver aquilo que você prega.

Procurar ser guiado pelo Espírito, e não pela razão, ou pela vontade é a maneira de conviver entre os dualistas, sendo diferente. A bíblia afirma que todos que receberam a Jesus se tornaram filhos de Deus. (Jo 1.12) E o apóstolo Paulo afirma: “mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. (...). O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.” (Rm 8.12,16-17)

Dualismo influenciam sobremodo a linguagem de uso e costumes nas denominações pentecostais e neopentecostais brasileira. O que é de Deus e o que é do mundo. Como se Deus estivesse interessado em apenas alguns apetrechos da religiosidade. Tudo que fazemos é de Deus e pra Deus. Ele não esta alienado de nossa existência. Temos que ser uma unidade sem dualismo. O apóstolo Paulo ensina: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem. Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência; porque do Senhor é a terra e a sua plenitude. Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência. Porém, se alguém vos disser: Isto é coisa sacrificada a ídolo, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; consciência, digo, não a tua propriamente, mas a do outro. Pois por que há de ser julgada a minha liberdade pela consciência alheia? Se eu participo com ações de graças, por que hei de ser vituperado por causa daquilo por que dou graças? Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos. (I Co 10.23-33)

Você pode Julgar a você mesmo da seguinte forma: Isto que estou fazendo é para a glória de Deus ou para minha glória, para chamar atenção ou parecer diferente?

Muitos seguem a linguagem dos usos e costumes por pressão institucional. Como a linguagem dos cabelos e do véu tirada da interpretação de I Co 11.2-16. Mas o que este texto quer realmente dizer. Paulo escreve uma longa apologia com respeito ao véu e seu uso na comunidade cristã de Corinto.

O Pastor Raimundo de Oliveira comenta: “Nos dias da Igreja Primitiva, a mulher que não usasse véu nos cultos públicos agia como se tivesse rapado a cabeça. Ora, a cabe­ça rapada era algo repugnante para os judeus, já que só as adúlte­ras tinham a sua cabeça rapada, como castigo do seu crime (Nm 5.18). O mesmo acontecia com as escravas, e, às vezes, com as mulheres em luto, mas isso não era usual para as mulheres que estavam no seu estado normal.”

Também entre as religiões pagãs existiam as prostituta cultuais, que estavam ali para servir aos seus deuses nos templos, e a maioria tinha cabelos aparados. Lendo o texto de I Co 10, descrito acima, podemos entender que o apóstolo Paulo estava proibindo rapar o cabelo para não causar escândalo, pois alguém poderia imaginar que as práticas das prostitutas cultuais também fazia parte do cristianismo. Se tivesse cabelo cortado então usasse o véu.

Na época de Paulo as mulheres deveriam usar o véu, não apenas no culto, mas também, de acordo com o contexto histórico, em público, porquanto nenhuma mulher crente da igreja de corinto pensaria ser apanhada na rua sem véu. A imposição de algumas denominações religiosas hoje é de usar véu apenas no culto, usando parcialmente um texto dentro do contexto histórico, como pretexto para tentar contextualizar um costume.

Resumindo afirmo que para conviver com os que pensam dualistamente sobre o sagrado é preciso uma dose de espiritualidade e amor, não buscando seu próprio interesse, mas do outro, para não ser pedra de tropeço para ninguém como afirma o apóstolo Paulo.

Marcos Avelino

domingo, 4 de setembro de 2011

Convivendo com pensamentos diferentes II

 

Buscando ainda mostrar como Jesus se comportou diante das divergências de opinião com relação à fé, trago mais uma reflexão sobre a maneira de pensar e agir de um grupo religioso nos tempos do novo testamento – os saduceus.

Os saduceus era o segundo grupo religioso mais importante em Israel durante o ministério de Jesus. Formado em sua maioria por sacerdotes e ricos líderes judeus, divergiam do modo de pensar dos fariseus e eram os seus principais adversários. Negavam a existência do mundo espiritual e da ressurreição. “Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa”. At 23.8

O imperialismo grego sobre os judeus influenciou sobremodo a maneira de pensar dos saduceus, que queriam que o judaísmo compartilhasse das vantagens da cultura helenista. Achavam os fariseus radicais e alienados, já que os fariseus lutavam por preservar um judaísmo legítimo. Os saduceus não reconheciam a autoridade da tradição oral, já para os fariseus isso era muito importante.

Interpretavam as escrituras de forma literal e aceitavam como canônico só o pentateuco. Enquanto para os fariseus consideravam toda a escritura do antigo testamento.

Os saduceus tinham menos apoio público que os fariseus, pois a tendência popular e ter regras e rituais para externar a religiosidade. É tentar de alguma maneira materializar algo de divino para fazer parte do culto. Por isso que no encontro de Jesus com a mulher samaritana Ele diz que os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e em verdade.

Os fariseus modernos priorizam as tradições na visão de usos e costumes e os saduceus modernos divulgam o liberalismo teológico e negociam as verdades para obter vantagem pessoal. A máfia das ambulâncias é um exemplo vivo de como agem esta classe de religiosos.

Jesus combateu o comportamento religioso dos saduceus, de modo semelhante como ele combateu os fariseus. O orgulho e a falta de amor foi tema do discurso de jesus. Hoje vivemos numa sociedade repleta de neofariseus e neosaduceus. Vejamos como Jesus reagiu a lógica do pensar saduceu.

No livro de Mateus, no capítulo 16, os saduceus juntam-se aos fariseus, mesmo tendo opinião contrária, para tentarem a Jesus. Pediram algum sinal do céu. E Jesus disse que eles não conheciam os sinais dos tempos!

Em Mateus 22.23-38. Eles tentam teologicamente a Jesus. E usaram sua lógica de pensar tentando colocar jesus em situação difícil e provar que a doutrina dos saduceus com relação a ressureição era verdadeira. Jesus os fez calar afirmando que eles não conheciam as escrituras nem o poder de Deus. E afirmou que na ressureição ninguém casa ou dava-se em casamento, e que Deus não é Deus dos mortos e sim dos vivos!

Em Atos 4.1-4 eles mandam prender Pedro e João por pregarem a ressureição dos mortos em Jesus. Em At 5.17,18 eles mandam prender os apóstolos com inveja de ver os sinais de Deus operando através dos apóstolos. Nos dias hodiernos ainda vemos “cristãos” com o mesmo comportamento destes saduceus, condenam ao inferno quem pensar teologicamente diferente da cultura religiosa em que foi criado.

Marcos Avelino

domingo, 28 de agosto de 2011

Convivendo com pensamentos diferentes I

O cristianismo hoje é obrigado a conviver com várias opiniões e teologias diferentes. A pós-modernidade desconstruiu a universalidade dos conceitos ortodoxos e introduziu o pluralismo das opiniões religiosas. A verdade é relativa a cada grupo religioso. As emoções, a tradição e o sentir em alguns ambientes religiosos, têm mais valor do que a bíblia. Há uma fragmentação de Denominações históricas e uma relutância as doutrinas unificadas e abrangentes. É nesse contexto que nascem várias denominações e teologias diferentes a cada dia.

A globalização traz consigo mudança cultural e de comportamento, e a igreja inserida nestas transformações culturais tem que aprender a conviver com essa maneira diferente de pensar. Ela tem que saber diferenciar as tendências heréticas sem cair no legalismo e nem ferir a ética do cristianismo. É preciso ter uma mente cristã equilibrada baseada em princípios e não em fatos

Na época em que Jesus andava como homem entre os Judeus, havia pensamentos diferentes com relação à religião. Observando como Jesus se comportou diante desses grupos podemos tirar grandes lições para nos hoje. Os principais grupos que conviviam no ministério terreno de Jesus eram: os fariseus; os saduceus; os essênios e os zelotes. Nesta postagem vamos focar os fariseus.

OS FARISEUS. Faziam parte de um partido religioso puritano do século II a. C. Segundo Kurt Schubert em seu livro os partidos religiosos hebraicos na época de Cristo, publicado pela Edições Paulinas, afirma que os fariseus foram citados pela primeira vez em 160 a.C. Uma época de crise política, de silêncio de Deus e de invasão cultural provocada pelas nações que conquistaram Israel e ameaçavam a própria identidade do judaísmo. Eles tiveram papel importante naquele contexto histórico na preservação da fé judaica. Na época de Cristo era o grupo religioso mais importante.

Os Fariseus tinham na observância da lei de Moisés, a principal importância da sua homília. As tradições religiosas tinham igual valor as Escrituras Sagradas. Acreditavam num mundo espiritual e na vida após a morte. Preocupava-se muito em mostrar sua religiosidade exterior.

Todos tinham que cumprir uma regra já definida pela Tradição e Ortodoxia farisaica. O novo testamento esta repleto de exemplos de como o pensar religioso fariseu entrava em conflito com os ensinamentos de Jesus vejamos alguns:

Mt 5.20 Jesus diz que se a nossa justiça não exceder a dos fariseus de modo algum entraremos no Reino dos céus. (Como está nossa Justiça?)

Mt 9.11 Censuraram Jesus por comer com publicanos e pecadores. (Porque vocês come com pessoa do “mundo”?)

Mt 9: 34 Os fariseus afirmam que Jesus expulsa os demônios pelo os príncipes dos demônios. ( Eles tinham inveja do poder e autoridade de Jesus. Eles acreditavam que só eles, que “guardavam a lei”, era os verdadeiros representantes de Deus).

Mt 12.2 Afirmam que ao discípulos de Jesus transgrediram a lei colhendo espigas no sábado. (Jesus mostrou para os fariseus que é possível quebrar a letra da lei, desde que seu espírito seja preservado. Deus quer misericórdia e não sacrifício. Não condenar o inocente usando as escrituras)

Mt 12.14 Os fariseus tomam conselho para matarem Jesus por curar um homem no sábado. A letra da lei era mais importante que as vidas das pessoas.

Mt 15.1 Eles censuram os discípulos por não obedecer as tradições. (Algumas denominações tem seu talmude como mesmo valor da bíblia.)

Mt 15.12 Os fariseus se escandalizam por Jesus afirmar que o contamina o homem e o que sai da boca.

Mt 16.1-16 Jesus recomenda a seus discípulos guardarem-se das doutrinas dos fariseus.

Os fariseus tentavam pegar Jesus com constantes perguntas? Mt 19.3; Mt 22.15.

No livro de Mateus capítulo 23 Jesus afirma:

13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.

15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós.

23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.

25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança.

27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia.

Hoje o evangelho ainda tem muito do fermento dos fariseus. A santidade esta ligada ao exterior, aos usos e costumes. A fidelidade, a honestidade, a misericórdia e a pureza são negadas pelas atitudes dos ditos evangélicos.

Jesus no meio de pessoas com opiniões diferentes sobre as doutrinas básicas da fé judaica declarou que a lei e os profetas se resumem em dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e o seu próximo como a si mesmo. Mt 22.38-40 E agindo pela lei do amor estamos seguindo o exemplo de Jesus.

Devemos deixar Deus trabalhar em nossas vidas para aprendermos a falar as outras pessoas com amor e jamais reagir com ódio. A bíblia nos ensina não deixar que o sol se ponha sobre a nossa ira. Ef 4.26 Você pode se irar, mais guardar a ira é pecado. Jamais evite reconciliar com alguém por orgulho e para não se dar por vencido. “Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5) Vamos celebrar a vitória com as outras pessoas e jamais procurar diminuir o sucesso de outros.

Deixe Cristo governar a tua vida pelas leis do evangelho e não deixe os decretos de tuas vontades e orgulho interfiram nestas leis. Assim você poderá conviver com doutrinas diferentes e julgar pela a lei do amor.

Marcos Avelino

sábado, 13 de agosto de 2011

A Verdade sobre a Igreja I

O filho de uma irmã da congregação onde eu servia faleceu. Ela pediu ao pastor para o corpo do seu filho ser velado no templo. O pastor atendeu ao seu pedido. Esse fato gerou uma celeuma entre as irmãs “do mistério” (como são conhecidas as irmãs que faziam parte do círculo de oração da congregação). Elas vieram a mim questionando se não era errado velar um morto na igreja, a casa de Deus.

Eu falei para elas que o Senhor não habita mais em templos feitos por mãos humanas e que o templo não é mais a casa de Deus. Nós somos o santuário do altíssimo. Onde nos estivermos reunidos em seu nome, fazendo a sua obra, Ele está conosco. Ainda que seja em lugares mais vis como um terreiro de umbanda ou um antro de prostituição. Só a igreja saindo dos templos das denominações o evangelho será levado até aos confins da terra.

Pensar na igreja como o templo é um algo em comum com a maioria dos que frequentam as instituições religiosas hoje.

A palavra igreja, “ekklesia” no grego, era uma assembléia de cidadãos convocados para uma reunião administrativa. Era a reunião dos “eklectoi”, reunidos para discutir assuntos políticos do estado. “Ekklesia” deriva do verbo “ekkaleo” que significa chamar a parte1.

“Ekklesia” era uma congregação de pessoas ou assembléia legal, numa cidade grega, formada por todos que tivessem direito de cidadania (chamado a parte) para tratar de assuntos públicos2.

Para uso do cristianismo poderíamos dizer que “ekklesia” é a congregação de crentes, organizados para manutenção das atividades normais da vida cristã, ( doutrina, ordenança, administração) tendo comunhão entre si e com Cristo. 3

A “ekklesia” do novo testamento era um grupo organizado que estava ativamente engajado no comprimento da grande comissão. Dessa organização apenas Cristo era o cabeça. Os crentes mantinham comunhão uns com os outros e com Cristo.

A primeira vez que o novo testamento usou a palavra igreja (ekklesia) foi em Mt 16.18 e se fosse traduzir ao pé da letra do original teríamos: Revelo eu também pedra(no sentido de pequeno deslocamento de material rochoso), sobre esta rocha de verdade revelada edificarei a Minha assembleia e o portão do mundo dos mortos não poderão subjugar (obter domínio).

A rocha revelada era a afirmação de Pedro de que Jesus era o Cristo, o filho do Deus vivo. Não era algo material, mais uma assembleia (imaterial) firmada na Rocha que é Jesus (Espiritual)

Na septuaginta, versão grega do antigo testamento, traduz a palavra kahal por ekklesia. kahal é referente a assembleia ou convocação dos judeus. A maior parte do termo ekklesia no novo testamento tem sentido de uma congregação de fiéis.

Portanto não se deve fazer relação dos templos das denominações com casa de Deus, ou tabernáculo, pois isso ficou com a lei de Moisés. Quando Jesus morreu o véu do templo rasgou de cima abaixo. A partir daí Deus não habita mais em templos feitos por mãos humanas. (At 17.24). Onde estiver dois ou três reunidos em nome Dele, ali Deus está. (Mt 18.20). Ali também está a igreja do Senhor.

A Igreja do Senhor pode ser reunir em um templo, mas quando os cristãos deixarem a reunião, não é mais igreja e sim apenas o templo, uma estrutura material. A Igreja primitiva se reunia nas casas, (At 28.30 Rm 16 5) e também no templo dos judeus (At. 2.46 e At. 5.42).

A igreja não deve deixar de se reunir: em casa, com cultos domésticos onde as famílias estarão se edificando e os vizinhos tendo a chance de ouvir a palavra; em reuniões públicas, bem organizadas, onde as pessoas podem ouvir a mensagem do evangelho; em templos para ouvir relatos do que Deus está fazendo na comunidade, para ensinos dos princípios básicos da fé cristã e para reuniões festivas.

A centralização de todas as atividades da igreja em templos tem mais motivação financeira do que espiritual. Quanto mais vezes a igreja se reune no templo, mais ofertas são tiradas para as denominações.

Esta reunião ativista e diária nos grandes templos é patológica para o cristianismo, pois tira a dimensão de comunidade da igreja e a torna apenas um exército da fé. Enfraquece os laços de comunhão familiares e de edificação mútua dos irmãos. As reuniões que tinha como objetivo cultuar a Deus, aos poucos vai dando lugar ao culto onde o objetivo maior é fazer apresentação para as pessoas que vão ao templo. A igreja se fragmenta entre o grupo que trabalha para instituição e o grupo de cliente. A igreja assim vai perdendo sua identidade.

Marcos Avelino

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1. Raimundo OLIVEIRA, As grandes doutrinas da bíblia, p. 253

2. Ibid., p. 254

3. Ibid., p. 270

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Bispo da Universal se rebela contra programação da Record

Publicado por Redação em sexta-feira - 5 de agosto de 2011 // 6 Comentários

O bispo Romualdo Panceiro (foto), 51, um dos lideres mais importantes da Igreja Universal do Reino de Deus, se rebelou contra Edir Macedo, 66, por causa da programação da TV Record, que têm a IURD como uma de suas principais fontes de recursos.

Segundo o jornal A Folha de São Paulo, a gota d’água está sendo a quarta edição do reality show “A Fazenda”, cujos participantes o bispo chama de “ignorantes indecentes”. Uma das convidadas é a ex-garota de programa Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, e a prostituição tem sido um dos temas das conversas, sem que a prática seja condenada, mas enaltecida.
Além de estar recomendando aos fiéis para que não assistam ao programa, Panceiro, para não entrar em confronto direito contra o fundador da Universal, tem atacado Honorilton Gonçalves, que é seu antigo rival, mas também o homem forte de Macedo na TV Record. Foi Gonçalves que, como vice-presidente da emissora, recentemente propôs acordos milionários ao Clube dos 13 para a obtenção dos direitos de transmissões futebol dos Brasileirões dos próximos anos.
Edir Macedo escreveu em sua biografia – lançada em outubro de 2007 — que Panceiro é seu “herdeiro espiritual”, e desde então o relacionamento entre os dois vem sofrendo erosão. Mas, Panceiro mantém seu poder na Universal. É ele que, muito mais que o Edir, tem contato com os bispos e pastores e é o responsável pelo controle da arrecadação da igreja.
É Panceiro, também, que libera recursos para Record, a pedido de Macedo, de acordo com as prioridades de Honorilton Gonçalves para tentar abalar a liderança da TV Globo na audiência. Só em 2010, a igreja injetou na emissora pelo menos R$ 480 milhões tendo como álibi a compra do horário das madrugadas.
Macedo, em seus programas de rádio, já vinha criticando, de forma genérica, a programação das TVs. Mas agora, para tentar acalmar Panceiro, ele decidiu que os fiéis devem fazer um jejum de “informação secular” durante um período que coincide em parte com o da “A Fazenda”.
De acordo com informação da Folha.com, Panceiro está tentando convencer Macedo a não realizar no próximo ano o “A Fazenda”, cuja produção exige pesado investimento. O argumento de Panceiro seria o de que ele se sente constrangido em exigir dos pastores uma boa conduta moral, afastando, inclusive, os que cometem adultério, enquanto a Record faz apologia de imoralidades com o financiamento da igreja.
Independentemente do que Macedo decidir, e ele levará em conta os índices de audiência do reality show, o fato é que Panceiro está em linha de confronto com o seu chefe. Não tanto por questões de moralidade, mas pelo saco sem fundo em que a Record se tornou para a Universal.

Fonte: Folha, Paulopes

COMENTÁRIO

Na postagem do dia 23 de julho escrevi: Você quer contribuir para o reino de Deus ou reino do Diabo?. Os lobos devoradores afirmam que não se deve procurar saber o que estão fazendo com os dízimos. O dever do mebro é dar, o deles e administrar. “Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos “(Ap 18.4)

Quando da compra da Rede Record, a IURD alardeava que seria o canal do povo de Deus e forçava os membros a contribuir para ajudar na compra da emissora. Aqui em Fortaleza foi uma verdadeira febre - vamos ter um canal da família de Deus. Minha cunhada, membro dessa “igreja”, vendeu cama e geladeira para doar como oferta para ajudar a IURD a comprar a Record.

Após a compra da Rede Record pela IURD, a programação não mudou. E apenas mais uma emissora comercial a serviço do anticristianismo. E para vender seu produto têm que render aos apelos sensuais da mentalidade caída da sociedade hodierna.

Será a vontade de Deus os apelos sensuais da RECORD. Que a edificação tem para a juventude cristã os mutantes e rebeldes? Será que um líder de Deus defenderia a matanças de inocentes apoiando o aborto como planejamento familiar?

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. (Mt 7.15-23)

Será que estes frutos da IURD e de Deus? Você contribuinte desta “igreja” pode está fortalecendo o reino do anticristo!!! Cuidado. A Eternidade e muito mais que benção materiais! Se o profeta realizar um sinal e levar você a adorar a Mamom , você pode está sendo testado se amas a Deus de todo coração e toda a alma , ou amas mais o que o príncipe deste mundo está te oferecendo no pináculo do templo. (Dt 13.1-5). Pense nisso.